Simone Guimarães

Por: Solange Castro

Simone Guimarães é um talento raro… Dona de uma das mais belas vozes da música brazileira da atualidade, requintado repertório e musicalidade ímpar, está vivendo uma maratona maravilhosa, num momento riquíssimo de sua carreira – lançando seu novo disco, “Casa de Oceano”, pela Biscoito Fino, participando do disco e início da turnê de lançamento do “Pietá”, de Milton Nascimento e do Song Book de Guinga,
pela Gryphus …
Em entrevista exclusiva para o Alô Música, Simone conta um pouco de sua história…

A música é um fio que me rege…

Simone Guimarães…

Solange Castro – Alô, Simone…

Simone Guimarães – Ôi minha querida Sô.

Solange Castro – Você começou na música bem cedo… Quando foi que descobriu tua “voz”?

Simone Guimarães – Percebi que todas as vezes em que ficava só, eu cantava por dentro, uma música sempre nascia de mim. Começava a entoá-la com um trompete de boca e depois, bem mais tarde, com quatro ou cinco anos, pedi à minha mãe numa loja de brinquedos um cavaquinho de brinquedo e nunca mais ficaria sem um instrumento.

Solange Castro – E você começou a aprender música com que idade?

Simone Guimarães – Com seis anos. Fazia piano clássico. Fiz durante cinco anos e depois a professora foi embora da minha cidade e me senti triste… Ela fez um recital de despedida. Eu era a mascotinha da turma, mas me apresentei no recital.
Aos oito anos fiz uma apresentação no Teatro de Arena da minha cidade, que fica dentro da Praça da Matriz, para mais de 500 pessoas, e todos achavam muito bonitinho eu cantar e tocar o cavaquinho. Era um cavaquinho já de verdade, que eu recebi de presente do diretor da escola onde minha mãe dava aula. Ele era amigo da família e achava que eu tinha jeito para música.
O grande lance mesmo era o de cantar e compor… Componho desde cinco anos. Coisas estranhíssimas. Guardo alguma coisa em fita.
Lembro uma feita em que eu precisava me apresentar e queria cantar um sucesso do Francisco Petronio que eu e minha mãe adorávamos. Não sabíamos a letra, mas a mamãe colocou uma letra e lá foi a Simone de vestidinho laranja com moranguinhos e uma cacharel azul escuro por baixo. Nunca mais vou esquecer… A Música vive no ar para quem quiser. Fotografo tudo através da música… foi o maior presente que poderia ganhar de Deus. Enxergo através da música, bebo música, poesia, literatura, cinema, escultura, arte de todas as maneiras… dança, mímica, a arte sempre estará sobre o invisível.

Solange Castro – Simone, para nós sim, é um presente a tua música… E você começou a despontar como? Começou com os festivais?

Simone Guimarães – Obrigada Sô!
Fico feliz que tenha conseguido seguir em frente com a música apesar das dificuldades. Ela é maior que os obstáculos.

Solange Castro – Certamente…

Simone Guimarães – Você é uma graça e eu te admiro por tocar esse barco com a gente…

Solange Castro – É minha vida também, Simone…

Simone Guimarães – Comecei a despontar primeiramente nos festivais regionais. Conheci Eudes Fraga aos quinze anos de idade, assim como o Nilson Chaves, nos festivais lá de perto de casa… Mas minha primeira aparição em rede nacional foi num documentário que fiz com o Paulinho Jobim, “O Canto da Piracema”, e depois “A rota do Sol”, que foram exibidos no “Globo Repórter”… Depois disso, fui para São Paulo, onde gravei o meu primeiro CD “Piracema”, que saiu agora recentemente pela CID.
Assim que a Cristina Saraiva, parceira e amiga de longa data, viu o CD, achou que poderíamos fazer mais um trabalho aqui no Rio e assim vim para cá e fizemos pela Tiê, o “Cirandeiro”… Esse CD me deu muitas alegrias. Tivemos uma parceria que sedimentou minha composição e pude explorar profissionalmente o lado de compositora de canções, apesar de tudo ser ainda muito imaturo. Mas era um começo e valeu demais. Aliás, eu Cristina nos encontramos novamente para compor e vejo que ambas tiveram proveito sobre o trabalho realizado nos CDs anteriores, “Cirandeiro” e “Aguapé”.

Solange Castro – São lindos… Eles ainda estão no mercado? Tem como nossos usuários conhecerem?

Simone Guimarães – O “Aguapé” também foi licenciado pela CID e deve sair em Julho, pelo que disse o pessoal da gravadora.
Agora, o meu novo CD, “Casa de Oceano”, deve estar chegando nas lojas entre 15 e 25 de maio, pela Biscoito Fino. Este CD está cheio de novidades. Com arranjos de Francis Hime, Quarteto Maoganni, Kiko Continetino e Jayme Alem, produção do Jayme Alem…

Solange Castro – Nossa – deve estar maravilhoso…

Simone Guimarães – Sim está. Sem falsa modéstia. Tem Bethânia, Bituca, Continentrio, Francis, Nair Cãndia… Está demais.

Solange Castro – E o repertório, como está?

Simone Guimarães – Basicamente autoral…

Solange Castro – Com quais parceiros?

Simone Guimarães – “Casa de Oceano”, que é título do CD, é uma canção de amor rasgada, de minha autoria.
“Água Funda”, outra da safra, fala sobre as minhas raízes; fiz uma regravação de “Velho Moinho”, de Francis e de Olívia Hime; “Fogueteira”, que para mim é a faixa mais espoleta do CD, aborda o tema das moças namoradeiras, que no interior são chamadas de fogueteiras. Ou eram, não sei, mas o tempo é tão relativo que é bom guardar os antigos dizeres e os antigos costumes. Por isso a moça namoradeira é chamada de fogueteira na minha “Roda”, como a classificou Maria Bethânia, a musa que divide a faixa comigo no CD.
Fiz uma regravação do “Retrato em branco e preto”, do Tom Jobim e do Chico Buarque, usando aquele velho trompete de boca…
E estou toda metida, pois agora me imortalizaram nas páginas do Song Book do meu grande amigo e parceiro Guinga, que sai pela editora Gryphus, sob a direção de Ana Luiza Montenegro.

Solange Castro – É para quando o lançamento?

Simone Guimarães – Dias 2, 3 e 4 em São Paulo, no SESC Vila Mariana, e dia 16 de maio, aqui no Rio Centro.

Solange Castro – Ótimo – e teu disco, quando será o lançamento?

Simone Guimarães – Como estarei em temporada com o Bituca (Milton Nascimento), vou lançá-lo somente em Julho, no Theatro Rival, mas antes disso os CDs estarão nas lojas a todo vapor. A distribuição da Biscoito Fino é muito bacana e eles são sérios demais no que se propõem a fazer.
Acredito que no máximo no dia 30 de maio, estaremos fazendo alguma coisa na Modern Sound, também, pois o convite já nos foi feito.

Solange Castro – Certamente – mas me fale da temporada com Bituca…

Simone Guimarães – A temporada de shows do “Pietá”, o mais novo CD que ele fez juntamente com sua banda e com as três “afilhadas” – Maria Rita Mariano, Marina Machado e eu – com arranjos belíssimos, assinados por um dos maiores arranjadores do Brasil, Eumir Deodato, estréia agora em 29 de maio e vai até junho aqui no Rio, depois segue para São Paulo e Belo Horizonte. Está sendo uma realização de um grande sonho que eu tinha: trabalhar com o Bituca. Assim como sempre nutri o sonho de voltar a trabalhar com Paulo Jobim, para mim, um dos artistas mais belos que nós temos.
O Show do Bituca com a gente é lindo. Tem só fera no Palco: Kiko Continentino no Piano (aliás, meu parceiro e afilhado, como ele diz… só não consigo entender direito como eu posso ser madrinha de uma das maiores estrelas da música atual); Marco Lobo na percussão – para o Marco Lobo eu já disse: “Não basta te ouvirmos tocar, temos que ver.” Porque o barato dele tocando é muito bonito… é um Índio dominando seu território. O Marquinho está merecendo um filme; o Gastão Villeroy é baixista, alto astral, competentíssimo e, como se não bastasse, é inteligentíssimo, compenetrado e meio que organiza a cozinha; Wilson Lopes, também parceiro do Milton, assume o som de Guitarra e toca violão também… é um dos destaques do Show; Lincon Baterista, gênio da batera e do clima que rola quando ele está perto… MINEIRO DA MELHOR ESPÉCIE… Tem mais gente, mas os meus mais chegados são esses.
Agora, tem um tal de Milton de Três Pontas, que eu não sei o que esse Bicão está fazendo Lá… !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!hi hi hi…

Solange Castro – Rs… E você vai acompanhar toda a turnê?

Simone Guimarães – Não tenho ainda esta informação. Pelo menos nas primeiras apresentações de estréia, sim. Afinal, tenho a minha carreira para tomar conta…

Solange Castro – E no lançamento do songbook do Guinga, vai ter alguma apresentação?

Simone Guimarães – Em Sampa, é com a Leila (Pinheiro) e, aqui no Rio, parece que sou eu, não sei ainda direito…
A LEILA PINHEIRO FOI UMA DAS MAIORES REPERCUSSORAS DO TRABALHO DESTE GÊNIO E NADA MAIS JUSTO QUE ELA ESTEJA JUNTO NA HORA EM QUE COMEÇAM A APARECER OS PRIMEIROS FRUTOS DO RECONHECIMENTO…

Solange Castro – Claro – Leila é fantástica… Agora, Simone, que maratona… E quando você tiver as datas certas do lançamento do “Casa de Oceano” você nos avisa, ok?

Simone Guimarães – Claro… Obrigada, Sô, pelo papo maravilhoso…

Solange Castro – Simone, é uma honra tê-la conosco… Obrigada a você, querida… E pode contar com nossa presença na sua estréia no Rio de Janeiro… Boa sorte e parabéns por teu trabalho.