Suely Mesquita

 

Suely Mesquita está despontando no mercado – compositora e dona de uma voz muito bonita, nos concedeu entrevista exclusiva, comentando seu trabalho. Um agradável bate-papo, cheio de bom humor e alto astral…

Alô Música – Suely, fale um pouco de você…

Suely Mesquita – Oi! Sou compositora e cantora, parceira de um monte de artistas da pesada, entre os quais, da banda já mais famosa, Zeca Baleiro, Fernanda Abreu, Chico César, Zélia Duncan e outros, e, da banda ainda pouco famosa, Luís Capucho, Mathilda Kóvak, Kali C., Germana Guilhermme, Paulo Baiano, não dá pra listar todo mundo aqui… Tenho 42 anos, sou mãe de dois filhos, classe média.

Alô Música – Você é professora de canto também, certo?

Suely Mesquita – Sou, e fiz também a preparação vocal de vários discos, entre os quais os dois primeiros do Pedro Luís (Warner), o do Boato (Warner) e o do Farofa Carioca (Universal), além de vários independentes.

Alô Música – Como foi a chegada da música na tua vida?

Suely Mesquita – A primeira coisa de que me lembro nesse sentido é estar no quintal de casa cantando a capela um pout porri (como se escreve isso?) enorme do “Dois na Bossa”, (disco de) Elis (Regina) e Jair (Rodrigues). Eu tinha uns seis anos, ou seja, a música tá na minha vida desde sempre. Estudei piano desde os seis anos mas parei. Mais tarde, aos doze, estudei uns dois anos de violão bem mais ou menos. Na minha família tinha isso de estudar música e artes. Minha mãe fez oito anos de piano, minha avó foi atriz no colégio. Mas era pra cultura geral ou algo assim, não se podia nem pensar em profissionalização.

Alô Música – Você sempre pensou em trabalhar com música?

Suely Mesquita – Escondido, sim. Escondido até de mim mesma (rindo).

Alô Música – E quando você começou a ter a música como profissão?

Suely Mesquita – Bom, meu primeiro show solo foi aos 19, mas eu não chamo isso de profissão. Meu primeiro trabalho com intenção profissional como cantora foi um duo chamado Melodia Americana, em 1985, eu acho.

Alô Música – E você sempre trabalhou com música?

Suely Mesquita – Não. Eu me formei em psicologia em 1982, fui fotógrafa de teatro e de moda, trabalhei em feiras internacionais como intérprete, datilógrafa, telefonista, recepcionista. Há quase dez anos faço tradução e redação, sobretudo pra (Enciclopédia) Barsa.

Alô Música – E quando começou a trabalhar com música?

Suely Mesquita – Quando comecei a dar aulas de canto, em 1984. Essa eu considero minha primeira atividade profissional com a música.

Alô Música – E qual tua formação em canto?

Suely Mesquita – Estudei com professores particulares de canto erudito, cantei em corais muitos anos, estudei harmonia, piano, violão, percepção musical, filosofia (tudo isso tem a ver com minha formação como cantora e compositora) e há uns oito ou dez anos atrás ajudei a fundar um grupo de estudos chamado GEV – Grupo de Estudos da Voz do Rio de Janeiro.

Alô Música – Você é afinadíssima – qual a tua extensão de voz?

Suely Mesquita – Sou soprano. Tenho uma extensão totalmente normal, posso usar cantando mais ou menos do re2 ao lá4, mais ou menos duas oitavas e meia.

Alô Música – E como compositora, quais as tuas maiores inspirações?

Suely Mesquita – Componho sobre qualquer coisa que me chama a atenção, que me motiva, que prende meus pensamentos. Pode ser menino de rua, uma paixão, uma notícia de jornal, um amigo, uma história que me contaram, um trocadilho que fizeram, um jogo de palavras, um insigth, uma frase de alguém. Geralmente começo pela letra. Às vezes vem letra e música juntas. Não tenho músicas sem letra, apenas algumas com a letra inacabada.

Alô Música – E “Sexo puro”, foi teu primeiro disco?

Suely Mesquita – Foi.

Alô Música – Você agora está com um show com a Kali – “eXercícios” – fale sobre ele…

Suely Mesquita – “eXercícios” é um acontecimento na nossa vida. Todo mundo envolvido está muito mexido com o processo do espetáculo porque está tudo muito intenso e a gente não tem tempo pra respirar entre um e outro. Mas a gente tá adorando isso. As parcerias já existem há muito tempo. Eu e Kali somos parceiras há uns dois ou três anos. A gente já fez algumas coisas juntas, geralmente participações no show uma da outra. Eu gravei uma parceria nossa, ela gravou várias no disco dela. Aí a gente foi chamada pela Patrícia Ahmaral pra cantar no show dela. A Patrícia é uma puta cantora de Minas – roqueira de primeira e cantora lírica profissional no coro do municipal de Belo Horizonte – que canta “Líquida”, parceria minha com Kali. A Patrícia chamou a gente pra cantar com ela num show e foi maravilhoso. Ela está a fim de fazer coisas no Rio e de fazer coisas conosco. A produtora dela nos propôs uma residência: shows seguidos num mesmo lugar, nós três. Na última hora, viu-se que não era viável trazer a Patrícia toda semana. Ela ficou como convidada em um dos dias (19 de fevereiro) e a Andrea (a produtora) assumiu “eXercícios” só comigo e com a Kali. A idéia era um show que mostrasse as músicas, o trabalho de composição e os parceiros num clima informal. A gente mostra nossas músicas com voz e violões e chama parceiros, famosos e não famosos, importantes no nosso trabalho. Convidamos sete artistas famosos, só o Zeca teve problemas de agenda e não pode fazer. Os outros seis aceitaram de cara.

Alô Música – Quem são?

Suely Mesquita – Pedro Luís e Germana Guilhermme (22/1), Moska e Suzie Thompson (29/1), Zélia Duncan, Marcela Biasi e Arícia Mess (5/2), Rita Ribeiro, Betti & Luli e Mathilda Kóvak (12/2), Chico César, Patrícia Ahmaral e Luís Capucho (19/2), Fernanda Abreu, Ryta de Cássia e Rodrigo Campello (26/2).

Alô Música – Um belíssimo time. Como está indo?

Suely Mesquita – Muito excitante! Muita troca, muito prazer, muita improvisação, tudo muito quente. Apesar de não ter banda, são quatro violões, o clima fica rock’n roll acústico boa parte do tempo. O show da Zélia, no dia 5, lotou, voltou gente da porta, deu até briga. A platéia aplaude muito e, mesmo com mais de uma hora de shows, exige o bis, muita gente reclama que o show está curto! Entre os artistas no palco, o clima é de troca e intimidade, o mais informal possível. As músicas são boas e a gente experimenta coisas, cria na hora, tem muito improviso no espetáculo. Tem risco para todo mundo, mas tá muito gostoso e todo mundo muito animado. Então o giro começou a aumentar. O primeiro show foi uma emoção. A gente chamou dois violonistas profissionais pra nos darem um reforço. A idéia era tocar um de cada vez. Chamamos os dois (são da minha banda pessoal, Cláudio Bezz e Sérgio Tannus) pra ensaiar juntos, eles iam revezar fazendo a mesma coisa. Eles ficaram tão empolgados que quiseram tocar juntos todos os dias e deram um jeito nas agendas. Então veio o primeiro show, com Pedro Luís e Germana. A gente estava super nervosa! Mas estávamos seguras, bem ensaiadas. O som deu problemas e a gente errou um tanto em cena, teve que improvisar. Isso tudo foi dando o clima de um espetáculo onde não existe o erro e obrigou a gente a se jogar. E começou a ficar mais intenso ainda e a dar mais certo do que se fosse tudo muito planejado. No segundo show, sei lá o que deu na gente. Era com o Moska e a Suzie Thompson. Já na passagem de som, começaram as boas surpresas. O Moska me disse na véspera que pegou uma música do meu CD pra cantar no show, a faixa-título que agora quero trocar o nome pra ‘Sexo Puro”, porque vi que o nome dela tá errado – a faixa chamava “Samba”. Ele chegou arrasando, tocando com outra leitura, mais pesada. A Suzie fez uma cena que ela faz no show dela, cantando “O beijo”, da Kali, com um pirulito enorme colorido, daqueles redondos, sabe como é? Uns achatados. Durante o ensaio, na passagem de som, ela me trouxe o pirulito pra lamber, era uma marcação de cena. Eu me senti na fila da hóstia, e aí falei pro Moska: “Você viu isso? É a hóstia profana!” Na mesma hora, olhamos um pra cara do outro e falamos: “Puxa, isso é bom!”. Eu propus: “Vamos fazer uma letra?”. Ele topou e fizemos, ali mesmo na hora, “Hóstia profana”.
Outra história de bastidores: o Moska deu pra Kali um pedaço de letra. E a Zélia me deu uma outra letra.

Alô Música – Gente, é um música a quatro mãos?

Suely Mesquita – Calma, isso já é outra história. A “Hóstia profana” é minha e do Moska e ainda não tem música. Enquanto isso, o Moska deu pra Kali um pedaço de letra. E a Zélia me deu uma outra letra. Aí tem um parêntesis, pra você entender a história dessa segunda parceria que já surgiu de “eXercícios”. A primeira entrevista que eu dei sobre o espetáculo, pro “Globo On Line”. O jornalista me perguntou sobre afinidades artísticas que eu tinha com Kali e com os outros convidados. E eu falei que quando a gente fala em afinidades, as pessoas pensam em semelhanças. Mas eu pensava em diferenças, pois queria artistas diferentes de mim pra me complementar. Pois bem, sem saber disso, o Moska dá pra Kali uma letra falando de diferenças e, também sem saber de nada, a Zélia dá pra mim uma letra falando de diferenças. A Kali juntou as duas e fez uma música nova. MARAVILHOSA! O Moska ouviu a música só por telefone até agora. A Zélia gostou, e tocou com a Kali no show do dia 5, foi super bacana. Nem deu tempo de eu participar dessa parceria. A Zélia tinha dado a letra pra mim e eu dei pra Kali pra gente fazer juntas, mas ela foi tão rápida e a música ficou tão boa que eu não quis mais interferir.

O terceiro show, com Zélia, Aricia Mess e Marcela Biasi já foi uma coisa diferente, a cada semana muda tudo. Foi o show com mais convidados até agora e muita interação entre eles. Marcela, que está gravando seu primeiro CD pela EMI, a ser lançado esse ano, é uma parceira nossa muito talentosa e bem jovem e a Zélia é um ídolo dela. Há pouco tempo elas viraram parceiras e pela primeira vez cantaram juntas em público. Nós abrimos um espaço no nosso show pra esse encontro e demos uma cena só pras duas juntas. Foi muito lindo e emocionante. As fotos estão no site, o olhar da Zélia pra Marcela é muito bonito. No bis a Zélia tocou cajón! Foi uma surpresa, um cajón novinho, parece que ela nunca tinha tocado em público esse instrumento, foi tão bom que espontaneamente eu soltei no show: “puxa, Zélia, vou chamar você pra tocar na minha banda”. Ela disse que vai! E rimos muito, nós e o público.

Alô Música – Vocês estão pensando em gravar esses shows? Será que sai um “ao vivo”?

Suely Mesquita – Era tudo o que a gente queria. A TV Zero aventou inclusive a possibilidade de fazer um vídeo. Mas a gente não tem patrocínio e eles acabaram não filmando nenhum dia ainda. Estão interessados, mas não vieram ainda. Quem sabe na próxima quarta?

Alô Música – Tomara.

Suely Mesquita – O que a gente tem é uma gravação em MD dos shows, que estamos pondo na internet aos poucos. Isso não tem qualidade pra disco. Temos fotos digitais, que estão na internet também. Você viu o site, feito pelo Alê Porto? Tá lindo!

Alô Música – Vou lá depois. Qual o endereço do site?

Suely Mesquita –www.suelymesquita.com.br/exercicios. E temos vídeos caseiríssimos, só pra gente se ver. Talvez dali saiam uns pedacinhos pra um CD Rom e olhe lá. Coisa interna, pra mandar pra possíveis patrocinadores de uma próxima edição, quem sabe.

Alô Música – Olha, se vocês estão fazendo um trabalho rico, super elogiado, por que não?

Suely Mesquita – Porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. Trabalho rico e super elogiado, modéstia à parte, eu faço há anos. E tenho um monte de parceiros que também fazem. Daí a ter um investidor, é outra coisa.

Alô Música – Sim, é complicado. Mas temos que continuar tentando.

Suely Mesquita – Não temos não. Eu quero é ser feliz, não sou mártir da música.

Alô Música – Certamente. Mas se um trabalho rico pode ser levado para outras pessoas curtirem, acho que devemos tentar.

Suely Mesquita – Eu sou artista, isso é uma coisa que tenho que administrar. Não faço isso pra levar pras outras pessoas, não é um movimento generoso ou social da minha parte. É uma tara como outra qualquer. Faço isso por mim, não sei viver sem. Então, administro essa tara como posso, do jeito mais simples possível, sem dramas.

Alô Música – O que também é bastante interessante.

Suely Mesquita – Sei que tem outras pessoas que gostam, sei que a música em geral, a boa música, é importante pra muita gente, como é pra mim agora, como foi pra mim quando eu era só platéia. Mas não é por esse nobre motivo que faço música. Faço música porque já tentei parar duas vezes e desisti, fiquei muito infeliz. Mas não tenho que fazer, não faço pelos outros, não me sinto obrigada a fazer, faço porque não ‘guento’, é uma tara como outra qualquer.

Alô Música – Você tem músicas suas sendo tocadas nas rádios por outros intérpretes – quais são?

Suely Mesquita – Que eu saiba, só “Domingo e feriado”, com o Fred Martins. E só na MPB FM, que eu saiba também. MúsicaSSS$$$ sendo tocadaSSS$$$ nas rádios, ainda não tenho não.

Alô Música – É, temos muito pouco espaço para a boa música.

Suely Mesquita – Temos muito espaço pra boa música. Não temos é espaço pro artista independente. As superproduções (leia-se super capital pra investir), que no Brasil ainda são quase que só as grandes gravadoras, compram o espaço todo. O espaço das rádios e TVs fica dividido entre esses poucos artistas contratados e o resto dos artistas sobra.

Alô Música – Essa temporada no Teatro Leblon vai até final de Fevereiro. Para depois tem mais alguma coisa agendada?

Suely Mesquita – Não, Deus me livre (rindo). Vou levar até o meio do ano pra pagar as dívidas de “eXercícios”. Não faço outro tão cedo a não ser que alguém compre a idéia. Acho que vou levar uns dois anos pra entrar numa dessa de novo. Devo fazer alguma coisa voz e violão por aí, só eu, pra curtir.

Alô Música – Mas o show não se banca?

Suely Mesquita – Tá doida (rindo muito!)? Uma casa de 130 lugares não banca nada.

Alô Música – Realmente. E como querem que o artista sobreviva?

Suely Mesquita – Mas quem disse que querem?

Alô Música – Merecemos, Sueli…

Suely Mesquita – (rindo) Querem é que a gente morra. Mas a gente não quer e o público não quer.

Alô Música – Pensando em gravar algum outro disco?

Suely Mesquita – Ah, pensando em gravar outro disco, em fazer um show no Canecão, em viajar pra Paris, em ficar seis meses sem trabalhar, em comprar um carro novo, em… Pensar a gente pensa. Vou acabar gravando. Gravar é mais fácil que fazer show. Já tenho uns cinco discos prontos na cabeça, com título, repertório e tudo.

Alô Música – Olha, agora é torcer para colocar eles na prática.

Suely Mesquita – Torcer nada, administrar. Torcer, torcem os fãs e eu agradeço imensamente, bebo a torcida, fico muito feliz com ela. Mas eu não torço, eu planejo e vou dando meu jeito.

Alô Música – Você acha que o novo Ministro pode vir a mudar alguma coisa na cena musical brasileira?

Suely Mesquita – Sei lá. Tô esperando pra ver. Não faço a menor idéia do que o Gil pensa sobre os independentes e ele foi pra tv defender as majors contra pirataria. Não sou a favor da pirataria, mas participar de uma campanha que diz que a pirataria prejudica a música brasileira de qualidade, enquanto as gravadoras a salvam, não dá, é uma análise muito parcial. Mas acho também que, independentemente do ministro, a indústria e o mercado do disco estão mudando e isso não tem como frear. No Rio a coisa é muito preta porque aqui não tem mercado local. O mercado local tá esmagado pelo mercado nacional.

Alô Música – É, com as majors falidas (ou assim se dizendo), a coisa tende a mudar. O meu medo é que seja para pior.

Suely Mesquita – Pior não existe, a não ser que haja um colapso de grandes proporções no país. De cinco anos pra cá só melhorou. Aqui no Rio não existe essa coisa do músico que vai crescendo na sua cidade, faz seu público, tem acesso aos teatros, apoio da prefeitura, representa sua cidade, ganha experiência, tem algum respaldo. O Rio não é sua cidade, não é minha cidade, é uma cidade cosmopolita de todos e de ninguém.

Alô Música – Eu sinto que a música brasileira está em altíssimo nível – pena que essa ‘música’ quase nunca chegue às rádios…

Suely Mesquita – A música brasileira SEMPRE esteve em altíssimo nível. Nunca existiu essa baixa de qualidade na produção artística que às vezes se fala. O que aconteceu é que a boa música já teve visibilidade e já foi produto. E agora está voltando a ser produto. A MPB e o samba, por exemplo, estão em alta no Brasil e no mundo inteiro. Em ascensão.

Alô Música – Concordo. Mas só podemos falar do que conhecemos. E tenho tido contato com produções belíssimas.

Suely Mesquita – Eu também tenho tido e sempre tive contato com música de primeira.

Alô Música – Estamos com belíssimos trabalhos e uma safra nova chegando de nos fazer sorrir. Pena que não chegue ao público.

Suely Mesquita – Deixa eu te entrevistar agora?

Alô Música – Sim.

Suely Mesquita – Como é isso de “pena”? O que você acha que está acontecendo? (Acho que vou fundar uma organização de Defesa do Consumidor de Música (rindo).)

Alô Música – Eu acho que nosso povo está sendo comandado por diretores de multinacionais que decidem o jeito que vamos “achar” que é nossa cultura…

Suely Mesquita – E o que a gente pode fazer?

Alô Música – Se o povo sequer sabe o que vem a ser Jabá e acha que esse monte de porcaria que tocam nas rádios é nossa “cultura”, é uma pena, pois nos tornamos um povo sem personalidade. A cultura “retrata” o cotidiano de um povo. Sendo assim, estão tirando o direito de sermos nós mesmos e estamos vivendo a ditadura do capital estrangeiro.

Suely Mesquita – E o que a gente pode fazer?

Alô Música – O que podemos fazer? Primeiro avisar ao Lula que isso existe – não sei se ele sabe o tamanho da máfia que ronda a música brasileira – e pedir a Gil que tome uma providência, pois Jabá é crime. Existem leis, regulamentos, códigos de ética etc., que regulamentam a propaganda, as concessões públicas de rádios e TVs etc., direito do consumidor… E por aí vai.

Suely Mesquita – Mas se o Gil tá cansado de saber que existe jabá e que as multi não costumam ter um trato vantajoso pro artista, e se ele vai pra TV defender as multi contra a pirataria, dizendo que a pirataria é a coisa que mais prejudica o artista e a música brasileira, que providência será que ele vai tomar?

Alô Música – Não sei – se ele não tomar, exigimos – somos um povo que tem, enfim, um Presidente honesto, decente e que luta pela dignidade do nosso povo – eu acho jabá humilhante – então vamos nós tomar providências. Eu acho que ele vai fazer algo – estou dando um tempo. Sem contar os problemas com Leis de Incentivo, etc… Enfim, Gil tem muito trabalho pela frente.

Suely Mesquita – Concordo, acredito totalmente no Lula. Já no Gil como político, sobretudo quanto à política cultural na música… Ele é ótimo compositor, admiro muito a obra dele, uma grande influência na minha formação.

Alô Música – Eu também – eu DUVIDO que se Lula souber o tamanho da máfia… ele vai exigir providências.

Suely Mesquita – Pode ser, mas ele tem muita coisa pra fazer. Enquanto ele tá ocupado por um lado, a gente pode se ocupar por outro. Você se ocupa quando faz o “Alô Música”. Eu me ocupo quando faço “eXercícios”. A Nana se ocupa quando faz a “M-música”…

Alô Música – Eu gosto inclusive do caráter do Gil – conheci ele na Rio 92 e me passou ser uma pessoa ótima. Não sei se é guerreiro bastante para enfrentar tudo que está acontecendo.

Suely Mesquita – Eu não conheço o Gil e não posso opinar. Estou observando. Não concordo com a atitude dele em relação à pirataria nem com outras coisas que já o vi fazer em relação à classe.

Alô Música – Sim, eu, de verdade, estou torcendo por ele. E por nosso povo, claro.

Suely Mesquita – Mas voltando um pouco, como diz o Pedro Luís, “se todos realizam algo, o mundo segue seu caminho”. E “eu caio no suíngue é pra me consolar”.

Alô Música – Sim, mas agora a responsabilidade é grande – vamos esperar mais um pouco…

Suely Mesquita – Também estou esperando. Mas não estou contando com nada. Tenho um tempo limitado na Terra pra viver. E ele já está correndo. Sou uma compositora com mais de seiscentas músicas compostas, isso na última vez em que contei e já faz mais de um ano. E preciso dos intérpretes, tenho que viver uns cem anos pra gravar tudo o que gostaria.

Alô Música – Você citou a Nana e o site da M-Música – como é tua relação com a Internet?

Suely Mesquita – Internet é a melhor resposta que eu tenho até agora para tudo isso de que estamos falando e para fazer sem depender de terceiros o que quero fazer: achar o meu público e trocar com ele, sem intermediários. Sou muito ativa na Internet há pelo menos oito anos. Além dos sites oficiais (Suely Mesquita – www.suelymesquita.com.br e eXercícios – www.suelymesquita.com.br/exercicios, ambos feitos pelo Alê Porto), mantenho há alguns anos um blog com atualização diária, o sexopuro (nome do meu CD), em http://sexopuro.blogspot.com, que atualmente recebe cerca de 350 visitas diárias.
Tenho três parceiros importantes para criar coisas na rede. O Alê Porto, designer, webmaster e criador da PontoFlash (www.pontoflash.com.br), fez os sites oficiais e criou a rádio sexopuro. A rádio só toca músicas dos discos meu e de Kali C. e em breve vai tocar também músicas de outros convidados de eXercícios e de outros parceiros meus. Ela entra automaticamente no ar quando se acessa o blog e pode ser ligada também a partir do site de eXercícios. A proposta da rádio é apresentar, sobretudo para quem não nos conhece, as nossas músicas bem acabadas, com qualidade profissional. Por isso lá só tocam, ao menos por enquanto, faixas de CDs. A rádio apresenta uma programação diferente a cada vez que é acionada, então o internauta não escuta sempre as mesmas músicas. E ela pode também ser facilmente programada ao gosto do ouvinte, numa sacada genial do Alê.
Meu outro parceiro de iniciativas na Internet, o Aroaldo Veneu, violonista, compositor, analista de sistemas e criador da LPemCD (www.lpemcd.com.br), criou comigo o Post Sonoro. Um blog funciona com posts. Um post é uma entrada com data e hora que geralmente contém texto e/ou fotos e imagens. Um blog é uma sucessão de posts, uma espécie de diário online, que no caso do sexopuro não é um diário pessoal, mas um diário artístico, do que acontece no meu dia a dia criativo e de histórias de bastidores minhas e de meus parceiros. O Post Sonoro é um post que, além de texto e fotos, contém um trecho de áudio, que pode ser escutado sem abrir novas janelas ou programas. A pessoa que está lendo o blog clica num botão desenhado no post e começa a escutar o áudio sem nenhuma interferência no visual da sua tela. Além disso, o Post Sonoro segue a filosofia dos blogs, que contém textos íntimos, rápidos e informais, muitas vezes postados sem releitura, no calor do momento. Assim, ao invés de faixas gravadas em estúdio, os Posts Sonoros contêm gravações caseiras de ensaios, depoimentos, entrevistas, gravações ao vivo dos shows etc., tudo com o som tratado com maestria pelo Aroaldo, que é fera em recuperação de áudio. Então o clima é caseiro e íntimo, mas o som é bacana! Tudo o que a gente mais quer.
A terceira parceira é a Marisa Porto, usuária hard de Internet, criadora do site Feng Shui (www.harmonianet.net) e fera em mIRC e operação de chats, que há pouco tempo começou a receber comigo os visitantes do blog ao vivo, em tempo real, em chats semanais, sempre às 5as. e domingos às 20hs. Atualmente o chat tem como tema o espetáculo em cartaz, eXercícios. Aparecem amigos, artistas, visitantes assíduos do blog, passantes, desconhecidos, tem sido bem interessante. Ao vivo, a gente ouve as músicas juntos (cada um na sua máquina :))) e vai comentando, conta histórias, responde as perguntas das pessoas, escuta as histórias delas, tira dúvidas sobre como ouvir a rádio e o post, conta sobre os discos, enfim, um bate papo informal bem gostoso, para o qual você, Solange, e todos os leitores do Alô Música estão convidados.
O sexopuro é o primeiro blog a ter chats periódicos, rádio própria e Posts Sonoros.

Alô Música – Obrigada, Suely. Obrigada por tua atenção e bom trabalho.