Entrevista com Célio Mattos

Celinho é amigo antigo, dos bons tempos que nos grupos de bate-papo líamos centenas de e-mails por dia. Fazíamos parte de dois desses grupos, só de músicos, compositores e produtores, e fizemos grandes amizades nessa época – definitivamente o Facebook não tem o mesmo charme..
Bem, esse grande compositor e músico maravilhoso foi-se para a França e por lá ficou, dificilmente nos vemos, mas o carinho, admiração e respeito só crescem ano a ano…

Curtam! Esse grande cara tem o que dizer..

Solange Castro

 

Solange Castro – Célio Mattos, grande músico e compositor, nem imaginas a alegria que tenho em poder conversar um pouco contigo..
Bem, você foi gerado com notas e harmonias, nasceu com música no sangue. Quando foi que começou a se interessar pela música?

Célio Mattos – Bom dia, Solange. Desde criança… havia um piano lá em casa, minha mãe tocava um pouco. Então a partir do momento que eu consegui alcançar as teclas, eu comecei a improvisar umas melodias. Lá em casa se escutava muita música também: daí as primeiras influências… Eu nasci em 1960, na vitrola tocava Cauby Peixoto, Ângela Maria, Roberto Carlos, Elvis Presley, Beatles, muita música clássica… depois veio o tempo dos festivais. Com 8 anos eu ficava ouvindo Tropicália, Sgt Peper’s, Martinho da Vila… Com 6 anos comecei a estudar piano, isso durou dois anos (um braço quebrado me obrigou a parar), aprendi a ler e escrever música. Quando voltei a me interessar a tocar um instrumento, já com 12 ou 13 anos, foi o violão que eu adotei.

Solange Castro – Escola imbatível, também tive o privilégio de conhecer “Música” em casa, não apenas “as antigas”, oferecidas pelos meus pais, que tinham o mesmo gosto dos seus, mas, com duas irmãs mais velhas, dom diferença de oito e quatro anos, minha infância foi permeada também de muita Bossa Nova, e, claro, das eras de Ouro dos Festivais, isso fez toda diferença no meu crescer.

E quando você optou por ser profissional da música?

Célio Mattos – Em 1977, com 16 anos. Nessa época eu morava em São Paulo, uma noite, entrei num barzinho da rua Augusta, tinha um violão encostado num canto, perguntei se podia tocar um pouco, me responderam que sim. Comecei a tocar, pessoas foram chegando, ficando, apreciando, cantando comigo, uma hora depois eu parei, levei o violão de volta pro canto dele. O dono do bar então me propôs: “se quiser pode ficar tocando, eu lhe pago, estou procurando um músico…” Nesse bar, que eu não lembro o nome (risos) eu fiquei uns dois anos. Foi aí que começou.

Solange Castro – Daí até ir para a França, como foi?

Célio Mattos – Depois de Sampa, fui para o Rio de Janeiro, 1980… E fiz muita coisa relacionada à música, até 1987, quando vim para a França. Montei bandas de rock e de MPB, toquei em bailes, toquei na feira de São Cristóvão, estudei violão clássico, cursei composição e regência na UFRJ, fiz parte da banda Nativa, do Sidney Mattos. E, em paralelo, trabalhei no Ministério do Trabalho.
Um dia, logo depois do ensaio da Nativa, na casa do Sidney chegou o Ozias (Gonçalves), baixista, dizendo que estava tocando num navio, o Eugênio Costa, que estava fazendo escala no Rio e depois voltaria para a Europa. Como ele não pretendia fazer a viagem de volta, estava procurando um substituto. O nome da banda era Terra Brasil e fazia um espetáculo típico de música brasileira. Como eu já tinha contatos na Europa (França), eu abracei a oportunidade e vim, no início era para ficar três meses… Isso foi em início de 1987. Este ano (2020) completo 33 anos de França.

Solange Castro – Trinta e três anos não é pouco tempo, a experiência é longa. Vamos tentar detalhar: como é a vida de um “Músico” na França? Quais as principais diferenças entre o “respeito” que é concedido à Arte na França e no Brasil ao seu ver?

Célio Mattos – Daria para escrever um livro (ou vários) a partir dessa questão. Em primeiro lugar: a música, a cultura, de uma forma geral, aqui na França, é tratada de uma forma distinta em relação ao Brasil. O estilo, a corrente musical, o repertório, a “nacionalidade” do artista influenciam bastante. Também: cada músico, cada artista, cada pessoa tem uma história de vida diferente… Há, porém, uma diferença fundamental entre a França e os outros países da Europa (e do mundo), que é em relação ao estatuto do artista músico: aqui é melhor ser assalariado de uma produção, em vez de ser autônomo, o que pode parecer paradoxal. Há um sistema chamado “intermitente do espetáculo”, e inclui músicos, atores, técnicos, roadies, artistas de circo, de produção, de cinema, etc. Deixo aqui um link para um site que explica o que é e como funciona, é em francês, mas um bom tradutor online resolverá, já que a linguagem é técnica.
https://www.pole-emploi.fr/spectacle/

Além disso, há também muita música “informal”: tocar na rua, passar o chapéu num bar (não existe sistema de couvert aqui), festas particulares, restaurantes e outras casas do ramo que não declaram o trabalho. Isso tudo é ilegal. Mas…

Solange Castro – Mas???
Bem, estamos em plena “pandemia” mundial. Mesmo assim, a maioria mantém a esperança, principalmente nós que vivemos em função da Arte.
Qual suas previsões pela frente?

Célio Mattos – Solange, aproveito o período para reestruturar os vários projetos em andamento. Tenho trabalhado bastante com o aspecto pedagógico, principalmente da música brasileira, ainda há muita coisa a transmitir… Assim mesmo algumas novidades vêm por aí, para saber mais basta seguir minhas páginas nas redes sociais. Links abaixo. Grande abraço.

Solange Castro – Celinho, super obrigada por nos ter cedido seu tempo. Espero que logo possamos nos ver.
Mande sempre notícias, temos leitores por aí também, suas agendas serão muito bem vindas.

Grande abraço..

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Julho / Agosto – 2020