Guilherme Alvernaz

 

Por: Gustavo Rosa

 

Gustavo – Alô Guilherme, como surgiu seu interesse pela animação? Conte-nos um pouco sobre o início de sua carreira, suas inspirações e aspirações.

Guilherme – Acho que os primeiros contatos mesmo vieram com meu pai, que trabalhava nessa área – ele dirigia todo o depaprtamento de animação na Lynxfilm, uma das grandes produtoras da época de 60 e 70, e criou pers famosos da propaganda como o Sujismundo e os pers antigos da Varig. Foi nesse meio que eu cresci, e bem cedo me interessei pela animação. Comecei a trabalhar com ele mesmo ainda moleque, fazendo assistência de arte e intervalação, até que em 85 entrei no estúdio do Danel Messias como assistente, e lá comecei a animar.

Gustavo – Você largou a faculdade de arquitetura para estudar animação. Como são as dificuldades de seguir uma carreira em que não existia faculdade no país?

Guilherme – Fiz um ano de arquitetura e abandonei para entrar na animação pra valer. Na época era um pouco mais complicado, pois não era reconhecida como profissão, mas hoje em dia já tem curso superior de animação em várias faculdades do Brasil.
Para aprender o único e melhor caminho era o contato com os profissionais da área, e isso se dava através dos estúdios que já tinha um certo nome no mercado. Meu maior aprendizado, além da convivência direta com meu pai, se deu no estúdio do Daniel, onde trabalhei com grandes animadores que influenciaram bastante o meu estilo de animação e a forma com que eu encarava o trabalho

Gustavo – Você faz parte da equipe da Oca Filmes. Fale-nos um pouco sobre a proposta da empresa e o seu papel dentro dela.

Guilherme – A Oca surgiu em novembro do ano passado, é bem nova ainda e já estamos produzindo bastante. Somos seis sócios e nos conhecemos trabalhando na Tarttoria. Voltando um pouco no tempo… Depois de sair do Daniel, montei um estúdio com meu pai chamado Signos Comunicações, onde produzimos alguns filmes do Variguinho… Algum tempo depois me lancei como freelancer no mercado e prestei serviços pra outras produtoras como animador, entre elas a Trattoria. Eu já fazia animações lá em 2d, antes deles começarem a fazer 3d. Quando houve essa transição eu participei dela e comecei a animar 3d com o pessoal de lá… Então eles montaram um departamento de produção de 3d da qual fiz parte como diretor de animação. Nessa equipe fazia parte outros excelentes profissionais como o Diego Velasco, Abdré Metello, Luiz Gustavo do Amaral, e Marcos Issler que posteriormente formariam a Oca Filmes
Juntamente com a coordenadora da equipe, Ana Paula Catarino, a Oca então nasce com um excelente time de profissionais altamente capacitados e experientes no mercado publicitário. Eu aqui, além de sócio, atuo como diretor de animação. Minha função se deve mais à minha experiência com animação de personagens, assim como o Diego se encarrega dos efeitos especiais em 3d. Somos uma equipe bem diversificada, que tem a possibilidade de atender vários e diferentes estilos de trabalho

Gustavo – Você faz trabalhos fora da Oca Filmes, sejam eles profissionais ou autorais?

Guilherme – Não mais. Mesmo poruqe, aqui estamos com a proposta de desenvolver trabalhos autorais também. Já temos em produção um curta metragem que estou dirigindo com roteiro meu também. A idéia é concentrar todas as fichas na Oca mesmo e fazê-la crescer com força total.

Gustavo – Como você enxerga o mercado de computação gráfica no Brasil, e quais conselhos daria para quem está começando?

Guilherme – É um mercado que cresce sem parar, várias formas de arte se utilizam da computação gráfica, e existem várias portas de entrada. A animação é sem duvida a mais atraente, e interessante, tanto para produção publicitária como autoral. Existem vários editais de incentivo à produção de animações com foco em curta e longa metragens que ajudam a quem quer começar e tem uma idéia de roteiro para desenvolver. Mas a produção publicitária ainda se destaca como grande absorvedor de mão de obra de animação e efeitos especiais em 3d. A ilustração também é outra forma de expressão que se utiliza bastante da computação gráfica. Enfim, é um ramo de atividade que tem crescido bastante nos últimos anos e tem tudo para crescer ainda mais no Brasil, com o desenvolvimento de uma indústria de produção voltada para a área de entretenimento, ou seja, longas e curtas metragens e séries para TV. E, ao meu ver, para que essa indústria se solidifique, é só uma questão de tempo. Aqui na Oca mesmo, como te disse anteriormente, há um grande interesse nessa área de entretenimento…

Gustavo – Por já ter trabalhado com animação tradicional 2d, você tem um grande conhecimento em técnicas de desenho tradicionais. Você acha que este conhecimento é importante para quem quer trabalhar com computação gráfica?

Guilherme – Sim, sim, acho que é um grande trunfo o conhecimento de formas de expressão como o desenho e pintura. A percepção espacial que se adquire ao se esculpir, por exemplo, ou a noção de claro e escuro da pintura, bem como o entendimento da perspectiva, são conhecimentos necessários a quem pretende trabalhar com isso. Devemos lembrar que antes de mais nada, estamos desenvolvendo um trabalho visual ou áudio-visual, não importa na verdade se com um pincel, um lápis ou um computador. O resultado final tem que ser visualmente bem resolvido. No caso da animação também vale essa experiência com o lápis e o papel, tanto no que diz respeito ao timming da animação quanto ao posicinamento do personagem, por exemplo, a composição da cena, os ângulos de câmera, como será resolvido o cenário e a textura dos elementos da cena, tudo isso remete ao conhecimento artístico do autor. Acho extremamente necessário o estudo artístico para qualquer interessado em trabalhar em computação gráfica.

Gustavo – Você já participou da produção de alguns vídeo clipes. O que você acha da união destas duas artes, música e animação?

Guilherme – Elas sempre andaram juntas na verdade… A animação sempre se utiliza da música para a marcação do timming dos personagens e andamento do filme. No caso dos vídeo clipes, isso é levado ao extremo, mas não difere do que acontece em outros filmes.

Gustavo – Como funciona o processo criativo de um vídeo clipe em animação?

Guilherme – É bem divertido, na verdade, partir da música para se desenvolver um filme. Quando recebemos esse pedido, geralmente já vem com uma idéia básica do que será feito. Nesse aspecto não difere muito do que acontece na publicidade, mas a diferença é que há um pouco mais de liberdade em relação a isso, com um roteiro definido partimos para a criação do storyboard e posteriormente para a produção do clipe. Para isso trabalhamos com a música em todas as etapas da produção, para que a animação sempre encaixe bem com a batida e o andamento da música.

Gustavo – Teve algum clip que você achou especial? Que tenha gostado mais de produzir?

Guilherme – Participei diretamente da produção de três clipes: um do Lulu Santos (Figurativa), um da Adriana Calcanhoto (Assim sem você) e o último da Marisa Monte (Bonde do Dom). Os 3 foram especiais e extremamente divertidos de fazer, foram três técnicas de animação diferentes, cada um com suas peculiaridades…
É um trabalho prazeroso e recompensador, artisticamente falando, é claro… hehe
Gostei de trabalhar nos três, mas no do Lulu Santos e da Marisa Monte tive uma atuação mais efetiva, feito todo em 2d, meio que inspirado no desenho “Laboratório do Dexter”. O da Marisa Monte seguiu mais o estilo de um grande animador canadense chamado Norman Mclaren, que fazia animações direto na película. O da Calcanhoto foi feito todo em 3d, e cuidei da animação dos personagens em algumas cenas. Todos eles fiz pela Trattoria.
Nós aqui da Oca temos muito interesse em produzir vídeo clipes.

Gustavo – Valeu, Guilherme – obrigado pela tua atenção, foi um prazer tê-lo conosco…

 

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Abril de 2007