Ricardo Rabelo

Ricardo Rabelo, Diretor do Jornal Bafafá, que tem sua versão virtual no www.bafafa.com.br está lançando um bloco atípico, mas com jeitinho “carioca” – sairá no sábado depois do Carnaval e apresentará um repertório já ha muito esquecido – o das velhas “marchinhas”, revirando um baú de raridades da nossa cultura popular… Vale a pena conferir…

Alô Música – Ricardo, você é jornalista – o que te levou a optar por essa profissão?

Ricardo Rabelo – O jornalista tem a seu alcance um poder de fogo maior para criticar as mazelas da sociedade. Naturalmente, isso precisa ser feito com responsabilidade para não cometer injustiças, principalmente com a honra das pessoas. Adoro minha profissão e gosto de desafios. O legal é que você não cai na rotina, sempre tem um fato novo. Na minha família há quatro jornalistas – pai, irmãos. Meu pai teve o jornal Binômio em Belo Horizonte, apontado com precursor da moderna imprensa alternativa no Brasil. O tablóide durou 12 anos até ser fechado pelo golpe de 64, que acabou levando toda a família para um exílio de 16 anos. Mas, pelo visto, a gente não aprende. Hoje dirijo o jornal Bafafá, que circula em Ipanema na Zona Sul do Rio. Trata-se de um jornal de 12 páginas, de distribuição gratuita. A linha editorial é ser uma publicação de opinião com participações de nomes importantes do jornalismo, da literatura, artes, etc. Até agora já escreveram quase cem nomes. Quem gosta de textos e entrevistas inteligentes não pode deixar de acessar o www.bafafa.com.br

Alô Música – Como você vê a “cultura” no Brasil?

Ricardo Rabelo – O Brasil é um país altamente elitista culturalmente. As autoridades culturais têm a cabeça em Paris, Londres e Nova Iorque e querem importar políticas de fora. O Brasil não valoriza o local. O dia que isso acontecer nós vamos explodir culturalmente. Acho que o que é preciso é haver um planejamento para dar visibilidade às manifestações culturais, rompendo principalmente o eixo Rio-São Paulo. Além de planejamento é necessário criar um calendário para o ano. O pessoal do Sul tem que ir ao Norte e vice-versa, o pessoal do Centro-Oeste ao Nordeste, a cidade ao campo e vice-versa. Senão, jamais faremos a integração nacional. Agora com a nomeação de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura as portas devem se abrir mais. Espero que Gil seja operativo e atue com um colegiado competente e acima de tudo inteligente, para criar alternativas de difusão cultural.

Alô Música – Você está colocando um “bloco na rua” no Carnaval?

Ricardo Rabelo – Se você reparar quase não tem bandinha de carnaval nos blocos de rua do Rio de Janeiro, com a exceção do Cordão do Bola Preta. É isso que a gente quer resgatar com o bloco Bafafá que sairá no sábado depois do carnaval (08/03). Ele desfilará do Posto 9 ao Arpoador em Ipanema e promete tocar marchinhas consagradas de carnaval. Duas festas já estão programadas no Clube Alvorada, Rua da Passagem 101, Botafogo. A primeira acontece sábado 01 de fevereiro às 22 horas com ingresso a R$ 10,00. A segunda será no sábado 22 de fevereiro no mesmo local.

Alô Música – E como surgiu a idéia do Bloco Bafafá?

Ricardo Rabelo – Dizem que a esquerda é festiva, pois é mesmo. Só que hoje para ser festivo tem que ter um “senso” empresarial forte senão não dá para brincar. Tudo hoje exige responsabilidade e determinação, até a festa. No nosso caso, decidimos lançar o bloco de carnaval Bafafá. Com um detalhe, aliás dois: só sairá no sábado depois do carnaval (08/03) e só tocará marchinhas carnavalescas. Tem coisa melhor do que fechar a folia de Rei Momo desfilando do Posto 9 ao Arpoador cantando “mamãe eu quero”, “me dá chupeta” ou “tourada em Madrid”? Pois será assim. Para isso arrumamos uma banda de um CIEP de Queimados (na Baixada Fluminense) que já está ensaiando um repertório de mais de 50 marchinhas. Além disso, já temos intérprete: é o David do Pandeiro, conhecido também com David da Portela. Outros artistas prometeram canjas: Agenor de Oliveira, Simone (do Goiabada Cascão), etc.
Com certeza vai ser de arrepiar!!!

Alô Música – E qual o critério para a escolha das músicas?

Ricardo Rabelo – O critério para as músicas é o de selecionar aquelas que todo mundo sabe cantar, nem que não tenha cantado há mais de vinte anos. Marchinha de carnaval é que nem aprender a andar de bicicleta, a gente nunca esquece.
Outra novidade: vamos ter uma comissão de frente feminina, serão 10 modelos profissionais que vão sambar e pular.

Alô Música – Mas a galera de 20 anos hoje gosta de blocos e ainda não era nascido – e estás falando de músicas de mais de 20 anos…

Ricardo Rabelo – Quanto ao que você disse, estas músicas têm mais de 50 anos e nem por isso nós não conhecemos. Vai me dizer que um jovem de 20 anos nào sabe cantar “o teu cabelo não nega mulata” ou “Chiquita bacana” ou ainda “balancê”? São músicas já incorporadas, é que nem musiquinha de botar neném para dormir. Nunca esquece!!!
Agora, eu te confesso que nosso público alvo nào será a garotada de 20 anos. Queremos atingir um público na faixa de 30, 40, e 50. Garanto que tem muito veterano que vai deixar muito garoto de língua de fora!!! rs, rs

Alô Música – Sim, tem razão – deve ser como Garota de Ipanema – brasileiro já nasce sabendo – rs…
Já tens algum patrocínio?

Ricardo Rabelo – O patrocínio que vamos buscar será para bancar as camisas. Se conseguir isso, já está ótimo. Fora isso, vai ter que pagar mesmo. O interessante é que tem muita gente envolvida que vai convocar para as festas. É através delas que vamos arrecadar o necessário para desfilar. Quanto ao bar é o seguinte: quem vai administrar o bar são nosso amigos barraqueiros do Posto 9. Na festa do dia 01 de fevereiro será o Milton e a Glória (conhecidos como uruguaios). Na do dia 22/02 serão Batista e o Ruço consorciados. Assim, a gente não esquenta com cerveja, gelo, comida.

Alô Música – Ok, Ricardo… Boa sorte – estarei no Bloco, certamente…