Érico Baymma

 

Por: Solange Castro


Ele tem um jeito singular de viver a “música” – a forma que viaja sonoridade em suas composições e arranjos vem de dentro, não é muito possível explicar, tem-se que “ouvir”.
Há seis anos Erico Baymma havia nos concedido a primeira entrevista, e agora nos delicia com suas histórias dos últimos anos, fala de seu trabalho atual, realizações, idéias e projetos…

Solange Castro

 

Solange Castro – Érico Baymma, que prazer enorme tê-lo novamente aqui no Alô… Nossa entrevista foi no final de 2001, lá se vão mais de seis anos – como está caminhando sua vida musical?

Erico Baymma – Logo após o lançamento do meu primeiro disco instrumental, Artesanato (nome dado por que foi feito literalmente em casa, com recursos parcos) em 1997, comecei a fazer um outro instrumental, um pouco mais arrojado em termos de experiência sonora. Foi começado em 1998, quando comecei a compor as bases para o trabalho. A sonoridade era a minha meta: experiências sonoras, com o “sujo eletrônico” e a relação com imagens, como é a minha música, em modo geral. “Em busca de uma sonoridade mais perfeita, dentro do que queria” eu fui adicionando sons, até que finalmente fiz a gravação das melodias improvisadamente, de primeira, deixando até os possíveis “erros” no que se relaciona à execução, mas ficou tudo tão legal, “limpo e sujo” que achei que o disco ia ficar assim. Mas, ainda não havia recursos para a prensagem, coisa que ainda não rolou nem procurei desde então. Tanto é que em 2003 fiz o lançamento “mundial”, pela internet, o que causou uma gozação muito legal, pois eu estava lançando o meu trabalho “mundialmente” – coisa que não se pensaria anteriormente, mesmo pela total ausência de recursos. E é aí que a internet entra como uma das poderosas aliadas para os criadores independentes…
Estou com planos de lançar o trabalho em cd, junto a um livro que já está “pela metade” contando a história contida nas imagens que elaborei musicalmente neste trabalho. Pessoalmente, acho um barato ter feito este disco: pela sonoridade, pela chance de mostrar previamente a todos, sem necessidade de um custo pra isso (embora o custo exista), e ter o apoio massivo de grandes companheiros e amantes da música.
Por conta do lançamento do disco em 2003, por se tratar de uma sonoridade meio “dramática”, repleta de imagens, comecei a dar aula de sonoplastia, canto e musicais no CEFET – graduação em Artes Cênicas, sendo o professor das disciplinas até o início do ano passado, 2007.
E… bom… graças ao movimento do Cosmos, a música fez-se incorporar de uma série de outras atividades, realizações, projetos e muitas idéias. Este “lançamento mundial” foi interessante pois a repercussão de lançar livremente um disco, produzido com tanto carinho e ao invés de ser vendido, ele ser distribuído gratuitamente, é uma coisa que a gente está começando a ver agora, pra diante, né, Solange?
Claro que pretendo lançar o cd, o material físico, “vendável”, daqueles que a gente lê os encartes, curte a arte gráfica, lê as informações que permeiam as idéias do trabalho… Mas, é bom ter este tempo de maturação entre a escuta do trabalho (grátis) e ver depois o que ele vem trazendo de significados imagéticos – principalmente no tipo de música que faço. O trabalho ainda está pra download no Trama Virtual.

Solange Castro –Fantástico! Tudo! Você realmente está dando um banho com esse trabalho… Por partes – fale-nos primeiro sobre o repertório…

Erico Baymma – Esta questão de repertório é muito interessante, pois não houve um foco objetivo, mas algumas idéias sonoras que acabaram por delinear um “ambiente/cenário” que parece refletir sobre o urbano, o rural e o indivíduo nestes dois enfoques. Então, o trabalho traz desde o peso do eletrônico, a baiões, forrós… etc… Inclusive há uma faixa que chama-se “Araçás’ Forró”, no qual me remeto a duas coisas: à experimentação sonora de Araçá Azul, do Caetano Veloso (do qual “pesquei” as harmonias) e à trilha sonora do filme Underground, cujo compositor é o Kusturika, com um som maravilhosamente festivo e com sugestões anárquicas… Então… o disco remete à minha mineirice, cearensidade e ao “ser paulistano” (que bem envolve esta conjunção de províncias que são todas as cidades), à ludicidade, à “desorientação”, à solitude, à maioria dos sentimentos humanos que se passa num processo de maturação, pela vida… Pode falar da vida de qualquer ser humano.

Solange Castro – Quem participa do disco?

Erico Baymma – Sou somente eu, nos dois discos. Não trabalho com programação eletrônica, o que colocaria o disco mais perto dos “cds eletrônicos”… mas, as minhas concepções são acústicas, que aplico ao eletrônico, e toco toda a faixa, timbre por timbre, melodia por melodia… tudo muito pesquisado pra encontrar uma camada sonora que eu acredite ser a mais propícia para aquela composição. Isso faz com que as pessoas até estranhem o modo de compor, o modo de cada sonoridade acontecer em cada música. Realmente, não é uma música “industrial”, em concepção e formato. Ela é e tem seu próprio tempo de evolução, da necessidade das notas, acordes, melodias e o “eu” me expressar neste contexto sonoro. São coisas que são comparadas aos “experimentalistas” Brian Eno, Steve Reich entre outros e Philip Glass, no minimalismo, como referência (não sei exatamente por quê se há de referenciar a algo conhecido para poder existir…rs). Mas, o que geralmente causa maior estranheza, além do som “impresso” nestes cds é que, paralelamente a isto eu faço canções, composições com letras, no “molde popular”, o que deixa as pessoas mais instigadas, como se para ser um compositor instrumental, não se pudesse ser múltiplo e saber cantar.
Está sendo lançado agora um disco do compositor, poeta e artista plástico Alano Freitas, cearense, que há duas gravações de arranjos que fiz para músicas dele. Uma é um sambinha chamado “Canção no Jardim” e outra é uma versão maravilhosa que ele fez para o clássico do Jazz “Round Midnight”, do Thelonius Monk.

Solange Castro – Disso eu não tenho a menor dúvida, Érico, mas, além da qualidade e da beleza da tua obra, eis uma ‘caixinha de surpresas’…

Erico Baymma – Por quê “caixinha de surpresas”??? rs…

Solange Castro –Você mesmo já disse – rs… Tens muita versatilidade, criatividade e eis totalmente imprevisível, toda tua obra é de alta qualidade, surpreendente…
Bem, nesses anos além de dar aulas você fundou uma ONG, é isso?

Erico Baymma –Ah… eu estou fundando uma ONG. Aproveitei as formações que fiz em arte-educação, em arte-terapia, junto às experiências teatrais, as experiências como video-maker e compositor de trilhas sonoras, a de educador, pesquisador e amante da vida e da arte, e estou me jogando para uma ONG. Ela se chama Associação Sujeito e Arte, que pretende chamar a atenção da sociedade, das instituições e das próprias pessoas a respeito da individualidade, no sentido de uma consciência maior do que se vive, do que se é, do que pode ser feito para uma melhor qualidade de vida. Claro, passaremos pelos aspectos culturais, artísticos, educacionais, sociais e todas as atividades humanas. E neste sentido, o intento é ajudar às pessoas a terem consciência de sua força e talento para produzir, para serem livres e criativas existencialmente, no sentido estético da importância do “auto-encantamento”, como recurso inalienável.
É um projeto bastante ambicioso, já me disseram isso inúmeras vezes. Mas, não creio que estar vivo tenha que ser menos ambicioso do que trabalhar para ter uma qualidade de vida REALMENTE melhor. Nós estamos numa banalização histórica da qualidade de vida, sem consciência das exigências que “o sistema” impõe ao indivíduo, quase roubando-lhe a identidade – como se rouba a capacidade de ser sujeito/indivíduo – para atender mais e mais aos requisitos das instituições. Isto é paradoxal, pois as instituições deveriam existir para a pessoa e não como auto-contemplação. Nós, no Brasil, por nossa cultura extremamente escravagista e feudalista, necessitamos de visões que nos coloquem presentes no mundo como seres criativos e mais autônomos, pois continuaremos simples escravos ao permanecer no projeto essencial do “somente trabalho”… “Não pense, não diga, se comporte”… e todas aquelas regras que podam o indivíduo de sua real existência, às quais chamam “civilização”…

Solange Castro – Convenhamos, mais uma idéia “surpreendente” – rs… Como funciona?

Erico Baymma –ehehhe…É incrível como cuidar da vida se tornou “surpreendente”, né???…rs… Bom, teremos vários projetos como, até agora, mesmo sem estar registrada a ONG, já desenvolvemos a Escola Experiencial do Sujeito, que se dirige à produção de arte, cultura e outras atividades… e as pessoas aprenderão no próprio processo de fazer, serão geradas reflexões, adequações de realidades e linguagens, respeito à multi-culturalidade, às imensas diferenças de concepções e percepções da vida, de sujeito a sujeito… A degustação profunda da experiência subjetiva! Este projeto é um dos melhores representantes do que iremos desenvolver e já tenho concretizado resultados de melhoria e até transformação de vida, com efeitos que me surpreendem e encantam (não só a mim, mas principalmente à pessoa que se entrega ao processo de “si apropriado”) .
Teremos também dois projetos em parelelo: “Em busca do sujeito perdido” e “Em busca do sujeito possível”. Nestes dois projetos que podem se resumir a um, estaremos pesquisando, através de várias linguagens, o que é e o que foi ser sujeito, quais as possibilidades de ser sujeito, consciente de si e dono das próprias alternativas de vida, numa busca de entender melhor o que é ser contemporâneo. Este projeto tem algumas questões que geram contradições, pois queremos divulgar a “cultura” do sujeito/indivíduo… A maioria das “tendências intelectualiais” não admite a existência de um sujeito, fazendo com que os indivíduos sejam apenas “cópias” de costumes, tradições e suas derivações, que é o significado de cultura… Por outro lado, o que nos identificaria senão nosso próprio e único ser? Somos todos diferentes e precisamos mostrar essa pluralidade para o mundo, fazer valer o grande valor de cada indivíduo! Sem comparações pejorativas, temos que sair de nossas roças/comunidades individuais para perceber a grandeza de cada um, a pluralidade de milhões de personagens em uma pessoa, até fugindo dos esquemas de atribuição de “caráter” estagnado, ao que o olhar “comum” foi acostumado, principalmente pelo “advento das mídias”, que são rotuladores como se fôssemos somente produtos – nós somos os criadores! – . Poderia dizer que agora passo do nível do artista da “música”, para “a arte da vida”… pode parecer pretencioso, mas onde há fumaça há fogo… este fogo é meu desejo de ter uma vida melhor pra mim e pras pessoas. Não adianta ficar reclamando da vida, tem que “se viver”!

Solange Castro – Não tenho dúvidas da tua competência, mas, me perdoe, “duvido” que deixes a música… Pelo menos torço por isso…
Esse trabalho é voltado para indivíduos de qual faixa etária?

Erico Baymma – Não, nada há de ser deixado. A gente vai agregando coisas, fazeres, conhecimentos, pensamentos, dúvidas e vai-se perdendo ou se orientando nos caminhos. Passo a passo se faz a vida!
O trabalho será voltado para a vida, para os indivíduos em qual faixa etária estiver passível de nossa atuação. Geralmente, este tipo de trabalho resultaria em melhor percepção para os jovens, pois estão com a “cabeça fresca” e procurando mais. Mas, com certeza, é uma história de uma “inteiração sócio-cultural” através da arte, “estado personalíssimo do ser”, o que pode ser atingido em qualquer faixa etária ou qual atividade/comunidade alguém pertença. O importante é fazermos que as pessoas cuidem melhor de si e do outro e de seu meio ambiente, que aprendam a se respeitar mais e ao outro, que aprendam que não é tolo ser generoso, que não é babaca querer bem, amar, tomar conta… e que, afinal, o que temos de bom é nosso também, e a gente não merece trocar este “bem” nosso pelo “mal” de ninguém. A vida é muito curta e rara pra gente perder tempo com coisas menores, medíocres.
Principalmente, acredito que o maior bem que vai ser gerado é a capacidade das pessoas novamente se agregarem, num mundo que está trazendo tamanha solidão e medo de se unirem, de se pensarem juntas, de serem razoáveis e praticarem, com inteligência e sensibilidade, um bem para a vida, para ser compartilhado. A música, certamente, é um dos mecanismos mais motivadores deste agregamento.

Solange Castro – Concordo plenamente… E como está indo? Algum apoio em Leis de Incentivo, apoiadores, patrocinadores?…

Erico Baymma – Bom… como os alvos e projetos são múltiplos, estamos tendo apoios diversos que se concretizarão a partir da fundação da ONG. Já estamos planejando um show coletivo – já que há muitos artistas amigos, completamente afinados com o projeto – e há muitas parcerias em vias de serem firmadas. Falta somente o papel. E, pessoalmente, dentro da ONG, já estou formando uma banda, para mandar ver mais o meu lado intérprete/cantor/compositor. Tenho uma série de canções nas gavetas, gentilmente doadas por amigos, uma minha feita em especial para a minha grande diva (Rosa Passos), uma “coisa” linda do Celso Viáfora, e outras canções… e certamente, isto resultará em um belo disco.
A ONG “Associação Sujeito e Arte” é uma conjunção de aproximadamente 50 pessoas das mais diversas áreas de atuação, que estão conscientes da grande necessidade de uma mudança de paradigma para a vida, ou melhor, elas já sabem que os paradigmas já não são os que ainda estão sendo falados. Então, a partir de uma motivação minha, “no mundo em que vivo”, fui colhendo as pessoas que se identificam completamente com a idéia de que o SER HUMANO/ INDIVÍDUO/SUJEITO é quem está mais sofrido neste processo histórico-social-econômico-político, chamado vida cotidiana. É daí que nasce a grande vontade de fazer a promoção do desenvolvimento humano, através da divulgação da “cultura do sujeito”, por uma abordagem da estética existencial.
Como artista “multi” que sempre fui e me construí em todo o tempo de vida, vejo realmente que a idéia é super bem fundamentada, mesmo que algumas facções do pensamento achem que “não existe o sujeito”. No entanto, a gente tem visto vários movimentos sociais e ongs que se utilizam da arte para a melhoria da condição de vida, da reformulação do pensamento e de uma outra percepção da vida, com melhor qualidade.
Estes tipos de projetos, pelas ONGs, têm sido fomentadas por instituições internacionais e é um dos alvos mais claros do Ministério da Cultura, que esta apostando (alto) nas questões relativas à “realidade da pessoa”, muitas vezes através do cerco mais abrangente, cultura, mas que resvala no modo de ser individual. E como a maioria das ongs já se dirige para ações sociais, eu prefiro que as ações sejam individuais, que seja explicitamente de reforço ao ser humano, cada um do seu jeito, retirando a “produção em série” de cabeças que devem pensar deste ou daquele jeito – o que não retira a possibilidade de trabalhos comunitários, identificando os indivíduos, de forma a um “re-conhecimento”. Principalmente, ao nos vermos na era “pós-industrial”, em que a própria indústria não têm mais pilares tão fortes, por saturação dos esquemas de reprodução em série, volta-se, espero que finalmente, para o indivíduo, que deixa de ser um qualquer alguém perdido no tempo e no espaço, encalacrados no que chamam de “cultura de massa”, e que se procurará oferecer a possibilidade de reconhecer qual a vida que quer viver, o que quer produzir, o que pode descobrir dentro de si que deve emergir para a vida, como o melhor que tem pra dar para e de si e para o mundo. Desta forma, viabilizam-se parcerias com vários institutos culturais, universidades, projetos internacionais de desenvolvimento, entre tantas outras parcerias feitas a nível local. E os apoios serão locais, à medida que pretendemos ter filiais em várias regiões do país, com suporte das instituições públicas e privadas, no sentido de melhorar o indivíduo, fazendo que ele realmente seja atuante para o bem-estar das comunidades, e não mais um alheio às diversas situações que a vida apresenta, um transeunte de sua própria vida.
Ah, ela já está funcionando informalmente, viu? Temos 3 documentários em andamento e 2 grupos de produção da Escola Experiencial do Sujeito (Uma escola de ópera e outra de música e tradições populares), além de grupos de arte-terapia e de estudos relativos à pessoa.

Solange Castro – Mais que torcida – declaro publicamente o apoio do Alô Música para divulgar a ONG! Acho a idéia fantástica. E nada mais justo que trabalharmos em prol da ascensão do Ser Humano, principalmente através da arte.

Erico Baymma – OOOpssssssssss… Legal!! Dê a maior força que é o que a gente precisa!
Isso é uma situação que não dá mais pra ficar cego, surdo e mudo, em frente a ela. Temos que reunir “formigas” expertas para fazer com que a idéia, o respeito, a dignidade, os bons sensos, o amor verdadeiro pela vida seja difundido, pois é simplesmente insuportável vivermos em um país tão demasiadamente burocrático e completamente organizado dentro de si, com máfias impedindo que o ser humano tenha sequer um cheiro de gente. Não podemos mais nos robotizar. Temos mais é que viver “e não ter a vergonha de ser feliz”…rs…
Precisamos nos apossar novamente de nossos seres… E as empresas têm que compreender que é através da motivação do indivíduo que ele será criativo, e não com a pressão em cima de “qualquer alguém “… Foi-se o tempo em que a pressão é que era motivadora de criatividade – sem que com isso esteja desmerecendo a forma de criação sob pressão, quais motivações tenham.

Solange Castro – Olha, divulgar os trabalhos desenvolvidos será muito legal – pode contar com nossa Equipe, o Alô, está dentro!
Bem, agora vamos falar do cotidiano – o que tens ouvido de bom nos últimos tempos?

Erico Baymma – Nossa…. música é uma coisa maravilhosa, né??? Tenho tido surpresas incríveis, graças à internet… Tenho conhecido novas cantoras de arrasar, como a Silje Neergaard (sueca), a Roberta Gambarini (italiana – grande cantora no estilo Ella Fitzgerald) e a Carol Welsman (se não me engano é canadense)… Bjork, a “grande cientista dos sons” (conforme suas próprias palavras), sempre em inovação e intensidade… Fora as cantoras, ótimos trabalhos masculinos estão sendo feitos em todos os estilos, como o John Mayer (no pop), Eldar (pianista jazzista maravilhoso) Brad Mehldau (outro pianista que arrasa completamente)… entre tantos e tantos outros…
A internet ainda nos traz a grande chance de podermos obter trabalhos “cult” musicais, que foram prensados em quantidades mínimas e somente os grandes colecionadores tinham acesso… Daí, o leque é maravilhoso. Mas, para falar em lançamentos, eu recomendo enfaticamente os últimos trabalhos da Annie Lennox (Songs of Mass Destruction) e Seal (System) – esses dois sou fã de carteirinha de primeira fila. O “engraçado” é que os trabalhos desses dois, por exemplo, vêm falando exatamente da saturação do sistema e da necessidade da reformulação do modo de vida, do quanto o que vivemos exclui a todos, afinal, e como os valores trabalhados neste modo estão acabando com tudo… até com a grande indústria fonográfica internacional – por exemplo.
A grande ironia nisso é que o Elton John reclamou contra a pirataria pois só vendeu 100 mil discos, em seu último trabalho…rs…

Solange Castro – E daqui da Terrinha, o que tens ouvido?

Erico Baymma – Eu estava pensando exatamente nisso, que não havia me referenciado aos maravilhosos artistas de nossa terra que, paradoxalmente, fora dos grandes distribuidores comerciais, estão fazendo trabalhos cada vez com maior qualidade. Poxa, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Ceumar, Rosa Passos, André Mehmari, Hamilton de Holanda… nossa, é tanta gente boa… O imbatível Vitor Ramil, a quem se junta Lenine, Paulinho Moska, Chico Cesar… E… Nossa!, sem falar nos “independentes” que são batalhadores maravilhosos… Marianna Leporace, Sonekka, Alexandre Lemos e… vai uma “cambada” a quem eu faço questão de estar super atento!
A Ná fez dois discos maravilhosos com o André. O André fez um belíssimo disco com o Hamilton de Holanda. A Roberta Sá fez um super disco, assim como a Maria Rita se jogou no samba… Não há preconceitos… Os valores musicais brasileiros estão pra cima. Estamos com uma pródiga listas de belíssimos e incontestáveis trabalhos. Mônica Salmaso cantando Chico, o Grupo Pau-Brasil que a acompanhou é maravilhoso… e quanta, quanta gente… !!!!
Infelizmente, com uma economia empobrecida e valores banalizados, muitos artistas maravilhosos estão sem trabalho. É só uma citação, pois este assunto me chateia profundamente… A gente fala sempre mais do sucesso do que daqueles que não estão conseguindo produzir o que de melhor eles têm pra oferecer para a vida – e dão o melhor mesmo! “Nobody knows you when you’re down and out”!!!!!
Este movimento de redução da indústria fonográfica veio trazer uma necessidade essencial de produção de coisas mais “verdadeiras”, coisas da alma, a música pura em todos os seus estilos e “provocações”….rs

Solange Castro – Bingo!

Erico Baymma – Tem também o nosso querido baterista Pantico Rocha, que enveredou-se pela canção e fez com o Marcus Dias, também cearense, um super-trabalho pop, completamente inusitado pra mim… Sem falar no Eudes Fraga, que está pelo mundo, por aí, encantando a todo mundo.. É este fator “decomposição da indústria fonográfica” que poderá nos salvar da banalização da vida musical imposta por tantos nomes que não se deve nem citar… Como assim, listar os bons é um grande perigo, pelo esquecimento injusto a tantos trabalhos maravilhosos – que “deveriam” ser citados para divulgá-los, mas não tenho condições de fazer isso agora…rs…

Solange Castro – Ai, como é bom conversar contigo, Érico… Você ainda está falando de um povo “independente” que é conhecido no nosso “meio musical” – não imaginas o que tenho recebido de obras maravilhosas de gente nova chegando no mercado… Realmente estamos vivendo um momento de borbulha musical nos mananciais, pena que não chega ao público leigo…
Mas, por outro lado, como você mesmo disse, temos hoje a Internet para abrir espaço e chegar a alguns…

Erico Baymma – Pois é… mesmo estando no meio musical, infelizmente, não tenho tido tanto contato com tantas e tamanhas preciosidades às quais você deve estar tendo o maravilhoso prazer…
E… pois é… a internet vem trazer a independência de quem ouve, de quem vê… e encontrará outras formas de expressão, que serão tão belas como aquelas que estamos acostumados. A Internet é uma verdadeira revolução, é um renascimento em todos os sentidos, estaremos mais próximos de formas diferentes de pensar, refletir sobre a vida, expressar os diversos olhares e poderemos compreender então que o “fundamentalismo” e as “Verdades” não são definitivas… E quem fala é apenas mais um olhar, privilegiado ou não, mas somente mais um a ser observado, que merece respeito à medida que seja dado a si próprio. Que se identifiquem as pessoas e não algo que lhes é imposto!
A multifacetada dimensão da vida está chegando mais perto de uma compreensão e ela será certamente absorvida quanto mais “nós” (produtores culturais, divulgadores, educadores, enfim….) mostrarmos para quem ainda não teve acesso a grande importância que é estar vivo e quantas belezas poderemos nos encantar… É como diz o Manoel de Barros, mais ou menos assim: “que as coisas tenham a importância à medida do encantamento que elas nos produz” (este é um grande referencial pra minha vida e coloco como um dos “marcos zero” do pensamento da ONG).

Solange Castro – É isso! A impressão que tenho, Érico, é que estamos saindo de uma ditadura econômica-cultural e entrando na “anistia”… É como se estivéssemos conseguindo “nos ouvir” através da Internet. Isso tem me dado um imenso prazer, saber e estar bem perto da “arte musical brasileira”, sem que as majors consigam nos boicotar…

Erico Baymma – Pois é… é a grande sensação da liberdade. Solange, eu não assisto televisão há anos. Estou igualmente informado, “bem refletido”, inteiro, e querendo produzir coisas que somem à vida e às pessoas. A televisão já teve muitas coisas boas, mas hoje, muito mais do que nunca, é uma pasteurização sem expressão criativa, comumente… sem alma! O advento da internet a cada dia mostra mais do que é perceber o mundo e o que devemos ou podemos fazer com nossas vidas. Eu estou extremamente feliz por que, mesmo não tendo tanto acesso assim como você, que recebe tantos trabalhos musicais, recebo “presentes” que logo logo me fazem procurar mais e mais… Inclusive, não falei do que foi a minha MAIOR SURPRESA MUSICAL destes últimos tempos… Chama-se Rubi, uma figura preciosa, de uma linda voz, de uma sabedoria na interpretação e produção musical que é invejável. Minimalista e grandioso. Poético até às invisíveis veias expostas! E falando nele, não posso deixar de falar no cearense Gero Camilo que é um artista fantástico e está lançando um trabalho musical agora que muito me interessa conhecer. Ele é um ator fabuloso e tem um texto impecável sempre às mãos e às bocas, para qualquer instante!
E, talvez, a “grande salvação da indústria musical” seja ela começar a atuar de uma forma mais democrática em todas as extensões: preço do produto final, fomento da pluralidade de estilos e não imposição de um “movimento” sempre único e estagnadamente pontuado, uma forma de administração “menos econômica” e mais artística, numa apropriação da responsabilidade social, como “formador de opinião e de conhecimento”…

Solange Castro – Hehehe – eu tenho o Rubi! – rs…

Erico Baymma – Ele é fantástico, não?
Falando em produção cultural e programas de incentivo do Ministério da Cultura, eu tive o fabuloso privilégio de “conhecer” a “minha capital” (eu sou mineiro): Belo Horizonte, exatamente pelo evento Teia Cultural, programa do Cultura Viva, do MinC. Além da cidade ser belíssima, e eu ter tido bons calos nos pés, o programa reuniu “pontos de cultura” (ongs escolhidas pelo projeto) mostrando a diversidade cultural produzida nestes vários países e províncias surreais chamados Brasil. Foi uma verdadeira festa, um congraçamento humano inimaginável e de proporções gigantescas – lógico que para mim, que nunca vi isso. Eu realmente fiquei emocionadíssimo por ver as tantas expressões e projetos que estão sendo desenvolvidos a partir deste projeto, enquanto o Gilberto Gil esteve por lá. O Teia Cultural é “administrado” pelo Augusto Boal, que é uma ótima referência para se entender do que se trata este projeto!
Algumas pessoas criticam o posicionamento do Ministro. Eu me detive ao que consegui ver, pois eram tantas coisas que não daria mesmo pra ver tudo. Foi lá que me deu um comichão de voltar logo pra Fortaleza e fazer a ONG vingar de vez, pra podermos começar os trabalhos e mostrar nas próximas reuniões da Teia Cultural.
É uma verdadeira explosão de expressão humana, a que se tenta reduzir a uma caracterização cultural, pontuada aqui e acolá. Mas, são enormes e diversos os valores, como é encantador ver a quantidade de gente tão diferente envolvida no processo. Foi gente de todo o Brasil… Teve gente de Roraima, Manaus ao Rio Grande do Sul. Eu achei isso fantástico. Todos tiveram um bom espaço para mostrar seus trabalhos e creio que saíram super-satisfeitos com os resultados gerais deste agregamento possível. É incrível como não conseguimos agregar mais, não?? Mas, aconteceu e é muito possível. Não houve briga, só beleza. Beleza de gente se conhecendo, trocando idéias, apresentando seus projetos, apresentando arte, apresentando a vontade de maior mobilização social e individual.
Se dermos chance (e se o Governo continuar neste plano de ação), no meio cultural, muitas coisas poderão acontecer, exatamente no plano que estamos falando aqui: não no industrial, mas no incentivo à criatividade, à arte que é própria do ser brasileiro em sua criatividade existencial essencial. Somos reconhecidos e nos reconhecemos em nossa extrema habilidade de sobreviver a quaisquer intempéries como seres pacíficos – ou passivos. No que tange a esta reflexão, deixo meu desejo de que a passividade transforme pessoas em agentes da vida, que em arte transformem o melhor de si. Espero sinceramente que o Governo e “os interessados” façam vingar a cultura, a arte e o indivíduo como bens maiores da vida!

Solange Castro – Érico, certamente os artistas brasileiros têm obras belíssimas a mostrar, mas não podemos atribuir ao governo esse talento… Isso é nosso… Muito pelo contrário, acho pouco, muito pouco – esse tipo de evento era para ser realizado em todos os Estados anualmente, com divulgação nacional, enfim, com um grande estímulo para que a população tivesse acesso…
Não critico, em absoluto o evento, muito pelo contrário, mas acho pouco…
Lembra em 2001, quando fizemos nossa primeira entrevista? Lembra das nossas expectativas com a mudança de governo? Você está mesmo satisfeito com o que vem acontecendo com a cultura brasileira nos últimos cinco anos?

Erico Baymma – hum… Este ponto é crítico! Eu, realmente não posso atribuir a um governo, mesmo que vá a oito anos a mudança pragmática de todo o arsenal de corrupção que vem sendo praticado desde que descobriram o tal do Brasil. Temos que ver que governo é negociação, e que governar deve ser um projeto de continuidade, principalmente em nossa fatal realidade de tanta miséria, de tanto desemprego, de tanto… tanto… tantas coisas negativas. A alternância de projetos políticos (e interesses econômicos e suas prioridades) faz com que se esqueça do motivo essencial, que é a vida. Não atribuo menos responsabilidades àqueles que estão lá e podem fazer algo, mesmo por que atualmente eu estou pensando mais na responsabilidade do que eu vivo, do que eu posso gerir e gerar, do que eu possa instigar no outro a buscar em seus próprios talentos e não atribuir aos outros a responsabilidade daquilo que não foi sequer pensado em propostas alternativas como solução. É fácil reclamar, todo governo é “reclamável”, todas as pessoas numa posição um pouco diferentes “são reclamáveis”. As pessoas “comuns” são reclamáveis e reclamadas a todo instante, por que não “os grandes”??? rs… Tudo, absolutamente tudo, é passivo de reclamação, de um conserto, de uma nova ação. A meu ver, observando o Estado e a responsabilidade dos que lá no Governo estão, deve haver maior responsabilidade, maior ética e moral, maior compromisso pessoal e profissional. Mas, estamos no meio de um grande negócio. O que está valendo não são as propostas que são ditas em palanques, mas como serão negociados as perdas e ganhos de uma “determinada elite”… Isso já vem de longe e acho que pouco modificará. Se for falar da minha vontade, da minha visão, eu diria que eu nunca vi nada que realmente me satisfizesse. E hoje eu coloco isso em termos mundiais. Só se fala sobre paraísos fiscais, paraísos de férias, de belezas paradisíacas e tudo o mais, tudo espetacular demais. Cadê o paraíso da vida, que é viver? O que eu posso fazer no meu cotidiano para que o “meu interlocutor” compreenda que o que ele fala com romantismo e paixão é simplesmente de uma inutilidade infinita?
Por isso mesmo é que eu atribuo à ONG a “cultura do sujeito” como princípio ético. Há de se ter mais cuidado com a própria vida e jogar menos a responsabilidade no outro. Há de se cobrar a qualidade de vida, no que tange a serviços públicos ou privados (que hoje quase todos são). Mas, qualidade de vida é saúde, forma de pensar e perceber, de agir no mundo… Não dá pra eu pensar que eu fale alguma solução fabulosa ou crítica ferrenha certeira a qualquer desses orgãos cuja distância é tamanha à minha pessoa como eu sei que nunca vou conhecer Plutão.

Solange Castro – Mais uma vez concordo plenamente com você… Para falar a verdade, avalio o Governo Lula como muito bom – mas, infelizmente, como nada é perfeito, acho que temos dois problemas: o primeiro independe dele, que é a corrupção – tem cretino demais no Planeta, temos que aprender com isso e nos superarmos… O outro, que para mim é o que mais pesa, é que nós que trabalhamos com cultura esperávamos muito mais do nosso Ministério. Em 2002 coloquei minha mão no fogo e estou tostadinha… Mas, por outro lado, como já havíamos comentado acima, os artistas brasileiros estão dando um banho, independente do Ministério, estão dando a volta por cima e criando, crescendo, fazendo muito bem seu papel…
Trabalhar com produção cultural no Brasil hoje é coisa para malabarista, mas estamos conseguindo, convenhamos…
E aí repito: parabéns você pela sua iniciativa, vou apoia-la SIM!

Erico Baymma – Olha, Solange, na abertura da Teia Cultural, que aconteceu no Palácio das Artes, houve um fato muito interessante que pode configurar muito bem esse tipo de expectativa que a gente tem, que as pessoas têm. As cadeiras da platéia do auditório principal foram dividas por um cordão de isolamento, na metade. A parte da frente era reservada à imprensa, e outra parte desta metade não se sabia por que estava vazia. Abriu-se a Teia com a entrega da Medalha de Mérito Cultural, quando foram homenageados os Irmãos Aniceto (do Ceará), Luiz Gonzaga, Tônia Carrero e outras tantas figuras fabulosas de nossa arte e cultura. À medida que o tempo passava, iam pessoas adentrando o auditório e superlotou… e começaram a gritar : “Lula, o povo quer sentar! “… Gritaram algumas vezes… e, não me lembro bem se foi o Cláudio Mamberti (que apresentava) ou o próprio Lula, que disse que gostaria muito de ter mais cadeiras sobrando, mas aquelas estavam reservadas para os homenageados na cerimônia, que naquela hora ainda estavam no palco… Entende? É muita carência pra pouca organização ou capacidade de refletir sensivelmente sobre as coisas. A “demagogia” também é refletida a partir de nós, povo. “O povo” virou uma massa de descontentes que atribuem demais ainda a um “salvador da vida” o que cada um deve fazer, com bom senso para que algo melhor venha. Não é por que o Lula é um “presidente comum/popular” que a coisa deve virar arroz de festa. Esta expectativa declara somente o desespero histórico, que não é resolvível em um simples click, “para a felicidade geral do sanatório” – que agora, com a massificação da cultura de livros de auto-ajuda e tantas “seitas e religiões” e “pensamentos vertiginosos” a pregar “deuses das soluções de vida” que as relações de maior intimidade podem perder o respeito e a dignidade. A vida está indigna. Pois que a dignifiquemos!
Não dá pra gente ter mais uma visão tão romantizada das coisas, principalmente por que há anos nossa economia é regida por fatores exteriores, principalmente pelos Estados Unidos: nossa indústria cultural é invadida pelo mundo todo, principalmente pela historicidade e grande fábula montada pela indústria cinematográfica e fonográfica estadunidense… (que gera valores e costumes montados a partir de um ataque aos instintos humanos, pela conjunção das indústrias)…

Solange Castro – Rs… “Estadunidense” é ótimo…

Erico Baymma – (rs… é assim mesmo… engraçado e besta rs…)
Esses são só exemplos isoladíssimos dessa “teia que não se tece” e que se enovela a cada dia mais e a gente não acha uma solução pra ela… E não dá pra atribuir ao governo Lula uma incompetência no aspecto da melhoria de condições na produção cultural, quando há vários outros setores, ditos prioritários, a serem preenchidos… São muitos interesses, muito diversos a serem atendidos urgentemente por todos os lugares. Eu poderia esperar que tivéssemos uma maior chance de uma mostra e produção cultural e artística de grande visibilidade no Brasil. Mas, se virmos as colocações de governos anteriores, nós tivemos muitos ganhos, mesmo que não nos satisfaçamos com a que temos agora…
Afinal, um presidente Lula é simplesmente uma “figura” colocada lá. Tenho lido como os políticos têm que se especializar como entertainers para conseguir o grande mérito da atenção pública. Os políticos tornaram-se apresentadores de televisão, têm que saber articular o discurso, não deixar o adversário detê-los numa raiva qualquer, mesmo que o jogo seja baixo. Eu admiro muito o Lula. Vai além da “figura” e dá um “certo equilíbrio” às coisas que devem ser negociadas com interesses tão distintos e poderosos. Eu não digo que ele seja corrupto, mas não sou cego pra ver o quanto de gente e com quem ele tem que negociar pra manter alguma coisa no prumo. Não estou satisfeito com o nível de coisas que a gente tem. E que, após longa luta perseguindo o desejo de tê-lo na Presidência, vê-lo conseguir e não alcançar as metas sonhadas pelo cotidiano sofrido (principalmente por que os relacionamentos públicos e privados se tornaram tão-somente empresariais, jogos de interesses de baixo calão e de uma “tecnologia de articulação” assustadora), isto tudo é lamentável, mas compreensível… Eu não vejo uma outra pessoa qualquer que pudesse estar lá no lugar do Lula… E olha que não o tenho como mito, ele apenas faz parte da minha história (morava em São Paulo quando começaram os movimentos em São Bernardo). Não existem mitos. Só pessoas batalhando por “sua sobrevivência”.
Acho que, se tiver chance de continuidade, e um povo com mais respeito próprio, as coisas podem acontecer. Mas, se continuarmos tão alheios de nossa própria vida, vai continuar tudo exatamente como cada um consegue ver – que, afinal, é o que sempre vai acontecer… pro bem ou pro mal, ou pro mais ou menos… rs…

Solange Castro – É isso, Érico – continuo concordando com você. Acho, de verdade, que governar nosso Brasil que vem, desde as origens, com vícios de comportamentos anti-éticos, uma loucura. Acho, de verdade, que Lula está fazendo milagres… Governar um País que tem um parlamento como o nosso não é fácil… E é o povo quem vota, não podemos fazer nada… Só acho que a cultura poderia estar em mãos melhores, ter um pouco mais de ‘cuidado’… Por outro lado, é como disse: estamos dando a volta por cima, fazendo…

Erico Baymma – É terrível sabermos que nossa consciência a respeito da ética é simplesmente ilusória, não? Espero começar a exercitar “este troço” o mais breve possível!.
É o que temos que fazer: FAZER! Não há mais a fantasia de uma figura determinada, que tenha uma postura que a gente acredite romanticamente, CHEGUE do outro mundo e que ela vá transformar este mundo. O negócio é empresarial. É o Brasil empresa negociando com o mundo e um pouco com os “interiores” de si mesmo. Não há quem possa com essa realidade e isto pode causar danos mais irreversíveis… espero que não (o que me mostra o quanto vivemos mais de esperança do que de fazer). Espero que o “equilíbrio” que o Lula vem mantendo para lidar com estas diversas facções e interesses seja uma meta a ser alcançada verdadeiramente. Não quero Alckimim…rs.. Eu quero o Lula fazendo… E se não fôr mais ele, daqui pra quando acabar o mandato, que a gente encontre alguém que tenha uma história digna de tentar lidar com as coisas de nossa tão realidade tão diversa e adversa… O que a gente sabe que não é tão fácil, quando a nós se apresentam no dia-a-dia tantas situações em que temos que correr riscos e assumir nossas posturas com a dignidade que nós escolhermos… Tudo é uma escolha, uma opção para o bem ou para o mal, eqüidistante de nossas crenças pessoais ! Vamos achar um “santo” pra colocar “lá”? Quem é? Me conta !
Solange, desde já agradeço muitíssimo pela “sempre carinhosa atenção” que deu aos meus trabalhos e que seja uma parceira nesta empreitada (nada fácil) de fazer valer o ser humano, através da Associação Sujeito e Arte. Você já pode ver em quais valores nos embasamos e que realmente o ser humano vivo, com maior dignidade é o que nos interessa! Agradeço, pessoalmente, demais pelo espaço que você me dá aqui para divulgar este belo projeto de desenvolvimento humano, “do sujeito” e “da arte”, em franco andamento. Beijão e muito obrigado !

Solange Castro – Érico, Luz no teu caminho – acho fantástico teu trabalho, tua filosofia de vida e teu talento. Obrigada.