Slide

prem madan

Madan (1961~2013) é compositor, cantor e músico natural de São Paulo/SP, artista premiado da MPB, especialista na arte de musicar poemas. Começou a desenvolver seu trabalho de musicar e cantar poemas nos anos 80, quando o poeta paraibano radicado em Jales, Francisco Valdo Albuquerque, lhe presenteou com seu primeiro livro de poesia “Canto Semental Livre”. Desde então poetas e escritores o procuravam para entregar suas obras e trabalhos. Entre os poetas que tiveram seus poemas transformados em música estão Arnaldo Antunes, Olga Savary, Paulo Leminski, Haroldo de Campos, José Paulo Paes, Adélia Prado e muitos outros. Seus discos colocam em evidência a Poesia e exaltam a literatura da música brasileira.

Dono de uma voz suave que contrasta oras com a aspereza de seu violão de aço oras com a delicadeza de seu dedilhado, em canções que abordam temas relevantes como em “Frei Tito” (depoimento publicado de Frei Beto sobre os tempos de ditadura), “Raridade” (poema de José Paullo Paes, um manifesto contra a extinção de uma de nossas mais belas aves), “Refrão à maneira de Brecht” (poema de Haroldo de Campos, crítica contra as guerras), Madan dá vida aos versos que pairam sobre sua voz e violão.

Também foi um disputado autor de música New Age, com disco místico lançado nos anos 90, que foi referência para aplicações terapêuticas e holísticas por Masters Coaching como Roberto Shinyashiki, a alemã Mimansa, entre outros.

Possui 4 discos lançados, além de um disco inédito a ser lançado postumamente e dois álbuns gravados em fita k7 a serem relançados em breve por sua família. Teve suas músicas incluídas em coletâneas e álbuns distribuídos internacionalmente ao lado de pesos-pesados da MPB como João Gilberto, Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Suas influências musicais são, pela ordem: música instrumental antiga, brasileira e portuguesa, Elton John, Jeff Lynne (Electric Light Orchestra), grupo YES, Guilherme Arantes, disco music, Zé Ramalho, Beto Guedes, Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Elis Regina, Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto, Neil Young, Eric Clapton, Marisa Monte, Cássia Eller, Nando Reis, Leonard Cohen, Nick Drake e Ana Carolina.

E suas influências literárias são pela ordem: os místicos (Osho, Gurdjieff, Ouspensky, Krishnamurti e Dalai Lama); os filósofos (Nietzsche, Schopenhauer e Cioran – também místico – ); os literatos (Jorge Luis Borges, Ezra Pound, e Octavio Paz) os psicólogos e psiquiatras (Alexander Lowen, Wilhelm Reich, Jung, Freud e Lacan) e por fim, os poetas que musicou, mais Pablo Neruda, Fernando Pessoa e Walt Whitman.

Idealizador e um dos líderes da RSMB (Rede Solidária da Musica Brasileira), uma rede virtual de apoio, parcerias e discussão do cenário musical nacional independente, grupo pioneiro na concepção online da internet que reuniu artistas, compositores, produtores e críticos do mundo todo e promoveu grandes encontros de shows e debates com rádios, gravadoras, jornalistas e imprensa à nível global, atraiu olhares e visibilidade, que logo viraria inspiração para a criação do Clube Caiubi, que nasceu em decorrência (ou em dissidência) da RSMB. O coletivo promoveu festivais e se apresentou em Sescs, Centros Culturais, Villagio Café, Crowne Plaza, etc. Endossou manifestos enviado à Nova FM, assinado por mais de cem pessoas entre artistas, produtores musicais e jornalistas, reivindicando mais espaço na emissora especializada em MPB para músicos brasileiros em selos menores e independentes. Criou eventos para divulgar as rádios USP e Cultura, que tocam os independentes e contou com o apoio da Cooperativa Cultural Brasileira, Rádio Web Paulistana, Alô Musica, M-Música entre outros. Lançou um disco duplo “Cachaça Fina (2003)” à convite da gravadora Européia (MBB Records),  com 35 faixas e o melhor da música nacional independente com circulação e distribuição  internacional.

Uma das maiores qualidades de Madan sempre foi o senso coletivo. Em São Paulo, o artista mobilizou e liderou a Campanha “Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência” (2009), causa pacifista que ganhou um hino “Vamos todo mundo ou Let’s go Togheter) canção de Madan e poema do escritor Paulo Flexa (Luiz Roberto Guedes) com tudo que já se escreveu e cantou a respeito da paz – como a imortal “Imagine”, de John Lennon e “We are the world”, de Michael Jackson. A convite pessoal, feito por Alexandre Sammogini, o coordenador da Marcha no Brasil ao compositor Madan, o projeto virou uma belíssima sinergia comunitária que uniu quase 30 artistas independentes, dos quais 23 cantores em menos de 2 semanas, no prazo recorde de gravação de dois dias, trancados no estúdio. Resultado? A Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência, com produção e arranjos de Duofel, dupla antológica de violonistas (Luiz Bueno e Fernando Melo), que abriu as portas do estúdio e colocou a mão na massa, ao lado de Madan, e Mauricio Grassmann, cujo o estúdio Frequência Rara, acabou virando uma espécie de “sede” do movimento-canção! Entre os cantores estão Adriana Mezzadri, Adyel Silva, Ana Rita Simonka, Anaí Rosa, Cristina Torres, Dhara, Edvaldo Santana, Filó Machado, Ione Papas, Jane Mara, Jarbas Mariz, Lula Barbosa, Madan, Maga Lieri, Mara Melges, Maria Diniz, Mirianês Zabot, Mona Gadelha, Nancy Macedo, Paulo Flexa, Rodolfo Souza Dantas, Sandra Vianna e Valionel.

A história artística e trajetória percorrida por este exímio artista, juntamente aos poetas que marcaram nossa história literária brasileira, inspira tantos outros músicos e compositores, que promove arte e cultura para todas as classes, gêneros e estilos musicais através da dimensão poética de sua obra. A literatura, como uma arte polissêmica e veículo universal da comunicação que dialoga com a música e o desenvolvimento intelectual da humanidade.

Madan ainda iniciou uma autobiografia ainda inédita que está sendo finalizada e editada, juntamente com o disco inédito “Solidão ou A MPB está morta mas juro que não fui eu” parafraseando o poeta e parceiro José Paulo Paes em “A poesia está morta mas juro que não fui eu” a serem lançados em breve.