Oswaldo Montenegro

 

Por: Solange Castro

Vinte e um meses depois, atualizando nossas informações…

 

Solange Castro – Alô, Oswaldo – que bom você novamente conosco…
Bom, de 2005 para cá você fez ótimos trabalhos…

Oswaldo Montenegro – Bom, 2005 foi um ano em que muitas peças musicais minhas foram remontadas no Canecão: “Léo e Bia”, “A Dança dos Signos”, “Tipos” e ”A Aldeia dos Ventos”. Eu considero um ano feliz, porque não só retomei contato com esses trabalhos que tinha escrito há muito tempo, como também pude trabalhar com várias companhias diferentes, o que me deu a oportunidade de conviver com artistas bacanas – veteranos e novos – que me deram a honra de montar minhas peças.

Solange Castro – “A partir de agora”, de onde surgiu a inspiração?

Oswaldo Montenegro – O “A Partir de Agora” é um disco de músicas inéditas – daí o nome. É justamente o contrário de 2005, quando os lançamentos foram “25 Anos de História” – um disco de revisão – e as peças que acabei de citar, que foram remontadas. Eu estava com uma necessidade enorme de cantar coisas novas, de mostrar minhas novas composições, de fazer uma coisa atual, olhando pro futuro. E o nome veio justamente dessa idéia, “A Partir de Agora”.

Solange Castro – E o que tem programado de turnê?

Oswaldo Montenegro – A turnê já começou. Nós já fizemos duas ou três cidades. Em 2007 ela começa pelo Rio de Janeiro, no Claro Hall, dia 13 de janeiro, e segue por mais de cem cidades no Brasil.

Solange Castro – Oswaldo, planos para 2007…

Oswaldo Montenegro – Justamente em 2007, além da turnê, existe o lançamento de mais quatorze programas da série “Letras Brasileiras”, que eu e Roberto Menescal fazemos para o Canal Brasil, 66 da NET. A primeira série, de 2006, teve treze programas, a segunda agora terá quatorze.

Solange Castro – Obrigada, Oswaldo – um grande ano para você.

Dezembro de 2006

Trinta e três anos de carreira, trinta e três discos gravados, quinze peças musicais, centenas de músicas gravadas…
Lançando pela Warner novo CD e DVD, Oswaldo Montenegro nos cedeu entrevista exclusiva, contando um pouco da sua trajetória…

Solange Castro

 

Solange Castro – Alô, Oswaldo – nos conte: como a música entrou na sua vida?

Oswaldo Montenegro – A música entrou na minha vida de duas maneiras. A primeira, na minha casa no Rio de Janeiro, onde tive um contato constante com a música porque todos os meus avós, meu pai e minha mãe de alguma forma eram ligados à arte – minha mãe tocava piano, meus avós também, meu pai tocava violão e cantava. E a segunda que foi uma forma mais forte – quando eu tinha oito anos e meus pais se mudaram para São João Del Rey, uma cidade poética e boêmia, onde fizeram muitos amigos, que ficavam na minha casa tocando e cantando o tempo todo. Então naquele momento a música realmente me inundou, comecei até a pegar um pouco no violão. E simultaneamente, a música da igreja barroca me tomou completamente. Em Minas Gerais esse tipo de som é muito freqüente nas igrejas. Então foram dois inícios: na casa do Grajaú, no Rio de Janeiro, e em São João Del Rey. As duas maneiras pelas quais a música entrou na minha vida.

Solange Castro – Quantos anos você tinha quando começou a pegar no violão?

Oswaldo Montenegro – Eu comecei a pegar no violão com 8 anos, em São João Del Rey. Na verdade sou autodidata, que segundo Millôr Fernandes, é um ignorante por conta própria. O outro instrumento que eu brinco é o piano.

Solange Castro – Quem foram teus “mestres”?

Oswaldo Montenegro – Tive diversos tipos de mestres. Mas em São João Del Rey eu via as pessoas tocando. Francesco Caputo, que era um italiano cigano, Mendes que tocava violão, Chico Bagunça, em Brasília, a família Prista Tavares, que me levou pra conhecer todo tipo de concerto que tinha na Universidade de Brasília. Então eu acabei vendo desde concertos de música antiga, renascentista, barroca, clássica até concertos de música contemporânea. Eles foram as pessoas que me introduziram na história da arte. E eu sou muito grato a eles.

Solange Castro E quando você optou pela música como “profissão”?

Oswaldo Montenegro – Foi em Brasília. Eu tinha uns quinze, dezesseis anos. Comecei a ter contato com festivais de colégio, grupos de teatro da escola, grupos de dança… Aí fiz os primeiros shows. Neste momento eu vi que teria que dar um jeito de viver disso. E com dezesseis, dezessete anos isso tomou corpo. Foi quando eu vim embora pro Rio. Me mudei pra cá pra tentar a vida artística.

Solange Castro – Quando você começou a compor e quais as principais influências?

Oswaldo Montenegro – Eu comecei a compor um pouco ainda em Minas Gerais, umas coisas muito simples, ainda de menino. E as influências são as mais diversas. Tem duas etapas claras: a primeira em São João Del Rey, que é uma influência da música de igreja, de Minas. E depois a influência de Brasília em que a música nordestina entrou muito forte junto com o rock’n roll. Mas mais a música nordestina de Brasília.

Solange Castro – Fale um pouco sobre teus parceiros..

Oswaldo Montenegro – Na verdade eu tenho alguns parceiros muito bacanas, que são Ulysses Machado, Mongol, Raíque Mackáu, Paulinho Mendonça… E outros menos constantes. Mas em geral eu componho música e letra sozinho. É uma coisa que raramente vem descasada, mas acontece de eu compor com essa galera aí também.

Solange Castro – Teu trabalho musical tem um peso cênico muito forte. Nos fale um pouco sobre a sua relação com o Teatro.

Oswaldo Montenegro – Na verdade, a não ser como fã, eu tenho uma relação profissional com um tipo específico de teatro, que é o teatro dos contadores de história, dos menestréis, dos saltimbancos, que privilegiam o narrador na montagem. Nunca fiz nenhum trabalho no qual a música deixasse de ser o elemento principal, o guia, o motivo de a gente estar ali. Apenas acrescento algumas outras coisas, como acrescentaria qualquer saltimbanco que estivesse chegando numa cidade e que tivesse à sua mão sombras, gente de circo, latas para bater, coreografias a realizar. No teatro, no cinema e na dança sou apenas um espectador empolgado e tenho absoluta consciência de que a minha profissão é a música, a canção e que, às vezes, flerto com essas outras artes por ânsia de diversificação e acima de tudo para formar parcerias.

Solange Castro – Quantos discos gravados?

Oswaldo Montenegro – Foram 33 CDs e eu acho que cada um está muito vinculado ao tempo em que foi lançado. Por isso me aflige muito quando lançam coletânea, onde as pessoas misturam discos que na verdade não tem a ver um com o outro.

Solange Castro – Qual a turnê mais interessante da sua carreira?

Oswaldo Montenegro – Foram muitas interessantes. Gostei de várias delas, mas se eu tivesse que escolher uma, diria que foi com a “Dança dos Signos”. Foi em 88 e foi uma turnê muito divertida.

Solange Castro – Oswaldo, o que você está achando da atuação do Gil como ministro?

Oswaldo Montenegro – É muito difícil avaliar porque eu estou muito distante dessas ações, no sentido técnico da palavra. Mas o Gil é um cara no qual eu confio. Porque tem muito caráter e além de músico é uma pessoa que tem senso administrativo. Então, uma das pessoas raras que pode exercer esta função.

Solange Castro –Quais os principais problemas que você vê na profissão de músico no Brasil?

Oswaldo Montenegro – Pra mim a dificuldade da profissão do músico está ligada à dificuldade social. Um país que tem pouco dinheiro, um país onde a renda per cápita é baixa, um país que tem miséria, tem poucas condições de consumir arte. Então aí está o problema base. Eu não acredito numa melhora da situação do artista sem uma melhora da situação do país.

Solange Castro – Bom, como temos visto a economia do Brasil aumentar nos últimos meses, vamos esperar um pouco mais para ver como o nosso mercado reage…
Você está com trabalho novo, certo?

Oswaldo Montenegro – Estou lançando pela Warner um DVD e um Cd Duplo chamado “Oswaldo Montenegro 25 anos – Ao Vivo”. O roteiro é de Aloísyo Legey e é um DVD com músicas de sucesso que eu já tinha gravado, com algumas inéditas. O que mais me encantou neste trabalho foi o tipo de sonoridade que utilizei nos arranjos. Eu misturei uma banda tipicamente pesada, de rock e blues, com guitarra, baixo, teclados e bateria, com um grupo de música antiga, com instrumentos do ano de 1.200.

Solange Castro – Esse trabalho deve estar fantástico… Quais as perspectivas de shows?

Oswaldo Montenegro – Na verdade esse DVD foi lançado no meio de uma turnê. Os próximos shows serão dia 1º e 2 de abril no Olímpia, em São Paulo, e logo na semana seguinte no Teatro Central de Juiz de Fora. E nós estamos com um projeto para fazer uma peça e um filme Léo e Bia”, que será dirigido por mim e pelo Paulo Fontenelle e terá direção de fotografia de André Horta. Vamos gravar um disco com este novo elenco que já estamos procurando. Você pode até ajudar a gente nisso:
Estamos procurando elenco (artistas e bailarinos, entre 15 e 20 anos, de ambos os sexos, que cantem ou toquem algum instrumento). Os interessados podem enviar o currículo com foto para nosso site:www.oswaldomontenegro.com.br. Vídeo, cd ou outros materiais para Oswaldo Montenegro Produções, à R. Real Grandeza 170, Botafogo, RJ – CEP: 22.281-031.
Queria agradecer o interesse de vocês e mandar um super abraço. Valeu!

Solange Castro – O prazer foi todo nosso… Muito obrigada pela entrevista.

Março de 2005