Inimigos do Rei

 

Por: Solange Castro

Irreverentes, bem humorados, inteligentes, profissionais impecáveis, e excelentes artistas, os “Inimigos do Rei” estão de volta para alegrar o atual cenário musical brasileiro…
Em entrevista exclusiva cedida ao Alô Música, eles contam um pouco da sua tragetória e dos planos atuais…

Solange Castro

Solange Castro – Alô, Marcelo. Um prazer estar com você…

Marcelo Marques – O prazer é todo nosso…

Solange Castro – A Banda Inimigos do Rei foi formada em 87 – nos conte: como tudo começou?

Marcelo Marques – Eu e Marco Lyrio fomos chamados para integrarmos o grupo Garganta Profunda, e lá encontramos Luiz Guilherme, Luiz Nicolau e Paulinho Moska. O Garganta Profunda trabalhava com um projeto que valorizava sub-grupos e entre eles surgiu os “Inimigos do Rei”. Um dia fazendo um show no Paço Imperial o sub-grupo foi impedido de tocar porque tocava músicas mais moderninhas e dançantes, e como show iria se realizar na “Sala do Trono”, no segundo andar, alegaram que a estrutura do “Paço” não suportaria o peso e o movimento, foi a deixa que faltava… E aí surgia os “Inimigos do Rei”.

Solange Castro – E como foi o início? Vocês partiram para realizar shows, havia repertório próprio?

Marcelo Marques – Inicialmente, como sub-grupo, fizemos algumas participações com duas canções, que faziam sátira da música Pop/Rock, “Mamãe viajandona”, que posteriormente se tornou um dos sucessos do nosso 1 CD
A segunda música “Anéis de Saturno”, logo depois saiu do repertório, mas começamos a nos encontrar independente do Garganta, começaram a surgir as outras canções e em final de 87 já estávamos fazendo shows só nosso e já desvencilhados do “Garganta”

Solange Castro – Interessante – o Garganta Profunda tinha um repertório bastante “clássico” dentro da MPB – aliás, belíssimo – o trabalho de Marcos Leite foi impecável… Já vocês, mesmo fazendo parte do grupo, optaram pelo Pop/Rock de forma bastante original, com qualidade e bom humor…

Marcelo Marques – Isso aí…

Solange Castro – Como foi a escolha do repertório? Quais as composições próprias, quais tendências que influenciaram essa escolha, enfim, de onde vem tudo isso?

Marcelo Marques – Havia na época um movimento de sátira do universo Pop/Rock, “Casseta e Planeta”, “Espírito da coisa”, “Lune”, “Mulheres negras” (Abujanra fez participação em “Adelaide” com uma guitarra quase anã, bem baixinha mas está lá), “Skowa e Máfia” e outros. Saímos do Garganta em 1987 e partimos para o circuito alternativo/universitário, daí surgiu “Uma barata chamada Kafka”, “Suzy inflável”, “Crime”, “Adelaide”… Lá por 88 surgiu em nossa vida Sergio Dias Baptista. Estávamos direto tocando num bar chamado Pitéu na Barra (nosso cavern club) e ele nos convidou para gravarmos nossa primeira fita demo… “Mutantes”, com o espírito do “Inimigos”, tudo a ver…

Solange Castro – Certamente…

Marcelo Marques – O que foi nosso diferencial nos shows do cavern, foi um esquete teatral “Rádio Césio 1.37” reproduzia os bastidores de uma rádio com muita brincadeira e picardia!

Solange Castro – Agora nos apresenta um pouco os integrantes do grupo original…

Marcelo Marques – Atualmente o grupo é formado por seis integrantes, Luiz Guilherme (vocal), Luiz Nicolau (vocal), Marcelo Crelier (baixo), Marcelo Marques (bateria), Lourival Franco (teclados), Marco Lyrio (guitarra), na época o grupo tinha Paulinho Moska com integrante nos vocais.
Duas características foram marcantes na carreira dos Inimigos do Rei, a performance vocal (naipes) a herança da experiência no Garganta, e a força cênica (coreografias) e performances herança da formação teatral os três cantores se formaram como atores na CAL, Marco Lyrio fez teatro amador durante dez anos, e os outros integrantes abraçaram as iniciativas neste sentido…
Lourival Franco (teclados), Marcelo Marques (bateria), Marcelo Crelier (baixo), Beatlemaníacos incorrigíveis, Marco Lyrio (guitarra) MPB e muito Rock and Rool. Os vocalistas MPB e Soul-Funk. Lourival Franco é fundador e produtor da Rio-sound-machine, dez anos de muita música dos anos 70, trabalha com outros artistas Paulo Ricardo, Gabriel o Pensador, Luka e outros…
Marcelo Marques baterista experiente trabalhou com muitas “praia s” antes de integrar os Inimigos ,formado em Marketing trabalha com criação/ designer , junto com Marco Lyrio tem a Mantra (arte/conteúdo)
Marcelo Crelier baixista experiente sempre ligado à música dos anos 80, formado em desenho industrial e comunicação visual, exerce a profissão de designer.
Marco Lyrio guitarrista e violonsta exerce sua carreira de artista autor com seu repertório MPB, de 1998 à 2002 exerceu o cargo de gerente artístico da EMI Music, e trabalha com criação na Mantra (arte/conteúdo)
Luiz Nicolau o vocalista/ator trabalha com dublagem, locução e reconhecido ator. Sua carreira no cinema e TV, estreará agora com radialista com o programa D´jazz na Globo FM à partir de março.
Luiz Guilherme vocalista e ator experiente, mestrando em comunicação, desenvolve sua carreira como dramaturgo e romancista.

Solange Castro – Bom, aí se explica tanto talento – rs…
Vocês gravaram três discos – fale-nos do primeiro, o “Inimigos do Rei”…

Marcelo Marques – O primeiro e o segundo foram lançados pela Sony Music em 1989 e 1990. 0 primeiro se chama “Inimigos do Rei” e o segundo “Os amantes da rainha”. Do primeiro tivemos quatro singles de sucesso, “Uma barata chamada Kafka”, “Adelaide”, “Jesse James” e “Mamãe viajandona” – com este disco conquistamos o “Disco de Ouro”, com a vendagem de 180.000 cópias em plena recessão. O segundo nos valeu um clip de sucesso na MTV Brasil, “Carne osso e silicone”. Na época participamos do “Rock in Rio II” e nesta música convidamos a transformista Telma Lip e foi um motivo de muito frenesi…

Solange Castro – Quais os shows mais interessantes que vocês fizeram? Quais as platéias mais curiosas do Brasil?

Marcelo Marques – “Rock in Rio II”, 50.000 moleques (tocamos antes do “New Kid´s”); “Festa do interior” 60.000 baianos pulando que nem mola às quatro da madruga. “Faustão ao vivo”, recebendo “Disco de Ouro” (quem sabe faz ao vivo) tocamos seis canções; Maracanã no “Natal da Xuxa”, 90.000 (brigamos para fazer ao vivo e conseguimos)…

Solange Castro – Sem dúvidas uma bela estrada…
Além de irreverência (no bom sentido, claro), coragem é o que não falta para vocês…

Marcelo Marques – É mesmo, ser artista nesse País tem que ser macho (que me perdoem as fêmeas)…

Solange Castro – Rs… Então agora vamos falar um pouco de “Música” x “Brasil”… O que vocês acham do nosso mercado musical nos últimos 25 anos?

Marcelo Marques – Fala sério, mano… Últimos 25 porque, tá querendo derrubá?

Solange Castro – Rs… “Alô Música” também é cultura – rs…

Marcelo Marques – Rio Grande do Sul?… brinqs… Acho que nosso mercado não dá muito para analisar, mas o conteúdo… Talento é o que não falta, mas ser terceiro-mundista não é fácil. Sinto que o mercado está se transformando rápidamente em função da tecnologia, palavra de ordem para nos é comunidade e fidelidade, segmentação, nicho, criatividade, perseverança, e jogo de cintura porque o que vem por aí não dá para saber. O jeito é tocar e tocar, criar conceito, e carregar nas emoções, o resto…

Solange Castro – O que você está achando do Gil como Ministro da Cultura?

Marcelo Marques – Um grande compositor – Ministro também é cultura…

Solange Castro – Rs… Fala sério – você acha que ele está contribuindo para a música brasileira em termos de divulgação mundial, direitos autorais, etc?

Marcelo Marques – Quem ministrava a cultura era a galera da USP, pelo menos agora temos um baiano estreiando… Eles são ótimos nisso…

Solange Castro – Quais os principais problemas que artistas e compositores da nossa música enfrentam no Brasil?

Marcelo Marques – Falta de perspectiva, falta de profissionalismo do mercado do show beleza e ausência de dinheiro…

Solange Castro – De tudo… Começando pela falta de perspectivas, por exemplo..

Marcelo Marques – Quase, vocês estão aí…

Solange Castro – Obrigada, Marcelo -só fazemos nossa parte… Se cada um fizesse a sua com dignidade e profissionalismo seria o máximo…
Você acha que o mercado está preparado para dar o suporte que nossa arte maior merece? Por exemplo: casas de espetáculos com tratamento e equipamentos adequados (sem falar em preços justos, claro), rádios dispostas a sobreviverem sem jabá, empresas realmente afim de investir, mesmo com as Leis de Incentivos, na categoria, etc? Você acha que o mercado nesses sentidos está satisfatório?

Marcelo Marques – Nos últimos 20 anos muito se fez, mas profissionalização em relação ao que produzimos em quantidade e qualidade, aí tá faltando muita coisa… O segredo é crescer para o mundo, nos queremos ir para a Europa, fazer o que o Lenine, o Marcelo D2, Skank e tantos outros estão fazendo. Nossa música é o máximo, não só a MPB, mas nosso universo Pop também é muito rico,

Solange Castro – Sem dúvidas..

Marcelo Marques – Os elementos regionais, as influências da própria MPB, fazem nosso Rock, nosso Funk-soul, nosso Reggae serem originais, e nossa língua ajuda, pois as metáforas são ricas…

Solange Castro – Sim, o que não falta é ritmo e talento por esse Brasil afora… Pena que não consigamos ter acesso a tanta obra…

Marcelo Marques – É…

Solange Castro – Por falar nisso, o que vocês acham do ‘jabá’?

Marcelo Marques – Se pudéssemos pagar seria ótimo, se pudéssemos receber ainda melhor, o foda é não ter nem um nem outro…

Solange Castro – rs…

Marcelo Marques – Jabá é um negócio universalmente vergonhoso mas tem em todo lugar, principalmente no Iraque…

Solange Castro – Rs… Está certo… Agora nos fale um pouco do novo trabalho, o “Inimix”…

Marcelo Marques – Há dois anos voltamos a nos encontrar, depois de seis anos sem tocar. Fizemos alguns shows, no Ballroom no final de 2001, Hard Rock em 2003, mas idealizamos o projeto “Inimix” com o intuito de reposicionar a marca e mergulharmos em nossas raízes. Um fato estimulou bastante: a partir de 2004 readquirimos o direito de regravar nossos próprios sucessos! Aí em maio de 2004 estreamos o “Inimix”. O projeto traz releitura de nossos sucessos e versões de obras que consideramos referencias para nosso trabalho… Em final de novembro fizemos um show no Teatro Odisséia no lançamento do livro “Almanaque Oitenta” – o Ritchie fez uma participação brilhante e estamos partindo para uma parceria muito legal, a partir de agora vamos fazer também o “Inimix 80” com a participação efetiva dele
Tocamos em São Paulo, em Minas Gerais, e este semestre estamos voltanos para a estrada e pretendemos gravar o mais rápido possivel. O repertório está pronto e nós, nem se fala…

Solange Castro – Isso é maravilhoso, mas antes me conte uma coisa: como assim, “readquiriram os direitos”?

Marcelo Marques – Por contrato nossas obras ficaram dez anos presas por carência, agora podemos regravar…

Solange Castro – Hummmmmmm… Ok, sem mais comentários…
Voltando ao novo trabalho: vamos ter disco novo?

Marcelo Marques – Se Deus quiser, e Ele quer, estamos buscando oportunidades mas o mais importante está feito, modéstia à parte nosso projeto está feito e aprovado por quem mais entende, o público

Solange Castro – Sai disco?

Marcelo Marques – Com certeza, mas a meta é DVD ao vivo…

Solange Castro – Maravilha… Previsto para sair quando?

Marcelo Marques – Estamos, como te falei, negociando, depende de alguns parceiros, mas na medida que tocamos e nos mostramos, graças à Deus, a resposta vem rápido, e aí os interessados que se enfilerem… vamos atender todo mundo

Solange Castro – E quanto a turnê, o que está previsto??

Marcelo Marques – Depois do carnaval, estaremos tocando em São Paulo, estamos fechando alguns lugares mais fixos no Rio de Janeiro, mas a meta é interior, dinheirinho no “borso”, e DVD nas lojas…

Solange Castro – Maravilha – vamos acompanhar essa turnê bem de perto e na primeira oportunidade estaremos presentes…

Marcelo Marques – Estamos lançando um single, que já está tocando desde novembro em várias rádios no interior… “Kátia Flávia” é uma música que sempre tocamos e nunca tínhamos gravado, ela representa muito bem o espírito do que estamos fazendo hoje…

Solange Castro – Ela é ótima…
Marcelo, nos enviem sempre as agendas e informes, queremos acompanhar o retorno de vocês bem de pertinho…
Obrigada pela entrevista – foi muito legal conversar com vocês…

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