Guilherme Rondon

 

Por: Solange Castro

Guilherme Rondon é compositor de mão cheia, com escola na MPB e herança da rica música pantaneira. Além de talento, é um ser maravilhoso, um papo inteligente e muita sorte para encontrar letristas para suas belas obras.
Em entrevista exclusiva para o Alô Música, ele fala sobre sua trajetória como profissional da música e também sobre seu novo CD, o “TR3S”…

Solange Castro

 

 

Solange Castro – Alô, Guilherme – que prazer enorme te-lo aqui… Fale um pouco da sua vida como músico – como foram seus primeiros contatos com a música, como começou a tocar, a compor, enfim…

Guilherme Rondon – O prazer é meu, faz tempo que combinamos, né?

Solange Castro – É – rs…

Guilherme Rondon – A música entrou na minha vida desde cedo, guri ainda… Minha mãe era professora de piano, tocava sanfona e meus dois padrinhos tocavam violão lá no Pantanal onde fui criado…. Já batucava pelas mesas e paredes tentando levar o ritmo. Fui fazer o ginásio interno, em Rio Claro, no interior de São Paulo e lá ganhei meu primeiro violão num parquinho de diversões na barraca do tiro ao alvo… Criado na fazenda foi mole, isso em 1966… Daí comecei a me aproximar da moçada que tocava, ficava observando e ia pra arquibancada copiar as posições… Rapidinho estava tocando um pouco de bossa nova, rock, fui pra guitarra e entrei numa banda “The Seltfas” que tocava Beatles, Rolling Stones, Renato e seus Blue Caps, Jovem Guarda, turma de ginásio, muito bom… Daí não parei mais. Fui pra Sampa (São Paulo, Capital) em 1971, cursava engenharia civil na FAAP, e lá comecei a compor. Primeiro fazia os arranjos, harmonizava as músicas de meus amigos, depois descobri que na verdade estava refazendo as canções que começaram virar minhas também… Sempre fui melodista, e em 74 participei do “Fesitval da Tupi”, cheio de feras, e tive minha primeira música, “Mascavo”, gravada por um grupo vocal chamado SP4. Depois essa música foi gravada pelo Lula Barbosa e Ivan Lins, Rosa Maria e Lucinha Lins, Papete e um violonista alemão… pô quanto tempo!!! Tocava muito na minha época de universitário em Sampa, conhecia muita gente, participava de festivais, gravações, programas de TV, tocava na noite acompanhando cantoras com freqüência. Era conhecido e tinha um prestígio no meio musical….

Solange Castro – Bem, você começou em menino a tocar sozinho – nunca “estudou” música? Eis totalmente autodidata?

Guilherme Rondon – No começo fui autodidata mesmo, bom depois tive umas aulas com um grande violonista Toninho Ramos, hoje morando na França…. Em 74 tive que estudar música, pois pretendia ir para o Berklee College nos EUA.. Fui para a escola do Zimbo Trio, o CLAM, matrícula número “8”, um dos primeiros alunos inscritos para violão. O professor era o saudoso amigo Luis Chaves… Não aprendi nada, era muito doido na época, coisas dos anos 70. O Luis era baixista e a gente acabava só tocando, virava uma jam, entrava o Hector Costita e outros músicos que apareciam por lá, altos sons, mas nada de aprender música!! Daí me deram uma dura (Hamilton Godoy e Luis), pois ia sujar o nome da escola se eu não aprendesse nada, e me passaram para o piano onde eu fui só estudar harmonia, acabei aprendendo alguma coisa… e não fui para os EUA e segui para Maceió trabalhar como engenheiro pra ganhar a vida. Aí foi uma virada, profissão nova, longe da turma e parceiros musicais, fui me afastando da música e dei um tempo de quatro anos… Um dia voltando a Sampa meu parceiro Cau Pimentel fez uma festa surpresa para mim onde estavam o Zimbo Trio, Dori Caymmi, Carlinhos Vergueiro, Eduardo Gudim, Marcos Calazans, Maria Odete, jornalistas, mais um monte de gente da época pra me homenagear… Pirei, desnorteei, caí na real vendo que tanta gente importante adorava minha arte e eu estava parado. Acordei, fui comprar cordas pro meu violão e voltei com tudo para a música, que é minha vida e razão de ser até hoje…

Solange Castro – Bem, certamente foi uma excelente escola… Quatro anos depois mergulhou de vez na música – como foi o início da carreira profissional?

Guilherme Rondon – De Maceió vim morar em Campo Grande onde estava minha família. Ninguém me conhecia como músico por aqui, apenas como engenheiro até que um dia o Iso Fischer me convidou para fazer uma participação em um show dele… Foi uma surpresa geral!! O cara toca!! Daí comecei a me enturmar com a moçada daqui, o Paulo Simões, Almir Sater, a família Espíndola, Geraldo Roca, tem muita gente talentosa em Campo Grande, incrível!!! Começaram as parcerias, entrei de vez no universo da música regional embalada na magia dos ritmos ternários, influências da fronteira com o Paraguai e Argentina… Muito “chamamé” e “polca paraguaia”… Aprendi a tocar esses ritmos, era coisa da minha infância que rebrotou em mim… E em Sampa eu não tocava nada disso, era pura MPB, bossa nova, jazz, alguns rocks rurais… Daí acabei misturando tudo isso na música que faço até hoje.
Fui engenheiro, fotógrafo, trabalhei com publicidade, gerente de fazenda no pantanal, hoje moro e comando uma pousada linda no pantanal – www.hotelbarramansa.com.br… Mas sempre compondo, gravando, fazendo shows… Nunca consegui viver e sustentar meus filhos só com a música, infelizmente, mas nunca parei de produzir e fazer canções, isso é o alimento de minha alma e segue junto comigo sempre.

Solange Castro – Como é o universo musical no Centro Oeste? Como são os espaços para espetáculos, quais as preferências das “tribos”, as rádios, apoios governamentais, enfim?…

Guilherme Rondon – Vou falar de Campo Grande… Já foi muito legal até 95 ,97… De lá pra cá desandou, globalizou pelo que há de pior… Hoje está uma merda geral, poucos espaços, invasão do sertanejo por todos os lados, a tribo do rock é muito boa, jabá nas rádios, governos insensíveis, o do PMDB criou uma Lei de Incentivo a Cultura, o do PT e acabou com a Lei!! Criou um Fundo de Incentivo a Cultura, começou a funcionar com muitos apadrinhamentos e um dia aprovaram vários projetos e deram o cano !!! Não pagaram os projetos aprovados nos últimos 02 anos… Já viu isso?? Vamos falar de outra coisa?

Solange Castro – Sinceramente? Não gostaria – rs… Mas a entrevista é sua, vou respeitar, claro. Só mais uma pergunta em cima da sua resposta – você falou em “sertanejo” – o verdadeiro ou o brega comercial com roupa de pião?

Guilherme Rondon – Esse sertanejo comercial, agora tem o “sertanejo universitário”… Nada das modas de viola de antigamente.. Faço parte de um grupo chamado “Chalana de Prata”, formado por quatro músicos que têm carreiras solo – eu no violão e voz, o super fera Dino Rocha na sanfona, Celito Espíndola no baixo e voz, Paulo Simões na viola e voz, mais o Bosco na batera… Tocamos apenas música regional que tocava no Pantanal, nos bailes de fazenda… Muito “chamamé”, um ritmo super dançante, um resgate de nossa cultura mesmo… Fazemos muitos shows por aqui em grandes espaços, exposições, praças, congressos… É um som pra cima, dançante, feijão com arroz bem temperado mesmo, sempre vira baile… Temos dois CDs gravados que vendem sempre… Sucesso por aqui… De vez em quando damos um tempo pra cuidar das carreiras individuais como estou fazendo agora. O Chalana é uma delícia mesmo…. somos todos cumpadres, parceiros, doidos varridos, sem empresário ou produtor…. Se tivéssemos um pouquinho de organização poderia estar rolando muito mais sucesso e até daria pra viver da música.. É uma química danada no palco… Temos um site, apareça lá.www.tremdopantanal.com.br/chalanadeprata

Solange Castro – Gui, isso é covardia – a “Chalana de Prata” é um dos melhores grupos de música pantaneira – rs… Tenho um dos discos, o que leva o nome do grupo e há anos não sai da minha ‘cabeceira’…

Guilherme Rondon – Que bom!!!

Solange Castro – Bem, é uma pena, mas a cultura brasileira está realmente às moscas… Mas deixemos para lá, vamos falar de você. Quantos discos?

Guilherme Rondon – Os discos: São quatro. O primeiro, “Rondon & Fígar”, foi em 92, fiz com o João Fígar (cantor daqui), saiu pela Eldorado e arrasou geral, quatro indicações para o Prêmio Sharp e ganhamos na categoria de melhor música regional “Paiaguás”, minha e do Simões. Produzido por: Hamilton Griecco (Micca), Guilherme Rondon e José Namen. Músicos: Dino Rocha, sanfona; Azael Rodrigues, bateria; Mário Lúcio, flauta e sax; Papete, percussão; Pedro Ivo, baixo; Zé Gomes. violino. Convidados especiais: Rodrigo Sater, José Namen, Boabaid. Gravado no estúdio RAC, São Paulo, março a maio de 1991.
O segundo foi o “Piratininga”, em 94, produzido por: Hamilton Griecco (Micca) e Guilherme Rondon, Vencedor do Prêmio Sharp (1994) – Revelação. A música “Vida Bela Vida”, incluída na trilha sonora da novela “A Indomada” (TV Globo). Atualmente lançado no Japão pelo selo Koala Records. Participações: Ivan Lins, Almir Sater, Luli e Lucina, Lula Barbosa, Celito Espíndola, Dino Rocha, Oswaldinho do Arcodeon, Jane Duboc, Pedro Ivo, Proveta, Luiz Waack, Maguinho, Papete, Orlando Zório, Rodrigo Sater.
O terceiro foi o “Claro que sim”, em 2001… Tinha Almir Sater, viola; Antonio Porto, violão 12 e guitarra; Danilo Caymmi, flauta e voz; Daniel Rondon, gaita; Jaques Morelenbaum, cello; Jerry Espíndola, voz; José Namen, piano; Luiz Waack, guitarra; Marcelo Ribeiro, baixo; Paulo Calazans, teclados; Pedro Ivo, baix;, Proveta, sax; Wlajones, bateria. Produzido por: Guilherme Rondon e Micca. Saiu pela Rainbow Records, uma nova gravadora que chegou com tudo e quebrou todos os recordes de tombo. Quebrou em dois anos e deixou um monte de discos legais pendurados… A idéia era muito boa mas… fudeu… Retomei a matriz e lancei independente.
Agora estou lançando o TR3S que é uma nova história…

Solange Castro – Lindíssimo – fale-nos sobre ele…

Guilherme Rondon – Lembrei que há 33 anos tive minha primeira canção gravada profissionalmente. Hoje tenho 3 filhos, 3 netos e para comemorar resolvi gravar meu terceiro CD solo com a maioria das músicas em compasso ternário. Assim nasceu o “TRÊS”. Gravar no Pantanal era um sonho antigo e para lá fomos de aviãozinho eu, Marcelo Ribeiro, Adriano Magoo e o Alex “Fralda” Cavalheri. Ficamos uma semana na fazenda Barra Mansa fazendo a pré produção, os arranjos e gravamos as bases. O astral da natureza pura ajudou muito. Depois gravaram em Campo Grande: Wla Jones, Sandro Moreno, Toninho Porto e Marcelus Anderson; em São Paulo: Luiz Waack, Zé Rodrix, Paulo Calasans, Cida Souza, Rita Kfouri, Luiz Bastos e Bárbara Rodrix. Daí ficou pronto, independente, e estou tentando mostrar ao mundo ou a todo mundo.
Foi uma experiência única, nada tinha sido pensado antes. O repertório saiu de uma lista das minhas vinte últimas composições (tinha umas cinqüenta inéditas na época), tirando “Hora Contada” e “Todo dia”, que eram um pouco mais antigas, as outras todas estavam novinhas em folha, nunca tinham sido tocadas. Escolhia uma, mostrava aos músicos, o arranjo era feito na hora, no clima do momento e… gravando… Muitos takes saíram de prima, violão, baixo e piano/teclados… Todo mundo tocou livre e depois completei as gravações nos estúdios da cidade… Não dava pra gravar nada acústico no Pantanal pois o som dos pássaros e da natureza vibrante vazava o tempo todo nos microfones sensíveis.
Foi arriscado, mas saiu um som sincero, uma fotografia real do meu momento atual como compositor e músico.

Solange Castro – Gente, deve ter sido alucinante…

Guilherme Rondon – Como eu estava compondo muito ultimamente e num ritmo intenso com o Alexandre Lemos (pela internet.. eu no Pantanal e ele nas montanhas de Minas, em Itamonte), a maioria das músicas do CD (11) são dessa parceria que me traz muita alegria, duas são com o Zé Edu Camargo, outro fera nas letras, e não podia deixar de ter uma do meu querido parceiro Paulo Simões, já tínhamos uma melodia pronta… Gravei e ele foi obrigado a fazer a letra de “Sol Vermelho”.

Solange Castro – Gui, como você compõe? Faz primeiro as músicas e envia para os letristas ou é o contrário, pega letras e musica?

Guilherme Rondon – Eu faço as melodias e mando para os parceiros letristas, sou totalmente dependente deles… Nunca consegui fazer uma música em cima de uma letra, dá uma travada, sei lá o que acontece, não consigo fazer. Já tive muitas dicas preciosas do Ivan Lins e da Luhli, me incentivaram mas… nada. Desencanei e assumi meu lado melodista. Acho que assim a música nasce mais livre, sem as amarras da letra e do texto. Também nunca fiz uma letra, acho que é devido à minha autocrítica exagerada…

Solange Castro – Suas músicas são bárbaras, Gui, deve ser uma delícia letra-las… Quem são seus parceiros? Qual a afinidade com eles, como funciona a química de se fazer obras tão delicadas?

Guilherme Rondon – Obrigado . Não sei de onde vem as melodias que faço, é um processo mediúnico de receber e botar para o mundo, algumas eu nem acredito que fiz devido às harmonias complexas. Vou confessar uma coisa: não faço nenhuma análise harmônica de minhas melodias, não escrevo as cifras, nada, apenas gravo pra não se perder no ar. Não tenho uma partitura desse novo cd “TR3S”….
Comecei a compor com o Cau Pimentel , Marcos Calazans e Eve Marcial em Sampa nos anos 70. De volta a Campo Grande fiz muitas parcerias com o Paulo Simões, era cara a cara, na raça, tocando o tema e as frases nascendo com muito suor… Nesse processo eu acabava dando várias idéias e muitas frases que ficaram, eram de minha autoria. Com o Iso Fischer era mais ou menos assim, mas já rolavam uma fitas cassete com os temas… Depois comecei a compor com o Murilo Antunes lá das Minas Gerais. Ele é “profissa”, compõe com os feras do Clube da Esquina e tinha muita facilidade com minhas melodias, fizemos várias.
Por um tempo fiz músicas com o Almir Sater e o Paulo Simões a seis mãos, com o Celito Espindola, mas esses parceiros diminuíram o ritmo por vários motivos e minhas melodias começaram a ficar represadas sem as letras, até que um dia, em 2002, o Iso (Fischer) me convidou para entrar na M-Musica, uma lista de música na Internet. Isso foi uma virada na minha vida, pois lá descobri vários parceiros letristas e as parcerias começaram a rolar aos montes com Zé Edu Camargo, Alexandre Lemos, Cristina Sraiva, Consuelo de Paula, Celso Viáfora, Etel Frota, Lucina, Álvaro Cueva, retomei minha parceria com a Luhli e com o Iso. Foi bom demais, um renascimento para a música mesmo e uma descoberta de um universo maravilhoso. As facilidades da net ajudaram muito, pois moro no Pantanal e meus parceiros ficam espalhados pelo Brasil. Então dá-lhe melodias em Mp3 por e-mail e as letras vão chegando, coloco a voz, vamos polindo, dando o brilho, sou muiito perfeccionista antes de considerar a música pronta. Isso aumentou consideravelmente a minha obra e hoje tenho aqui no baú mais de cinqüenta músicas inéditas, prontinhas com letra, aguardando intérpretes. Esse meu último CD “TR3S” á fruto total dessa nova fase produtiva e feliz. Tem o Alexandre Lemos com 11 parcerias, o Zé Edu com duas, o Zé Rodrix fez alguns arranjos vocais e a Bárbara Rodrix participou dos backing vocals. Gostaria muito de ter gravado outros parceiros da M-Música, mas o processo de gravar só as últimas crias deu nessa escolha. No próximo CD pretendo gravar uma de cada pelo menos…

Solange Castro – Bem, a M-Música realmente é uma comunidade extraordinárias… Aliás, nos conhecemos lá – rs… Somos “musgueiros”. São muitos artistas de talento reunidos, um borbulhar de criatividade inigualável – nunca vi nada parecido…
Agora vamos falar de música pelo Brasil – como você está vendo o cenário musical brasileiro em geral?

Guilherme Rondon – Em Outubro passei uma semana com o Lenine lá no Pantanal, além de grande amigo, talentoso demais, considero um dos artistas mais lúcidos que temos atualmente… Conversamos bastante sobre esse momento nebuloso que a música e as artes geral estão vivendo… Ele resumiu tudo assim: “tem muita gente talentosa em todo lugar deste país, alguns que tiveram ótimas fases estão fora da mídia, muitos jovem talentosos chegando com tudo, mas não cabe todo mundo nas poucas “VANS” existentes, não existem veículos pra tanta gente. Rádios, TVs, espaços, projetos, gravadoras não tem mais… Então lamentavelmente muitos estão ficando sonhando na calçada da vida, sem ter uma oportunidade real de mostrar seus talentos… Uma pena. Está muito difícil viver só da música hoje em dia no Brasil.

Solange Castro – E além dos veículos serem escassos, a maioria é comprometida com que “paga” – as majors tomam conta do espaço e foi-se a arte verdadeira para as gavetas, o que é um “crime”… O que você está achando da gestão do Gil no Ministério?

Guilherme Rondon – Gil é inteligente, tem uma cultura geral acima da média, músico genial, sabe se expressar como poucos, mas está amarrado a essa burrocracia governamental e acaba entrando no jogo de governo e não consegue fazer tudo o que quer. Ele fez muitas cagadas, mas prefiro ele lá do que um executivo de terninho indicado por algum político que tem uma cota de crédito com o governo. Seria melhor o Gil nos palcos, compondo coisas novas, mas quem botar lá?

Solange Castro – Ah, tem gente boa sim… Eu votaria, por exemplo, na Ana de Hollanda, que fez uma excelente gestão como diretora de música da FUNARTE…
Acho que Gil pisou na bola feio com todos nós – você acha mesmo que ele não tem condições de acabar com o ‘jabá’? Ou de dar um trato descente na Lei Rouannet? Ou moralizar um tiquinho a OMB?

Guilherme Rondon – Acabar com jabá como? Tá tudo corrompido como um câncer… Mas alguma quimioterapia poderia ser feita. Acho que com boa vontade poderia moralizar a OMB… A Lei Rouanet está uma palhaçada, enlameada de corrupção, só os projetos milionários que devem render boas comissões são aprovados a toque de caixa… Nada justifica essa distribuição feita nos último editais, com verbas altíssimas para projetos de DVDs de artistas já consagrados… Não está sobrando nada pra os pequenos projetos.
A cultura só vai pra frente quando tivermos um presidente que goste de arte (no bom sentido), que tenha sensibilidade para a importância da cultura no desenvolvimento de uma nação,o que não é o nosso caso agora. Não adianta um ministro competente com um presidente tapado, toda determinação vem da canetada lá em cima.

Solange Castro – Não acho que o Presidente tenha que gostar e conhecer a fundo agronomia para termos um excelente resultado na agricultura, ou tenha que ser um grande economista para termos um crescimento saudável e sustentável, quem tem que entender é o Ministro… Se o Gil está com a pasta, era para ele cuidar da cultura… Ele deveria gostar de cultura… Uai – rs…

Guilherme Rondon – Vou tentar explicar melhor: a liberação de verbas e fatias maiores no orçamento são determinações superiores.. O ministro tem que ter força para impor suas idéias e conseguir melhorias para sua pasta… parece que o Gil não consegue isso.

Solange Castro – Não consegue chegar para o Hélio Garcia e tentar moralizar o “jabá”, não consegue sentar com seus assessores (que já estão pagos) para colocar a Lei Rouanet de forma justa, não consegue pedir uma intervensão na OMB, enfim, não consegue nada que não precisa de mais verba, somente de cérebro e boa vontade…

Guilherme Rondon –
Fora Gil!!! É a solução??? Vamos nessa então… você me convenceu.

Solange Castro – Rs… Não, Gui, acho que a solução está nele… E sei que ele sabe de TUDO que sai na Internet com seu nome, a assessoria de imprensa dele passa o pente fino, le tudo e coloca sobre sua mesa – se nos últimos cinco anos ele não deu atenção às dezenas de artistas que aqui foram entrevistados é porque tá pouco se importando com a gente… Deixa ele pra lá, estou fazendo a minha parte – eu dou atenção à nossa cultura musical…

Guilherme Rondon – Qualquer melhora vai ajudar muito nessa caos que vivemos hoje na nossa cultura musical…

Solange Castro – Bem, vamos dar espaço ao que é bom – o que você tem ouvido? Quem está com bom trabalho no mercado?

Guilherme Rondon – Tenho ouvido muito pouco faz tempo, só os trabalhos dos amigos e parceiros… É um turbilhão de coisas novas todo dia… Quando fico sem ouvir música abre o canal da criatividade para compor livremente sem influências… Mas tem muita gente boa por aí, tenho conhecido trabalhos lindos e surpreendentes no MySpace…

Solange Castro – Por falar nisso, quem influenciou sua musicalidade na infância e juventude?

Guilherme Rondon – Beatles, Milton Nascimento (fui e sou até hoje peregrino seguidor do Bituca), Dori Caymmi, Joni Mitchell, Tom Jobim, Ivan Lins, James Taylor, Miles Davis, Genesis, Clube da Esquina, o camamé de Corrientes/Ar, Elis, Elis…

Solange Castro – rs… Os grandes mestres, realmente…
Gui, vais fazer turnê de lançamento do “TR3S”?

Guilherme Rondon – Pretendo fazer alguns shows em São Paulo, Rio e Brasília logo, logo… Primeiro vou fazer uns eventos por aqui, depois vou para a estrada. Quero muito fazer o show desse CD.

Solange Castro – Guilherme, muuuuuuuuuuuito obrigada pela entrevista. Nos deixe informada sobre a turnê do TR3S e sempre que o “Chalana de Prata” for para os palcos… E me aguarde – em breve vou aí ouvir música ao vivo no Pantanal.