Marcio Paschoal

 

 

Por: Solange Castro

 

Escritor e crítico musical, Márcio Paschoal é colaborador do Alô Música e está lançando seu quinto livro, “Os atalhos de Samanta”, uma viagem às almas de nossas compositoras e intérpretes.
Em entrevista exclusiva, nos conta um pouco de sua tragetória de autor, seu universo e nos fala sobre essa adorável personagem…

Solange Castro

 

 

Solange Castro – Márcio, você é economista – quando você começou a escrever?

Márcio Paschoal – Sempre me lembro de escrever alguma coisa. Desde cedo. Mas no meu tempo havia aquela história de diploma (meu papel, meu canudo de papel..vide Martinho da Vila) e acabei me formando em Economia. Daí para um bom emprego na estatal (Interbras), um casamento, filhos e coisa e tal. Mais coisa que tal. Nesse tempo escrevia com o jornalista e célebre contista João Antonio, quem me iniciou na literatura de verdade. E ele ameaçava: “Paschoal, meu caro, com esse seu salário em dólares você nunca vai ser escritor…”. E foi assim mesmo. Precisou o Collor fechar a Interbras e a Zélia acabar com minha poupança para, sem outra alternativa mais honesta, me voltar definitivamente para a carreira de escritor.

Solange Castro – Quais seus escritores preferidos?

Márcio Paschoal – Nélson Rodrigues (teatro e frases), Aparício Torelly, Sergio Porto e Luís Fernando Veríssimo (humor), Cony (dos primeiros romances), Zé Rubem Fonseca e João Antonio (contos), Clarice Lispector (da Paixão segundo GH e Aprendizagem), Machado (trilogia + Esaú e Jacó), Augusto dos Anjos, Drummond e Jorge de Lima (poesia), Ubaldo(Viva o povo brasileiro), Lima Barreto (Policarpo Quaresma), Rosa (Grande sertão, veredas) e Monteiro Lobato (tudo).
De fora, Garcia Márquez, Cortazar, Dostoiewsky, Sade, Borges, Ghunter Grass, Victor Hugo, Thomas Mann, Fernando Pessoa e Eça.

Solange Castro – Quantos livros você já escreveu?

Márcio Paschoal – Cinco. Um romance meio auto-biográfico que conta essa história de um cara que larga tudo atrás do sonho de ser escritor e acaba perseguido por um metafórico sofá (Sofá Branco); um ensaio de humor sobre manias (Cada louco com a sua mania); a biografia de João do Vale (Pisa na fulo mas não maltrata o carcará); um guia astrológico sexual (Horóscopo sexual para praticantes) e um romance sobre uma cantora pop e a busca pela fama a qualquer preço (Os atalhos de Samanta).

Solange Castro – E você também é compositor – quantas músicas?

Márcio Paschoal – Duas parcerias com o Ruy Maurity.

Solange Castro – Porque você não compõe mais?

Márcio Paschoal – Falta de vocação para o negócio.

Solange Castro – Você também é roteirista de cinema – já participou de alguma produção cinematográfica?

Márcio Paschoal – Só curta e vídeos institucionais para tevê.

Solange Castro – Quem é “Samanta Montenegro”?

Márcio Paschoal – É minha personagem, a tal cantora pop do meu novo livro.
Uma mistura de todas as cantoras que conheci nesses últimos anos convivendo com a MPB. Uma aventureira simpática e que percorre todos os atalhos possíveis para realizar seu sonho de gravar um disco e virar uma estrela.

Solange Castro – Você como pesquisador deve ter conhecido bem de perto a realidade de nossos músicos, compositores e intérpretes – mesmo tendo a música mais rica do Planeta (sem exageros…), sabemos que inúmeros artistas da área passam problemas financeiros sérios, mesmo sendo reconhecidos no mundo inteiro… Como você vê isso?

Márcio Paschoal – Com tristeza, é claro. E uma ponta de revolta, pois vemos tanta gente incapaz sendo reconhecida e paparicada enquanto artistas de valor inegável são relegados ao esquecimento. Meu livro fala desse problema que é gerado pelo consumismo e imediatismo do sistema, além dos estratagemas de uma turminha de manipuladores descarados.

Solange Castro – Qual o teu conceito para nossa música?

Márcio Paschoal – Fabulosa. De um riqueza e diversidade de estilos raramente encontrada. Só devo lamentar que sofremos uma constante influência da música de fora, (notadamente americana e inglesa) que incomoda. Não se trata de pretensa reserva de mercado, o que não se justificaria, mas bem que a moçada poderia dar mais valor ao que tão bem fazemos em casa.
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Solange Castro – E a quem você dedica “Os atalhos de Samanta”?

Márcio Paschoal – Gostaria de dedicar meu livro às cantoras deste país, de todas as vertentes e gerações. Poderia citar alguns nomes mas a lista ia ficar muito grande. A elas, pois, em nome de Samanta, minha paixão e encantamento, belas musas e mensageiras da nossa melhor expressão na música popular.

Solange Castro – Obrigada, Márcio – foi ótimo estar contigo…