Divyarup

 

 

Por: Madan

 

Entrevista com o compositor, cantor e violonista brasileiro radicado
em Londres, Divyarup.

Madan – Divyarup, como foram seus primeiros contatos com a arte e especialmente com a música?

Divyarup – Meus primeiros contatos com a arte começaram quando eu ainda era criança, pois já queria tocar violão, meu tio tinha um violão e foi nele que aprendi fazer os primeiros acordes

Madan – Que idade você tinha?

Divyarup – Não me lembro bem mais acho que tinha 7 anos de idade

Madan – Com essa idade você já começou a tocar violão?

Divyarup – Não, esta foi a primeira vez que toquei sem saber o que era um acorde, mas comecei tocar com 15 anos, era autodidata e não queria saber de estudar, somente compor em cima de alguns acordes que conhecia.

Madan – Você começou a compor por esta época?

Divyarup – Sim, comecei, não sabia muito sobre música, mas já tinha uma intuição e sempre criei melodias, acho que isto é que é o meu forte.

Madan – Que tipo de música você começou a curtir na infância e adolescência?

Divyarup – Na infância gostava mesmo era de Rock N’ Roll, Led Zeppelin, Rolling Stones, Deep Purple…etc, mas na adolescência comecei a escutar a MPB e valorizar mais a nossa cultura, os nossos artistas, gosto muito do João Bosco, me inspiro muito nele.

Madan – Quando você começou a compor canções populares, com letra e música?

Divyarup – Quando fiz a minha primeira viagem para o Nordeste em 1986. Fui visitar a família do meu pai em Sergipe, lá entrei em contato com o homem do campo, o Sertanejo, o plantador de mandiocas, o vaqueiro, o sertanejo, ouvi muitos repentistas tocando também e achei incrível, isto tudo me fascinou.

Madan – Em 1986 você estava com quantos anos? …e já tocava violão e cantava com desenvoltura?

Divyarup – Estava com dezenove anos de idade, já tocava e cantava, não era tão eficiente como hoje claro… risadas

Madan – Além do rock, de João Bosco, quais outros artistas te influenciaram?

Divyarup – Eu gostava muito da música da nova era, ouvia este programa da Rádio Eldorado todos os domingos, gostava muito de Michael Hedges, André Geraissati, Marco Antonio Araujo, Enya, Lorena Mckenith..etc

Madan – Mas artistas mais da MPB não te influenciaram, como Zé Ramalho, Tim Maia, etc…?

Divyarup – Zé Ramalho sim, eu ouvia muito e achava as letras incríveis, gostava muito do Tim Maia também com a banda Vitoria Regia, era puro funk e soul.

Madan – Você começou a trabalhar profissionalmente com música, com que idade e que escola você seguiu, de bares, festivais, de compositor, etc….?

Divyarup – Comecei com vinte anos e toquei em bares na noite de São Paulo, depois participei de alguns festivais pelo Brasil também, estudei percussão na Universidade Livre de Música com o professor Ari Colares. mas decidi tocar violão e cantar, gostei mais desta idéia. Minha escola de música basicamente foram alguns amigos como você, Madan , Taza, Rantu, aprendi muito com vocês também, Aqui em Londres estudei muito e ainda estudo com o Manu Pontes, grande amigo e professor que colaborou muito para que eu gravasse este CD, inclusive duas composições do CD são de autoria dele: “Sumiu” e “Divino Silêncio”

Madan – Em que ano você decidiu ir trabalhar com música em Londres, na Inglaterra, e como está o mercado musical aí?

Divyarup – Mudei para Londres em 1999, mas não sabia que iria trabalhar com a música, lavei muito prato pra chegar onde estou, pois no começo foi muito difícil, sem falar o idioma e sem conhecer pessoas e lugares. Não sabia que um dia iria encontrar o meu caminho que é a musica. O mercado aqui é bem diversificado, tem espaço pra todos, mas tem que ser profissional, amadores aqui realmente não tem chance, pois todos são muito críticos; mas eles gostam da música brasileira e apreciam a arte e cultura de outro país.

Madan – Com tantos músicos bons e profissionais aí em Londres, porque você resolveu gravar seu primeiro CD aqui no Brasil em 2008?

Divyarup – Porque aqui ainda não tinha encontrado um time. Realmente tem músicos bons, mas eles não entendiam a proposta do meu trabalho e além do mais não encontrava um baterista que tocava samba como o Lael Medina (baterista brasileiro)…risadas. Eu tinha que gravar ai com vocês, Madan, parece que estava escrito, foi tudo tão fácil e natural, sem esforços, foi muito bom, muita alegria e alto astral.

Madan – Quais músicos participaram deste seu primeiro CD “Tempo de Luz”?

Divyarup – Sergio Bello foi muito importante, pois ajudou muito nos arranjos e produção, tocou violão, baixo e guitarra. Jonas Dantas nos teclados também foi essencial, tudo que eu esperava de um tecladista, ele realmente deu conta do recado, O Lael Medina na bateria tomou conta dos ritmos, o Claudio Mineiro também foi muito importante na percussão, deu um molho especial, a Yamile, aquela saxofonista da Argentina que improvisou tudo, além do Bocato ter participado em duas faixas, coloriu de vez o CD, fiquei maravilhado com os solos dele sem contar com a sua presença e colaboração, Madan, que também foi essencial, O engenheiro de som Mauricio Grassmann era mais rápido do que eu pensava, quando iria perguntar ele já estava ali pronto pra gravar, foi tudo muito incrível

Madan – Que estilos musicais você priorizou para este trabalho e que estúdio você escolheu para gravar?

Divyarup – Bem, o CD é uma mistura de samba, bossa nova, baião, igexa, funk e salsa. Realmente está bem misturado, mostra o lado eclético da minha pessoa. O estúdio foi o Freqüência Rara na Vila Madalena

Madan – Que temas poéticos você aborda em suas canções e quais são suas influências literárias?

Divyarup – Basicamente eu sou uma pessoa empírica ou seja, falo o que vivo, falo sobre as minhas viagens pelo Brasil, a arte de Aleijadinho, a arquitetura de Oscar Niemayer, o tempo que passei aqui em Londres, os museus, os teatros, não tenho muita influência de poetas, mas gosto muito de Kabir, Osho.

Madan – Você está lançando este CD ”Tempo de Luz” independente ou tem algum selo da Europa ou do Brasil?

Divyarup – Estou completamente independente, mas gostaria muito de trabalhar com uma gravadora ou produtora ou mesmo um agente que organize a minha agenda de shows pelo Brasil e também aqui no exterior.

Madan – Como você vê o atual mercado da música brasileira e mundial?
Divyarup – Bem, como estou fora do Brasil ha quase dez anos, fica difícil responder qualquer coisa sobre o mercado da musica no Brasil, mas posso falar alguma coisa sobre o mercado da musica aqui na Inglaterra. O que vejo por aqui é que as coisas estão avançando bem rápido, por exemplo: quase todos os músicos tem uma pagina no myspace ou qualquer outra página onde podemos colocar o nosso profile, nossas músicas e algumas informações sobre o nosso trabalho, mas não acredito que isto seja suficiente para atingir o sucesso, precisamos mais oportunidade para tocar ao vivo e isto por aqui também não é muito fácil, tudo está relacionado com os contatos que temos e quem conhecemos para poder abrir as portas, cada mercado tem a sua especialidade, a minha música se enquadra dentro de um deles, mas ainda estou buscando recursos financeiros para poder lançar o meu CD e não encontrei nenhum; bem não sei se a resposta esta conveniente. Outro fator importante é cantar em inglês, pois estou tocando todos os dias no metrô e percebo que as pessoas valorizam mais quando canto alguma coisa que elas podem entender, mas mesmo assim as pessoas apreciam a MPB

Madan – Mas você está lançando seu primeiro CD e o que você espera com ele?

Divyarup – Espero fazer as pessoas meditarem mais sobre a vida, viver com mais alegria, aceitar as dificuldades; pois eu pessoalmente aprendi muito nos momentos mais difíceis da minha vida, aprendi também que dinheiro é muito importante e eu gostaria de vender este CD e promover também, além de fazer vários shows e compartilhar com as pessoas um pouco de alegria, pois quando canto me sinto muito feliz

Madan – Quais seus próximos planos para shows e lançamento de CDs?

Divyarup – Eu gostaria de tocar mais ai no Brasil, afinal, é o meu país, a minha cultura, a minha língua, o meu povo…eu gostaria de poder tocar mais com a banda que gravou o CD comigo, pois este foi um time bem legal, amor a primeira vista… Já estou trabalhando no segundo CD e gostaria muito de tocar os dois simultaneamente, pois o segundo é mais dançante, mais vibrante, tem mais a minha cara, é uma mistura de Chico Science, Lenine e Divyarup, então é uma mistura de brasileiros, italianos, sírios, acho que vai ser bem legal; quero fazer as pessoas dançarem, foi pra isso que vim neste mundo…risadas

Madan – Divyarup, obrigado pela entrevista, te desejamos muita sorte e sucesso com este CD, e deixe uma mensagem para seus fãs e admiradores daqui do Brasil.

Divyarup – Eu também agradeço, Madan, por esta oportunidade… Quero agradecer também todos que colaboraram para que este trabalho se realizasse em especial meu amigo Manu Pontes que foi meu professor de guitarra e violão, Você que me inspirou muito com suas canções maravilhosas, ao Sergio Bello pela forca nos arranjos e produção, Lael Medina grande batera, Jonas Dantas que entendeu a mensagem quando tocou os teclados, Yamile nos sopros, que veio da Argentina para participar deste cd e o Claudio Mineiro que colocou um molho especial com a percussão e o Mauricio Grassmann, que foi genial na engenharia de som. O grande Bocato também, como pude esquecer este ser maravilhoso…lembrei a tempo…fez um solo de trombone maravilhoso em duas canções. Para os meus fãs, digo que meus shows, não é somente meu, ele pertence a todos, pois acredito nesta energia que rola. Será uma troca, uma festa e uma celebração. Grande abraço. Divyarup