Zeca Baleiro

 

 

Por: Madan

 

Madan – Alô, Zeca. Obrigado por estar conosco… Nos conte, como a música entrou na sua vida?

Zeca Baleiro – Cresci num ambiente muito musical. Minha mãe sempre gostou gostou de cantar, meus tios tinham um regional, meu pai gostava de ouvir rádio. Então, eu e meus cinco irmãos crescemos cercados de música, dois deles tocavam violão, e foi assim que tomei gosto desde cedo por cantar, ouvir discos, rádio… Só fui aprender de fato um instrumento na altura dos14 anos, mas já estava contaminado pela música desde sempre.

Madan – A gente percebe em sua obra que você tem uma forte relação com a poesia. Quais são suas influências literárias?

Zeca Baleiro – Meu pai era um leitor compulsivo e nos fazia ler bastante. Mas o interesse pela poesia é algo que surgiu também na adolescência, quando descobri os grandes poetas brasileiros, Drummond, Bandeira, Murilo Mendes, João Cabral, Ferreira Gullar, Mário Quintana, os concretos…

Madan – E quais são suas principais influências musicais?

Zeca Baleiro – Luiz Gonzaga e Bob Dylan.

Madan – Como é o seu processo de criação?

Zeca Baleiro – Muito caótico, não tenho um “método”. Gosto de compor letra e música juntos, em separado. Gosto de compor em parceria, de musicar poemas…

Madan – Você tem um selo musical, o Saravá Discos – quais os trabalhos que você lançou pelo selo?

Zeca Baleiro – Lancei até agora 4 discos: “Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé – de Ariana para Dionísio”, com poemas de Hilda Hilst musicados por mim; “Cruel”, disco póstumo do compositor capixaba Sérgio Sampaio; “O Samba é Bom”, do compositor maranhense octogenário Antonio Vieira e “Balançou no Congá”, de Lopes Bogéa, outro bamba maranhense, este já falecido. Para abril estão previstos dois relançamentos. São 2 vinis de 1982 que foram remasterizados – “Cabelos de Sansão”, do cearense Tiago Araripe, um cara muito interessante que participou da vanguarda paulistana, e “Sinceramente”, o último LP do Sérgio Sampaio.

Madan – Estamos no segundo semestre de 2007 e você está lançando o CD “Lado Z”. Você pode nos falar deste novo trabalho?

Zeca Baleiro – Lado Z foi uma coletânea de colaborações e participações especiais que fiz. Há duetos com Macalé, Martinho da Vila, Lobão, Vanessa Bumagny e participações em cds-tributos a Odair José, Clara Nunes e Sérgio Natureza.

Madan – Como foi para você trabalhar e compor com o Fagner?

Zeca Baleiro – Foi uma grande experiência. O Fagner é uma grande referência pra mim, fez discos fantásticos nos anos 70, mesclando a cultura nordestina com a sonoridade pop da época, e nesse sentido, foi um pioneiro.

Madan – Como você vê o atual panorama da música popular brasileira? Os artistas, as gravadoras, os selos, a pirataria, o mp3, a Internet, etc…?

Zeca Baleiro – A música brasileira vai bem, obrigado. O que não anda bem é o mercado, em franca decadência. Há uma nova realidade se configurando, baseada na independência, no uso inteligente da internet e das novas tecnologias. E um novo público, já afeito a esse novo cenário, vai sendo formado também, o que é bom.

Madan – Quem você vê como talento promissor surgindo no universo musical nos últimos tempos?

Zeca Baleiro – Tem muita gente boa por aí. Posso citar alguns – Wado, Kléber Albuquerque, Totonho e os Cabra, Vanessa Bumagny, Nô Stopa…

Madan – Você está sempre abrindo espaço para novos artistas, seja em seus CDs, no Baile do Baleiro, entre outros projetos especiais. Quais dicas você dá para quem está começando a carreira?

Zeca Baleiro – Trabalhe, trabalhe e trabalhe, incansavelmente. E faça com verdade, é só o que posso dizer.

Madan – Gilberto Gil está deixando o Ministério da Cultura; como você avalia sua atuação nos últimos cinco anos?

Zeca Baleiro – Não saberia avaliar, mas posso afirmar que ele estará melhor no palco que lá.

Madan – Quem você tem ouvido? O que você aconselha para os usuários do Alô Música?

Zeca Baleiro – Tenho ouvido um disco muito interessante, de um artista bastante talentoso, de quem sou grande fã. É o disco “Toda Vez que eu dou um Passo o Mundo Sai do Lugar”, de Siba e Fuloresta.

Madan – Obrigado pela entrevista, sucesso e um forte abraço.

Zeca Baleiro – Grande abraço, estamos aí.