Cambada Mineira

 

Por: Solange Castro

A música mineira é riquíssima, tanto pela melodia e harmonia como pela poesia – isso sendo interpretado por um grupo vocal de rara sonoridade, faz com que o prazer torne-se inigualável.
O Grupo “Cambada Mineira” está lançando seu quarto álbum, o “Perfil – Cambada”, faz lançamento no próximo 01 de junho no Rio de Janeiro e em temporada com shows já marcados pelo Brasil afora.
Em entrevista exclusiva ao Alô Música, João Francisco, fundador do Cambada, nos conta um tanto sobre a trajetória do Grupo e sobre esse novo trabalho.

Solange Castro

Solange Castro – João, como a música entrou na tua vida?

João Francisco – Eu nasci na fazenda de meu avô e perto tinha um violeiro que também era o técnico de futebol de lá e isso foi ali. O Itamar foi meu princípio e depois quando passei a morar em definitivo em Carangola/MG, passei a fazer parte de grupos e a participar de festivais. No início dos anos 80 criei o “Trem elétrico -“Tá quem guenta”, primeiro bloco de frevo do interior mineiro. Esse bloco fez muito sucesso na região da Zona da Mata de Minas e gravou um disco com composições minhas. Era “Tá quem guenta” porque tocávamos um frevo mais rápido que o da Bahia, Pernambuco, e ia até de manhã…
Eu compunha para o bloco como se compõe pras escolas de samba, a cada ano fazia um frevo com um tema que falava das coisas da cidade e região. Depois, nos anos 90, vim pro Rio com a Banda Geraes, com a qual tive a oportunidade de gravar um disco bem elogiado por aqui e por músicos da época. A Banda Geraes fez do Jazzmania ao teatro Rival e viajou pelo Brasil.
Em 1996 gravei um cd solo chamado “Estórias de mato e cidade”, e em 1998 eu e meu parceiro Amarildo Silva criamos o Cambada Mineira.

Solange Castro – Como veio a idéia de se formar a “Cambada Mineira”?

João Francisco – Éramos meio sós demais nos projetos. Então a idéia era formar uma espécie de cooperativa, trabalhar juntos num mesmo espaço. Cada qual teria seu espaço e também fazer coisas juntos. Tudo compartilhado, dividido, os custos e os sonhos, rsrsrsrsrs…
No início não éramos bem um grupo, um conjunto. Fazíamos sets de 20 minutos pra cada e no final o Toninho Horta fazia o “gran finale”.
Com o segundo CD é que passamos a atuar mais tempo juntos no palco. As pessoas comentavam sobre os vocais, principalmente. Aí pintou uma formação, a princípio comigo e Amarildo capitaneando um grupo. Depois no segundo CD entrou o Rodrigo Santiago e na formação de trio fizemos muitos shows por vários lugares – Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Brasília e tantos outros…
No CD “Cambada Mineira 2” gravamos a música “São João del Rey” da Flavia Ventura e a partir dali rolou uma grande afinidade com ela que dava umas canjas em alguns shows. Em 2002 fizemos uma minitem porada no Centro Cultural da Caixa no Teatro Nelson Rodrigues já contando com a participação efetiva da Flavia e gravamos o CD “Cambada ao Vivo”, que concorreu ao prêmio “Caras” de música de 2002.

Solange Castro – Quem participava do início do “Cambada Mineira”?

João Francisco – Eu, Amarildo, Johnny Lamas, Gê Lara e Lemão, Marcelo Dinis. O Tulio Mourão participou de vários shows conosco…

Solange Castro – Vocês gravaram três discos e estão lançando para o quarto – nos fale um pouco desse trabalho…

João Francisco – O CD novo “PERFIL – CAMBADA” reúne coisas dos 3 CDS e mais duas que criamos e gravamos pro CD solo do Amarildo “Virgem sertão roseano”, e de certa forma nos leva a buscar um uma linguagem mais nova pro nosso trabalho. Estamos mantendo nossa origem, nosso pé no regional, mas também abrindo as portas pra novas sonoridades. No show contamos agora com a percussão do Marcos Vicente e nosso som está mais vibrante, mais rítmico.
O disco tem na direção artística: Flavia Ventura e eu; masterização – Geraldo Brandão; capa – Marcelo Ferrão; fotos: Marco Sobral.

Solange Castro – Vocês estão lançando um disco independente – como você vê o espaço para trabalhos como o de vocês no mercado?

João Francisco – Brabo. Ser independente não é fácil. Nem digo pela coisa do custo, mas a distribuição chega a ser desestimulante… Se não tiver uma parceria fica muito difícil pro artista fazer seu trabalho ao comprador. Nos restam os pontos alternativos das cidades maiores. O interior fica difícil. Faltam elementos que levem o CD às pequenas cidades. As lojas maiores não aceitam trabalhos independentes porque eles não tocam nas rádios. As rádios não tocam nossas músicas, pois dizem que não se encontra nas lojas, e assim vamos levando. Porém nada de ficar chorando, reclamando. Vamos para a luta…
Democratizou com a internet, mas ainda é caro pro independente divulgar um novo CD.

Solange Castro – A música que vocês tocam é genuinamente brasileira – podemos dizer até que é a “clássica MPB” – você acha justo que por ganância financeira (vide o jabá) a nossa arte seja negada ao nosso povo?

João Francisco – Olha, fazemos uma música que parece que não interessa ao esquema. Nós, Xangai, Juraíldes da Cruz e tantos outros.

Solange Castro – Não acho que não interesse – acho, sim, que não é oferecida ao nosso povo…
O brasileiro tem a boa música nas veias, na alma, sabe reconhecer o que é bom – o que nos fazem engolir é que é o problema – rs…

João Francisco – Nossos 3 cds tinham musicas interessantes, com algum apelo radiofônico, mas não conseguimos tocar no Rio.
Quanto ao jabá é uma incógnita, ninguém sabe, ninguém viu, mas se não rolar não toca.

Solange Castro – O jabá, não é mais assim – hoje em dia é cobrado “formalmente” a veiculação – com direito a nota fiscal e tudo – é “oficial”, apesar de ir contra o “Regulamento dos Serviços de Radiodifusão…
E quanto a espaços para apresentações, como está sendo a receptividade?

João Francisco – Não temos do que reclamar quanto a espaços. Fizemos bons lugares até agora tanto nas capitais quanto no interior. A receptividade é ótima, aliás, o Cambada tem um carisma muito forte. Nossos CDS estão espalhados por todo o país.

Solange Castro – Que maravilha – vocês fazem lançamento quando?

João Francisco – Estaremos fazendo o Dandi Brasil no Rio de Janeiro no dia 01 de julho e depois faremos São Paulo, Brasília e Belzonte e voltando ao Rio em setembro…

Solange Castro – Todos os shows já marcados?

João Francisco – Sim

Solange Castro – Maravilha… Vocês têm site?

João Francisco – Sim, o www.cambadamineira.com.br, que é onde estamos por inteiro e gostamos muito do contato que mantemos com nosso público. Temos uma ótima visitação e fazemos questão de dar total atenção às pessoas que nos escrevem. Também no site fazemos a venda dos nossos CDS…

Solange Castro – João, nossa Equipe torce de verdade pelo sucesso dessa nova temporada que está se iniciando – boa sorte e mande todas as agendas para podermos publicar para nossos usuários…
Parabéns pelo trabalho…

Junho/2004