Marcos Nimrichter

Por: Heloisa Tapajós

O compositor, instrumentista e arranjador Marcos Nimrichter fala para os leitores do Alô Música sobre sua trajetória artística, seu novo disco e os shows que vai realizar no Teatro Municipal de Niterói (25/3), e no Mistura Fina (10/4),
em entrevista concedida a Heloisa Tapajós.

Heloisa Tapajós: Marcos, como é que a música entrou na sua vida? No seu ambiente familiar há músicos?

Marcos Nimrichter: Não. Isso é uma coisa muito marcante e é a minha primeira memória consciente de vida. Eu fui pra escola aos quatro anos de idade e um dia teve aula de música, numa sala em que tinha um piano. Eu me lembro claramente de entrar na sala e ter uma sensação muito forte ao ver pela primeira vez um piano. Eu senti que aquele instrumento era uma coisa muito especial pra mim e fiquei congelado, fascinado, olhando pro piano! Quando cheguei em casa contei pra minha mãe que eu tinha visto um piano, que eu tinha gostado muito do piano e que eu queria estudar piano. Ela ficou assustada porque eu tinha apenas quatro anos e ela não esperava por um pedido desses. Mas me colocou numa escola, a Escola de Música Santa Cecília, lá em Niterói, onde eu estudei durante 10 anos. E eu nem tinha piano, eu estudava na casa de uma vizinha de bairro.

Heloisa Tapajós: Eu fico impressionada porque você é muito jovem e tem um currículo extenso! Você começou a tocar profissionalmente com que idade?

Marcos Nimrichter: Com 13 anos de idade.

Heloisa Tapajós: Muito menino… Como foi o início profissional?

Marcos Nimrichter: Nessa escola de música, onde eu fiquei dos quatro aos quatorze anos, havia apresentações de fim de ano. E a cada ano eu tocava músicas mais complexas. E existia um professor de violão na escola que tinha um grupo de choro, um regional. Ele me viu tocando em uma dessas apresentações, quando eu estava com 12 anos, e me convidou pra fazer uma participação com o grupo dele, que era um grupo regional, com violão, cavaquinho, bandolim, pandeiro e violão de 7 cordas. Toquei duas músicas nessa apresentação. No ano seguinte ele já me convidou pra integrar o grupo, que era um grupo de choro chamado Chorando Juntos. Esse foi o meu início profissional, tocando em teatros, em casas noturnas… E teve um fato curioso nessa época porque, como eu tocava piano, os ensaios tinham que ser na minha casa. A gente ensaiava duas vezes por semana e, entre um ensaio e outro, os músicos deixavam os instrumentos ali. E eu, sempre fui muito curioso e ligado à música, pedia pra tocar nos instrumentos deles… E nessa eu aprendi a tocar pandeiro, cavaquinho, violão…

Heloisa Tapajós: Tudo como autodidata?

Marcos Nimrichter: É, eu via os músicos tocando e ia experimentando.

Heloisa Tapajós: E mais tarde você começou a tocar com outros artistas…

Marcos Nimrichter: Pois é. E eu acho que o que me fez tocar com tanta gente diferente foi o fato de eu nunca ter escolhido um estilo único. Eu sempre fui muito aberto a qualquer estilo. Eu comecei tocando música erudita na Escola de Música: Chopin, Bach, Mozart… Depois eu comecei a tocar choro. E tem outra coisa importante: como eu não tinha piano em casa até essa época e estudava na casa da vizinha, eu me limitava a estudar apenas as músicas que eu tinha que apresentar na aula. Então, quando finalmente meus pais compraram um piano pra mim, eu já com 12 anos, pude tocar o dia inteiro e comecei a tirar músicas de ouvido. E abri o leque de audição. Passei a ouvir muito de tudo, sem preconceito com estilo nenhum… E depois veio essa influência muito forte do choro, que é uma música popular muito rica harmonicamente e melodicamente, também. E depois eu comecei a tocar em bailes, aos 14 anos de idade. E no baile também se toca de tudo. O baile é uma grande escola. Então, eu nunca tive uma escola de música popular. A minha escola foi na prática. A não ser quando eu fiz um curso de harmonia funcional com um grande professor, o Sérgio Benevenuto. Isso me preparou teoricamente pra tudo aquilo que eu já fazia e não sabia o que era.

Heloisa Tapajós: Você já estava na faculdade?

Marcos Nimrichter: Ainda não. Eu tinha 16 pra 17 anos. Com o aprendizado de harmonia funcional, eu passei a entender as coisas que eu já fazia por intuição, ouvido, pela experiência no baile…

Heloisa Tapajós: Aí as coisas passaram a ganhar sentido…

Marcos Nimrichter: Exatamente. Eu passei a entender as músicas que eu tocava nos bailes e no grupo de choro. Meus professores foram os bailes e o grupo de choro. Aí, começaram a surgir os convites dos cantores, primeiro os de Niterói, Fátima Regina, Dalto, Marco Sabino, Cláudio Zolli… Foi aí que eu comecei a viajar pra fora do Rio e pra fora do Brasil, até.

Heloisa Tapajós: E aí você estava com que idade?

Marcos Nimrichter: 15, 16 anos…

Heloisa Tapajós: Você nem estava na faculdade ainda e já estava tocando com cantores…

Marcos Nimrichter: Eu entrei na faculdade com 17 anos. E comecei a conciliar… E isso foi uma coisa importante. A minha faculdade de piano eu deveria ter feito em quatro anos mas fiz em oito porque eu tive que trancar a matrícula várias vezes por ter que viajar em turnês.

Heloisa Tapajós: Mas você conseguiu administrar isso.

Marcos Nimrichter: Consegui. E isso teve um sentido positivo porque me permitiu não ter barreira entre os dois mundos: o da música erudita e o da música popular. E isso se reflete nas minhas composições, nesse meu disco…

Heloisa Tapajós: E você começou a compor com que idade? Nessa época você já estava escrevendo suas primeiras composições?

Marcos Nimrichter: Já. Esse “Frevo do Frei Frívolo”, que você gosta, eu compus com 16 anos de idade, por aí… E paralelamente a essa época dos bailes, e até quando eu já estava tocando com os cantores de Niterói, justamente por estar tocando com esses cantores, eu conheci outros músicos e a gente montou algumas bandas instrumentais. Eu tive uns três grupos instrumentais, que serviram de laboratório pra essas músicas que estão no disco. Então, o “Frevo do Frei Frívolo”, o “Cara de feliz”, o “Resulátero”, eu já tocava nessa época. Só que com outros arranjos. Eu tocava com a formação que eu tinha na época. Às vezes era quinteto, piano, guitarra, baixo, bateria e saxofone. Às vezes tinha flauta…

Heloisa Tapajós: Então você seguiu um tempo acompanhando artistas e sempre atuando paralelamente com seus grupos.

Marcos Nimrichter: Isso. Aí, eu comecei a vir pro Rio, também. Comecei a ficar mais conhecido no Rio. Os instrumentistas que já tinham suas carreiras aqui começaram a me chamar também. Por exemplo, o Guilherme Dias Gomes foi o primeiro músico conhecido daqui do Rio, que já tinha sua carreira, já tinha disco lançado, a me chamar pra tocar. A partir do Guilherme eu conheci outros músicos daqui, como o André Tandeta, o Rodrigo Campello, o Toni Mendes, o Idriss Boudrioua… Eu conheci esses músicos tocando com o Guilherme. E eles começaram a me levar pra outros trabalhos. O André, por exemplo, me levou pro Victor Biglione. E eu tinha 17, 18 anos… Depois eu comecei a tocar com o Alfredo Dias Gomes, irmão do Guilherme. E um trabalho foi chamando outro. E os cantores também. O Emílio Santiago me convidou pra acompanha-lo… No mercado de gravação eu mergulhei mais fundo com os músicos, mesmo, com a música instrumental.

Heloisa Tapajós: Eu descobri você naquele disco maravilhoso do Mario Adnet: “Para Gershwin e Jobim”.

Marcos Nimrichter: O trabalho com o Mario é uma coisa mais recente, de quatro anos pra cá. Antes eu toquei durante três anos na banda do Emílio Santiago. E foi uma experiência muito positiva, muito forte. A gente viajou muito pelo Brasil inteiro e até pra fora do Brasil, Estados Unidos, Europa, América do Sul… Então eu tomei o gosto por viagens, por desenvolver uma carreira que não se restringisse aqui ao Rio. Depois eu toquei com outros cantores, Flavio Venturini, Sandra de Sá…

Heloisa Tapajós: Estilos bem diferentes…

Marcos Nimrichter: Bem diferentes. E aí você tocou num ponto importante: o fato de eu nunca me rotular como um músico de MPB, ou de rock, ou de jazz, ou de samba, ou de choro, me levou a aprender a estar nesse meio de uma forma muito aberta. Não vou dizer que o meu disco não tenha alguns estilos mais predominantes. É claro que tem. Você, que conhece o disco, percebe nitidamente que tem influência jazzística muito forte, tem uma influência do pensamento erudito muito forte e tem uma influência muito forte dos ritmos brasileiros: frevo, baião, maracatu…

Heloisa Tapajós: É verdade… Eu queria deixar registrada aqui a sua atuação com o Mario Adnet porque é daí que vem a minha intimidade com o seu trabalho de instrumentista. Eu me lembro que quando eu ouvi pela primeira vez o disco “Para Gershwin e Jobim”, eu fui procurar na ficha técnica quem era aquele pianista… Porque uma das coisas que mais me chamou a atenção no disco foi o piano – o swingue, as levadas, a técnica, o bom gosto… Maravilhoso! E depois você esteve talentosamente presente em todos os trabalhos seguintes do Mario Adnet: “Para Gershwin e Jobim – two kites”, “Villa-Lobos – Coração Popular”, “Riocarioca”, “Ouro Negro”…

Marcos Nimrichter: É. O Mario tem sido uma pessoa muito importante pra mim porque ele tem sempre me chamado pra gravar e sempre em trabalhos nos quais eu posso tocar à vontade. Porque se você grava em um disco ou atua em um show onde você simplesmente cumpre uma função que qualquer outro músico poderia cumprir, isso contribui bastante pra sua experiência mas não para a sua assinatura.

Heloisa Tapajós: E nesses trabalhos com o Mario efetivamente tem a sua assinatura.

Marcos Nimrichter: Exatamente. O Mario sempre me deixou à vontade pra tocar. Ele colocava a partitura, eventualmente tinha uma obrigação, uma melodia, uma frase feita mas, na maioria das vezes, ele colocava a cifra e me deixava à vontade, tipo: “Toca aí, cria comigo essa função do piano, define comigo o que vai ser com relação ao piano.” E isso me permitia uma expressividade total.

Heloisa Tapajós: E o acordeom? Como é que o acordeom entrou na sua vida?

Marcos Nimrichter: O acordeom surgiu de uma maneira inusitada. Eu fui fazer uma gravação com o Marcos Sabino, que é um cantor lá de Niterói. Isso deve ter sido em 1990 ou 1991. Eu fui gravar com ele como tecladista e quando a gente acabou de gravar, ele me perguntou: “Você toca acordeom?” Eu respondi: “Não, eu nunca toquei…” Aí, ele falou: “Porque essa música aqui é meio sertaneja, meio regionalista… Eu queria muito que alguém colocasse um acordeom nela.” Eu falei: “Olha, mas eu nunca toquei…” Ele disse: “É que o meu pai tem um acordeom na casa dele. Ele não usa mais mas tá em excelente estado. Se eu trouxer o acordeom amanhã, você não quer se arriscar?” Como eu sempre fui muito abusado nesse sentido de experimentar, eu concordei: “Tá legal. Então, traz aí e eu experimento…” Aí, ele levou o acordeom e como era uma coisa simples, que não envolvia um domínio técnico muito forte do instrumento, eu gravei e ficou legal. Aí, o Marcos falou: “Olha, o meu pai não toca mais, o acordeom tá lá parado… Fica com ele pra você. Se eu precisar, te peço de volta.” E eu fiquei. E comecei a estudar, descobri a mão esquerda, o fole… Aí, eu fui estudando e quando eu me senti mais seguro, eu fui espalhando pros cantores e pros músicos: “Olha, estou tocando acordeom”.

Heloisa Tapajós: Nos discos do Mario Adnet, voltando a falar dos discos do Mario, que eu ouço demais, tem umas intervenções bem marcantes do seu acordeom, que é muito singular.

Marcos Nimrichter: Isso é porque eu não venho da escola do forró, da música regional, apesar de saber tocar forró, de ter ouvido muito Dominguinhos, Sivuca… Então, eu levei pro acordeom a bagagem da música erudita, do jazz, do choro…

Heloisa Tapajós: E agora você tá lançando seu primeiro disco solo. Vamos falar dele?

Marcos Nimrichter: Esse disco foi bancado pela Prefeitura de Niterói.

Heloisa Tapajós: Você gravou em que estúdio?

Marcos Nimrichter: No Castelo Estúdio, um excelente estúdio de Niterói, que tem um equipamento que nenhum outro tem, pelo fato do dono ser um colecionador de microfones. Tem uma sonoridade muito singular nesse estúdio. Então, eu fui convidado por ele pra gravar e entrei no projeto da Niterói Discos.

Heloisa Tapajós: O disco tem composições e arranjos próprios. E você estava me falando que a concepção dos arranjos vem junto com a composição…

Marcos Nimrichter: A maioria dessas músicas que estão no disco foi feita quando eu tinha entre 17 e 22 anos . Eu agora estou com 32 anos e tinha 29 quando comecei a gravar o CD. Só que, no meio do caminho, eu fiz uma faculdade de piano e uma faculdade de composição. Ou seja, eu passei a ter um convívio ainda maior com a música erudita. No meu curso de composição, passei a analisar a obra de Debussy, de Strawinsky, de Beethoven… Então, quando eu comecei a reescrever as músicas pro disco, eu me senti um compositor muito mais erudito, no sentido de definir mais as coisas que eu queria. Porque quando eu compus as músicas naquela época, eu compus com praticamente todos os elementos que elas têm hoje só que eu não escrevi na grade a parte da flauta, a parte do piano, a parte do contrabaixo… Eu escrevi a cifra e a melodia, em um formato de partitura que a gente chama de “lead sheet”, que é uma expressão que significa que a música pode ser arranjada pra qualquer formação. Tem o que é fundamental: a melodia e a harmonia. Então, por mais que, na época, eu tenha experimentado com as minhas bandas, a criação era muito mais baseada na melodia e na harmonia e os arranjos eram muito forjados nos ensaios. A gente tinha o hábito de ensaiar uma vez por semana e as músicas iam sendo definidas na prática. Mas como eu fiz essas duas faculdades no meio do caminho, esse disco retrata muito isso. Eu cheguei no estúdio com as partes já definidas, como uma composição erudita. Então, nesse caso, fica difícil diferenciar o que é composição e o que é arranjo porque os arranjos já foram concebidos para aquela determinada formação. Tanto que na ficha técnica eu nem usei a palavra “arranjo”, só usei “composições de Marcos Nimrichter”. Agora, eu também tenho uma formação muito ligada ao jazz, cujo sinônimo, pra mim, é “improvisação”. Eu não estou falando do jazz estilístico americano mas da liberdade de improvisação que pode ser usada em qualquer estilo. Nesse disco também tem muita improvisação. Então, mais do que arranjos, eu diria que esse disco é concebido como um disco de música erudita mas com uma liberdade concedida à maioria dos músicos de criar, no que diz respeito às suas improvisações. A introdução ao “Frevo do Frei Frívolo” é um solo de bateria improvisado pelo Marcio Bahia. Eu falei pro Marcio: “A partitura tá aqui mas eu quero que você faça uma introdução do jeito que você quiser, do tamanho que você quiser, com a dinâmica que você quiser… Faz o seguinte: imagina que o disco é seu. Só lembre que você vai tocar um frevo depois.” Ou seja, é um procedimento erudito do compositor de direcionar o músico mas, por outro lado, tem essa coisa que o convívio do jazz te dá: “Fica à vontade, toca o que você quiser aí.” E isso é uma coisa que não se encontra muito na escola erudita. Em “Segunda barca”, essa que você gosta tanto, tem o Quinteto Villa-Lobos, que no caso tá como quarteto, sem a trompa. A parte deles, que são músicos da área erudita, é totalmente definida, está completamente escrita, nota por nota. Mas no meio tem um solo de saxofone do Marcelo Martins criado por ele mesmo a partir da harmonia que eu deixei com ele. Então é uma mistura equalizada de pré-definição com criação na hora.

Heloisa Tapajós: E apesar do disco ser instrumental, fecha com uma música que tem letra, “Querubim”, que por sinal é belíssima! Você tem outras músicas com letra?

Marcos Nimrichter: Não… Mas “Querubim” tem uma história interessante. Ela ia entrar no disco só com piano e clarinete. Mas na época da gravação, eu sonhei com essa música sendo cantada… Devia ser uma melodia silábica ou talvez fosse uma língua dos anjos… E foi um sonho muito lindo, eu nem queria acordar… E decidi que eu precisava escolher uma cantora e, antes disso, escolher um parceiro. E pensei no Altay Veloso, um amigo com quem eu tenho grande sintonia espiritual. Então, eu gravei a música no estúdio que o Altay tem em casa, fazendo a melodia com a minha voz. Algumas semanas depois, ao invés de escrever a letra em um papel, ele fez o seguinte: devolveu a gravação que eu tinha feito mas já com a voz dele cantando a letra, no lugar da minha. Quando eu ouvi, fiquei encantado e desisti da cantora na mesma hora! Porque ele canta divinamente, né?Heloisa Tapajós: É muito lindo, mesmo. Ele canta com muita emoção essa música! E o disco já está nas lojas?

Marcos Nimrichter: Bom, no momento eu tenho que estar cuidando da produção e da divulgação do show, junto com a minha empresária, a Márcia Virgínia. Mas passando essa maré, eu vou cuidar da distribuição. Mas já tem no site Nossa Música www.nossamusica.com , que é um site muito interessante, criado pelo Nelson Faria. Em breve vai estar nas lojas e no meu site, que ainda tá em construção.

Heloisa Tapajós: Mas a galera vai poder comprar o disco nos shows de lançamento?

Marcos Nimrichter: Vai, sim.

Heloisa Tapajós: Então vamos falar dos shows…Marcos Nimrichter: O primeiro vai ser no Teatro Municipal de Niterói, no dia 25 de março, às 21 horas. O segundo vai ser no Mistura Fina, no Rio, no dia 10 de abril, às 22 horas.

Heloisa Tapajós: Quem vai estar com você no palco?

Marcos Nimrichter: A banda é formada por Alexandre Carvalho (guitarra e volão), Alex Rocha (contrabaixo) e Marcio Bahia (bateria). Eu vou tocar piano, teclado e acordeom. E como o Alexandre Carvalho também toca piano, a gente vai ter a possibilidade de fazer uma sonoridade de piano com acordeom, que é uma coisa que eu gosto muito de fazer em disco mas que em shows eu nunca posso fazer porque não dá pra tocar os dois (risos). E vai ter a participação do Altay Veloso, cantando “Querubim”.

Heloisa Tapajós: Eu tava aqui me lembrando do seu trabalho com o Novo Quinteto…Marcos Nimrichter: O Novo Quinteto é um grupo com o qual eu toco também, que foi uma idéia do Henrique Cazes pra dar continuidade ao trabalho do Radamés Gnattali. O Radamés tinha esse quinteto, que fez sucesso aqui no Rio durante um tempo. O Radamés tinha essa influência do choro e do samba, mas era um músico com formação erudita. Então nitidamente você percebe essa interação.

Heloisa Tapajós: Os outros integrantes são a Maria Teresa Madeira…

Marcos Nimrichter: Maria Teresa Madeira (piano), Henrique Cazes (guitarra semi-acústica), Omar Cavalheiro (contrabaixo), Oscar Bolão (bateria) e eu (acordeom). A gente até tá tentando gravar um disco mas ainda não houve verba pra se pagar os direitos do Radamés. É um trabalho que eu gosto muito também.

Heloisa Tapajós: E, apesar de parecer que não sobra tempo pra mais nada, você ainda é professor a UFRJ…

Marcos Nimrichter: Lá eu dou aulas de piano popular, improvisação e condução harmônica. Eu me interesso muito por essa revitalização do ensino nas escolas de curso superior. E até nas escolas de ensino fundamental e médio. Porque eu acho que essa falta de ensino básico de música é que deixa as coisas chegarem ao ponto em que estão…

Heloisa Tapajós: Essa lacuna na formação das crianças é uma questão da estrutura do ensino que deveria ser revisitada porque compromete o refinamento do gosto musical…

Marcos Nimrichter: Lá na UFRJ, que é um espaço do qual eu posso falar diretamente, está tendo isso. Mas essa é só a pontinha mais elevada do processo educacional – a universidade… Então, esse é outro caminho que me interessa muito. Embora eu nunca vá me afastar de tocar. A chama da música, ra mim, tá na composição e na apresentação ao vivo.

Heloisa Tapajós: Beleza, Marquinhos. Muito obrigada pela entrevista, em nome do Alô Música. Parabéns por esse belíssimo trabalho, sucesso nessa apresentação de terça-feira no Teatro Municipal de Niterói e até o dia 10 de abril, lá no Mistura Fina, onde eu estarei novamente aplaudindo esse talentoso instrumentista que você é, agora tocando suas próprias (e tão lindas!) composições.