Pedro de Luna

 

Por: Solange Castro

 

Conheça o adorável projeto da “Banda Oxiurus”, de Pedro de Luna..

 

Alô Música – Alô, Pedro…

Pedro de Luna – Boa noite, cá estou eu…

Alô Música – Bem vindo ao Alô… tudo bem?

Pedro de Luna – Tudo ótimo! Vamos lá?

Alô Música – Me diga – você é de qual lugar do Planeta? E me fale de você…

Pedro de Luna – Apesar de ser um Luna, nasci em Volta Redonda, morei no Rio, na Bahia, em São Paulo e hoje voltei a morar em NITERÓI, a cidade com mais músicos por metro quadrado. “Eu vivo sempre no mundo da lua” (de luna, de lara, é tudo pedro).

Alô Música – Niterói é legal – eu sou do Rio…
Você é só cartunista ou é músico também?

Pedro de Luna – Ah, que ótimo! Niterói é ÓTIMO! Quando fiz vestibular, sempre quis estudar aqui., Daí fiz comunicação social na UFF. Não levo jeito pra tocar nada, só campainha. Mas acompanho o movimento under há 10 anos. Além de cartunista, sou jornalista de profissão… publicitário no diploma, produtor de eventos e empesario de banda…

Pedro de Luna – … sobre este último tópico, já trabalhei com 4 bandas (estou na 4a)

Alô Música – Ora veja – eis produtor… quais bandas?

Pedro de Luna – Acho q no mundo da música, se você pode jogar no ataque, na defesa e no meio campo é melhor ainda. Ajuda. Empresariei o Kamundjangos (hoje Djangos), enZZo, La Carne (SP) e hoje o BENDIS (www.bendis.cjb.net) fizemos 31 shows este ano…

Alô Música – Uau… Depois cadastra tua banda no Alô…

Pedro de Luna – O Bendis é a prova de que o empresario tem que ser antes de tudo AMIGO da banda, sentar no bar, ir na casa deles, etc. Fizemos 3 em São Paulo, 1 em Curitiba, Cabo Frio, Volta Redonda e o resto no Rio de Janeiro e Niterói…
Este ano a gente promoveu um espaço aqui em Nikiti chamado Convés. Aliás, o cara chama da Bar Conves e a gente impregnou na midia pra ser Espaço Conves, porque bar lembra boteco, som ruim… fizemos um show por mês lá…

Alô Música – Me diga, como você começou a fazer esses quadrinhos?

Pedro de Luna – Uma coisa q eu fiz este ano e eu tb pretendo mostrar através dos quadrinhos é a importância do INTERCÂMBIO DE SHOWS – nem todo mundo tem a pilha de bancar passagem, hospedar na sua própria casa, mas isso é que move a cena under…
Vamos falar dos quadrinhos… Bom, desde pequeno eu gosto de desenhar. Meu pai desenhou plataformas de petróleo para a Petrobrás e costuma caricaturar eu e meus 3 irmãos (sou o mais velho). Saiu no DNA de todos o talento pra coisa rsss…
Aí a gente começou a ver que dava certo quando a família ganhava um ou outro concurso de desenho infantil… meu irmão ganhou ate bicicleta…
Quando eu tinha uns 12 anos a pilha era aquela de fazer revistinha e tal. Mas no 2o grau a coisa ficou séria, virei o “desenhista da escola”. Eu que ilustrava tudo. Cartaz, livro de formatura… de tanto desenhar e criar historinhas nos cadernos, me ferrei no vestibular. É que os cadernos com matérias ficavam rodando pelas salas e quando eu precisava não sabia onde estava! Desenhei de mais e estudei de menos… e como publicidade é PUNK (40 pra 1 vaga) tomei pau. Fui pro cursinho e lá tinha o Jornal do Academico, em gráfica e tal. Nem precisa dizer q virei colaborador direto, desenhava os professores… aquela onda né?
Bom, a entrada na faculdade foi um certo choque, deslumbre. Me meti no DA e comecei a agitar eventos, fanzine, etc. Desenhando também. Aliás, um parêntese: um dos caras que mais admiro é o Laerte, que sempre desenhou de graça pros sindicatos. Ideologia. Bacana!
Na época que eu era do DA e tal a gente levantou o nome da UFF geral. Eu ia a todos os ENECOMS (encontro nacional de estudantes de comunicação social) e sempre fazia zines. Depois do 1o, passei a ser o Oficineiro de Zines oficial… hehehe
Aqui no Rio a gente tinha uma meta de dar uma VALORIZADA no nome da UFF porque logo estaria todo mundo no mercado. Aí criamos a Semana Acalorada, pra receber os calouros com varias atividades. Existe ate hoje.
Só que tem um “problema”: eu sempre fiz mil coisas ao mesmo tempo. Eu entrei na faculdade em 93 e logo no 1o periodo eu era um dos únicos que ja fazia estagio. E ainda tirava a maior onda por que era num lugar show. SABE AONDE? chuta…

Alô Música – Nem imagino – rs..

Pedro de Luna – Na Rádio Fluminense!!! Chegava lá de camiseta, distribuia adesivo e tal… Quando saí de lá, fui para uma gravadora independente chamada (não ria) Polvo Discos.

Alô Música – Nunca ouvi falar – é de Niterói?

Pedro de Luna – É de copacabana. O mais legal é que o cara era nacionalista (gosto disso) e não queria nada de Polvo RECORDS, e sim Discos. A gente lançava bandas legais como Beach Lizards, Dash, Big Tre, X Rated… conhece?

Alô Música – Não…

Pedro de Luna – Mas no dia a dia eu vendia faixa (meio telemarketing mesmo) num cd coletânea de divulgação – não era vendido – chamado Brasil Alternativo. Fizemos 8 volumes. Ia so pra rádio, jornalista, etc, so formador de opinião

Alô Música – Maravilha – deve ter dado um bom resultado…

Pedro de Luna – Das bandas que lançamos a Única que ainda existe é a Big Trep, ou A grande trepada, de rockabilly. Quando lançamos o cd eu consegui com o Grupo Pella Vidda encartar camisinha e release deles no cd. Legal né?

Alô Música – Que bom, Pedro – gosto desse tipo de movimento…

Pedro de Luna – Vendeu bem, mas o importante é que ninguém pegou dst… Como eu ligava pra banda do brasil inteiro pra fechar o disco, comecei a conhecer o mundo underground e gostei. També recebia varios FANZINES…
Aí, depois de um ano, quando saí da Polvo, eu já estava dentro da Associação Fluminense de Skate. Virei o presidente da parada hehehehe.

Alô Música – Você não pára – rs…

Pedro de Luna – Na AFS eu fiz um informativo chamado Skt News. Num determinado momento, ele passou a ser independente da AFS sob o nome de SHAPE A.
Pois é… garoto ativo né? O Shape A foi um verdadeiro CASE de zine. Foi muito famoso. Começou com 8 páginas em xerox e terminou com 28 em off set (gráfica), capa colorida e tiragem de 8.000 copias!!!
O Shape A foi um marco real na cena indie. Um dia eu te mando um tá? MAs sabe porque ele acabou? Adivinha….

Alô Música – O que houve?

Pedro de Luna – Porque eu comecei a trabalhar (tercerizado) dentro do escritório carioca da MICROSOFT!!!!!!! Olha que parada mais contraditória!!!!!
Eu trampava dentro do icone do capitalismo, saí de lá, ia fazer um zine e dar um gás nos Kamundjangos!!!
Só que eu tava trabalhando tanto que tive que largar a banda justo quando ela ia assinar com a WEA (Warner) e parei com o zine na 11a ediçao. Isso foi em julnho de 98…

Alô Música – Que opção difícil a tua…

Pedro de Luna – Essa dos Djangos é uma mágoa forte… Porque eu fui o 1o a levar eles pra fora do rio (São Paulo e Curitiba) e na pressa não colocaram meu nome nem no agradecimento do cd… até hoje eu encontro eles e dou uma agulhada…

Alô Música – É, com toda razão…

Pedro de Luna – Cara, esse dilema da cultura x capitalismo é sério. Se eu continuar contando a minha historia você vai ver como se repete.
Ah é… Não vou fazer a minha biografia né? Então pulemos de 98 para 2002. Voltando um pouquinho pro natal de 2001. Ok?
NATAL DE 2001. Eu tinha acabado de ser demitido da All-e, uma agência fantástica de marketing esportivo e entretenimento lá em São Paulo (morei 3 anos e meio em SP). Estava desempregado e pensando seriamente em voltar pro Rio. E foi o que eu fiz.
Cheguei no Rio, curti verão, carnaval, enfim, até a $ acabar. Acabou e eu achei que poderia viver do Bendis (comecei a trampar com eles ainda em São Paulo, em setembro de 2001. Mesmo eles sendo daqui e eu estando lá)..
Em maio, ia rolar a 1a Semana Acalorada do ano e eu estava começando o projeto das Bandas Desenhadas (que além de ser uma parodia com bandes dessinees – como são chamadas na França – tinha a ver com a idéia de desenhar o que rola no mundo da música)..
Desde o início a idéia era não ter roteiro. Uma parada meio big brother dos quadrinhos, um reality show em tempo real.
Aí comecei criando a banda sem dar nome a NENHUM dos personagens.
A única coisa que eu fiz foi tentar dar uma personalidade a cada um deles. O pretinho, por exemplo, é o zoador, zoa todo mundo. O vocalista moreno é o conhecedor de todas as bandas, o baixista (Rafa) é o que mais corre atrás…
E, lá pelo capitulo 4, decidi que precisava ter uma garota. E botei justamente na bateria, que é uma coisa de força, geralmente de homem (apesar de ter ótimas mulheres no comando da baqueta).

Alô Música – Certamente…

Pedro de Luna – Só no último capítulo que eu fiz (38) o leitor sabe o nome de todos os integrantes, porque nem eu mesmo sabia como ia batiza-los… E não queria apelidos ridículos, como rola no Gorilazz… até porque a proposta do Oxiurus é q as pessoas fiquem na dúvida se a banda existe ou não.

Alô Música – E como é isso?

Pedro de Luna – Para que isso aconteça, eles têm e-mail e respondem (oxiurus@sk8.com.br) e recentemente colocamos o nome deles no cartaz de um show com Ack, Mid, Bendis e A Kombi que Pega Criança. O show rolou mas eles nao apareceram.

Alô Música – Risos…

Pedro de Luna – A graça está justamente nisso: eu fiz 5 capítulos contando por que eles não apareceram. E, paralelamente, desenhei o pessoal do Ack e do bendis esperando eles la no local do show!
Por que isso? Por que força o leitor a acompanhar sobretudo as EXPOSIÇÕES…
Bandas desenhadas é um projeto que tem a ver com exposições. Começou na tal semana Acalorada (foi a 1a), depois teve na festa Loud!, Cobal do Humaitá, São Bernardo do Campo, Curitiba, etc.
Essa é a tal integração do mundo real com o irreal…
A exposição é ótima para medir feedback, saber quais capítulos a galera gostou mais. Tem um que eles vão gravar a demo e só tem R$200.00. Cara, várias bandas viraram pra mim e disseram que isso aconteceu com eles tb! Olha que legal!!!
Uma das coisas legais deste feedback foi o seguinte. Do cap 1 até o 20, eles estão montando a banda, criando o nome, release e marcando o primeiro show, que é no DCE. Ateai, ta tudo lá no site.
Aí, tchan tchan tchan tchan… o show acaba não rolando (sai porrada na platéia logo na primeira música)… E eu estava pensando se seria legal ter esta Sina de Oxiurus (a banda que não consegue fazer NUNCA o primeiro show).

Alô Música – Claaaaaaaaro… É ótimo…

Pedro de Luna – E o público adorou, bota pilha: isso mesmo, não deixa rolar o show não… hehehe olha a participação do leitor modificando o roteiro!!! Por isso que eu te disse que é um realitty show das HQs… entendeu?

Alô Música – Sim…

Pedro de Luna – No big brother e casa dos artistas você VOTA em quem você não gosta. Nas Bandas Desenhadas a parada tende a ser por aí também…
Hoje, as bandas desenhadas já estão saindo em quatro veículos: um site chamado Zine Cultural, o Zineverso da faculdade Universo, o jornal Dia e Noite e a revista Frontnews…

Alô Música – Genial esse teu trabalho, Pedro…