Érico Baymma

Por:  Solange Castro

Érico Baymma é cantor, compositor e instrumentista (piano e violão). Autoditada, gravou em casa “Artesanato”, onde fez tudo, da gravação à arte final (por isso o nome…), que foi indicado para o Prêmio Sharp em 1998 e teve excelentes críticas no Ceará.
Mineiro radicado em Fortaleza, Érico é também artista gráfico e administrador de empresas. Mas, acima de tudo, um homem generoso, sensível, inteligente, amigo e um papo imperdível…

Solange Castro – Érico, fale um pouco de você…

Érico Baymma – Sou mineiro, morando em Fortaleza há anos… Havendo morado algumas vezes em São Paulo… Sou formado em Administração, e autodidata em um bocado de coisas, inclusive música – toco piano desde os 7 anos…
Violão comecei a aprender com 20…

Solange Castro –Quais tendências?

Érico Baymma – No piano, faço uma mescla de clássico com popular. Uma mistura um pouco indefinível, já que visita tantas praias. Dirijo-me mais à produção sonora, sem descuidar da composição, claro…
No violão, sou completamente voltado à bossa nova, ou ao intimismo por princípio, pela natureza da minha voz, pela minha própria natureza introspectiva, e pelo respeito que tenho à música.
Tenho uma tendência a sentir que a música é feita para ser ouvida, e não para servir de fundo musical para aglomerações sociais…

Solange Castro – Jazzístico?

Érico Baymma – Muita influência jazzística, tanto na harmonia – pois bossa tem a “levada” ou possibilidade jazzística, como o vocal também segue este caminho… Adoro contrapontos na música, brincadeiras de sons, essas coisas… a coisa do balanço, uma harmonia intrínseca, própria da bossa e do jazz… ou então mais levado ao sentimento… quase blues, mas muito mais jazz…

Solange Castro –Teu trabalho é mais instrumental ou tens muita música letrada?

Érico Baymma – Ambas acontecem e existem muito das duas… Há muito maior produção, no que diz respeito a cds, instrumental… No entanto, vocal tem menos produção registrada, mas larga produção efetiva… diria que me dirijo mais à composição musicada…

Solange Castro –Quantas músicas tens compostas?

Érico Baymma – Solange, para lhe dizer ao certo… perderia o rumo… Mas, tenho mais ou menos umas 50 instrumentais… e 30 vocais… qualquer coisa assim… Não vou dizer que tenho 500 músicas… hehehe… Restringi, claro, aí, à música finalizada.

Solange Castro – E achas pouco?

Érico Baymma – Eu acho, pois muito ouço dizerem: “tenho 300 músicas”… Tenho 500…

Solange Castro –Mas não é necessário – importante é ser bem “curtida”…

Érico Baymma – É exatamente o ponto que firmei!

Solange Castro –Parcerias?

Érico Baymma – Tenho muitas parcerias… A maioria das minhas músicas vocais seguem à parceria com amigos…

Solange Castro –Quem são teus principais parceiros..

Érico Baymma – Nossa! São tantas as pessoas… Felipe Cordeiro – com quem já gravei uma canção para o disco “Outra Esquina”, em homenagem ao Clube da Esquina. Etel Frota – poeta que encontrei na internet, e nos ligamos por esta veia: ela conheceu minha canção e se identificou e fez uma letra pra ela… Aliás, essa canção “A Nave”, para qual ela fez uma bela poesia, já está na 5ª letra!!!!!
Algumas músicas em parceria com Glícia Rodrigues, poeta, artista plástica, que infelizmente já se foi…. Dela musiquei a primeira canção que gravei “Beco sem saída”.

Solange Castro –Olha – Etel escreve que é uma delícia – gosto muito do trabalho dela..

Érico Baymma – A Etel é uma pessoa maravilhosa, emoção pura, uma sabedoria invulgar em lidar com as palavras e sentimentos e entrelaçá-los como labirinto nordestino…
Isto é muito visto em seu livro Artigo VIII, cuja poesia ali contida extrai todo o sentimento de vidas.

Solange Castro –Fale mais sobre teus parceiros…

Érico Baymma – Tem o Alano Freitas, também artista plástico, de quem já gravei duas canções “Sax Dorido”, versão para “Round Midnight”, clássico do jazz e “Canção no Jardim”. Temos uma identidade muito grande no rigor estético!
E pouco a pouco vão nascendo parcerias de lugares de onde menos espero… Ganho letras, ouvem minha música e me dão letras… Dão músicas para letrar… É muito boa esta troca.
Uma coisa que eu acho superinteressanate no meu trabalho é que não busco parcerias com “personalidades conhecidas”… Vou pelo caminho “fácil” de GENTE.

Solange Castro –Qual música tua que mais gostas?

Érico Baymma – Ah… é muito difícil responder qual eu gosto mais… Cada uma tem uma intenção que se complementa na outra e fica muito difícil sequer escolher qual a instrumental ou vocal é de minha maior predileção…
Talvez eleja vocal: “Beco sem Saída” por ter sido a primeira… e “A Nave” por tão bela e intensa melodia e harmonia! Mas, tenho um carinho especial por cada uma das canções/composições que já fiz.

Solange Castro –Isso é fundamental, Érico – aliás, preciso te aproximar de Floriano Martins…

Érico Baymma – Pois é… Eu estive pensando MUITO em conhecer o Floriano… Desde que o Mário Montaut me falou na primeira vez…
Gostei do site dele, das coisas que ele escreve, como ele escreve…. Espero que seja um super-encontro…
Esta coisa da internet possibilitando parcerias, composições, livros… tudo! Eu acho o máximo… Ainda há um longo percurso para o aprendizado de saber lidar com o outro via palavra escrita, mas já é um campo a mais para que as pessoas se aproximem e produzam e reproduzam..
Érico – Concordo – a Internet veio realmente nos aproximar… Achávamos que o telefone resolvia, mas a Internet é muito mais “próxima”, mais calorosa..
Érico – Para possibilitar este encontro tão ansiado… Sempre, tudo, é possibilidade!
Nada está definido… Mas, a gente tem que saber aproveitar a chance, por que a vida é curta!
Ela traz primeiro uma máscara, via escrita, que faz com que nos identifiquemos com o texto do outro… Depois de descoberta esta máscara, tudo pode acontecer mesmo, efetivamente…

Solange Castro – E estamos aqui para realizar… É nossa missão…

Érico Baymma – É… É exatamente o que penso.. Temos que realizar… Se há felicidade, ela está na realização através da criatividade e do compartilhar.

Solange Castro –Por falar em realização, quais os projetos atuais?

Érico Baymma – Ah… são muitos… será que caberá por aqui???

Solange Castro –Claro – o Alô é todo teu…

Érico Baymma – Tenho um projeto já guardado há anos de fazer um disco vocal… Tenho dois projetos de shows com visões diferentes sobre a música nacional e a internacional… E tenho o meu segundo disco instrumental pra lançar, né?
E estou louco pra fazer meu terceiro instrumental… Mil idéias estão fervilhando… E está quase na hora de sentar e produzir.

Solange Castro –Está pronto ou está em estúdio?

Érico Baymma – O segundo disco instrumental está pronto, completamente feito por mim, qual o primeiro…

Solange Castro –E o que está faltando para o lançamento?

Érico Baymma – Precisa somente a parceria para a prensagem e …. pronto!

Solange Castro – Só prensagem?

Érico Baymma – Esta parceria já está quase firmada. Faltam pequenos detalhes, ajustes…
Só a prensagem… Já está pronta a arte gráfica…

Solange Castro –Olha – que maravilha… E pretendes lançar quando?

Érico Baymma – Olha, pretendo lançar no início do ano passado… hehehe.. Este disco foi gravado em 1998… E passou este tempo todo sendo masterizado, diante de algumas dificuldades pessoais por qual passei…
E era para ser lançado em 2001…. Ele iria se chamar Odisséia… Numa claríssima referência ao filme e livro… Mas, ainda bem, mudei de idéia… e muitas outras idéias podem aparecer pela frente!

Solange Castro –E vais fazer turnê para o lançamento?

Érico Baymma – Olha, como o meu disco é todo feito em casa, sendo eu quem toca todos os instrumentos, fica dificílimo reproduzi-lo ao vivo…. Mas, sempre há possibilidade de transformá-lo em Acústico! – pois a concepção de arranjos é comumente baseada no pensamento do acústico – (risos)…

Solange Castro – Agora me fale dos outros projetos..

Érico Baymma – Bom, o disco vocal deverá seguir uma linha baseada no meu estilo intimista-bossa novístico… E terá, provavelmente o formato bem mínimo, com poucos instrumentistas… O repertório completamente novo, mas na linha da bossa, jazz e íntima! (Lancei um formato novo: música íntima… risos). Tenho dois shows em vista… um sobre a música brasileira, sobre a música de um compositor específico, com o qual tenho imensa admiração…

Solange Castro –E esse está programado para entrar em estúdio quando?

Érico Baymma – Essa coisa de gravar no estúdio está dependendo também de parcerias e incentivos… Vc sabe muito bem que está dificílimo concretizar projetos culturais… Mas, temos aí a esperança de novos tempos…. Finalmente, voltando à esperança sonhada!

Solange Castro – Quem é?

Érico Baymma – O compositor, eu prefiro não dizer agora, pois terá todo um arsenal inclusive teatral… uma produção que estou vendo há algum tempo, fazendo adaptações e pesquisas… E chegará a hora de divulgar!

Solange Castro –Humm – fiquei curiosa – assim que puderes falar a respeito…

Érico Baymma – Falarei com o maior prazer…. Você pode ficar logo sabendo que é um orgulho enorme ir de encontro à obra deste compositor, que há anos “me habita”…

Solange Castro – É… Estou vendo que estás com ótimas perspectivas…

Érico Baymma – Ainda bem…né? É o que falei…. rompeu o tendão da esperança, e ela está livre agora… risos…

Solange Castro – Isso está no ar, Érico – tenho sentido um que de esperança nas pessoas…

Érico Baymma – Pois é… Há uma volta de esperança, né??? Aquela coisa de Brasil, país do futuro, transformou-se durante anos em desilusão… E agora, “normal e levemente” as pessoas estão se adaptando à realidade e sacando que é a mobilização em torno de ações concretas, recheadas de esperança… resgate da cidadania…. ou reconhecimento do que quer dizer a palavra…

Solange Castro –Sim, Érico, tenho percebido as pessoas voltarem a acreditar na “ética” – isso é maravilhoso…

Érico Baymma – Pois é… eu temo reduzir a questão para “ética”, pois palavras são sempre passíveis de interpretação diferenciada de acordo com o interesse individual ou de grupos… Eu digo que é motivação à responsabilidade de cuidar do que é nosso, seu, meu…Solange Castro – E fora este, quais são seus maiores mitos na nossa música?

Érico Baymma – Uau! Elis Regina! Zé Luiz Mazziotti! Tom Jobim! Chico Buarque! Edu Lobo! Francis Hime! Dori Caymmi! Clã Caymmi! Lenine! e tantos outros. Nós estamos mais ricos do que nunca. Há novos compositores que não chegam sequer perto da mídia que já nasceram mitos!

Solange Castro –É, temos um bom time – rs… O que mais te inspira para compor?

Érico Baymma – Tudo pode ser motivo pra compor…Fico andando pela casa… e começo com músicas vindas do nada… E começo a jogar palavras nelas… E começam a pintar boas idéias… E muita coisa acontece… Há também as horas em que especificamente sento no piano, ou pego o violão pra compor… São as minhas pouquíssimas horas disciplinadas…. E, para meu espanto, surgem coisas que muito respeito nessas horas… risos

Solange Castro – Disciplinadas? Interessante… Pelo que sei tua obra é toda digna de muito respeito…

Érico Baymma – Pois é… sou um pouco adepto do anarquismo… talvez por ser tão “caxias” comigo mesmo!! (O paradoxo não é o que nos concretiza? Ou seja, meu direcionamento à liberdade se dá exatamente por que tenho um “pai forte” dentro de mim, a me cobrar em cada movimento… risos)

Solange Castro – Teu compromisso com tua obra não me passa uma coisa “caxias”, mas sim de respeito mesmo…

Érico Baymma – Pois é… mas a gente tem auto-crítica… um super-ego inflamadíssimo a tomar conta dos pré-requisitos, dos critérios, dos destinos… é danado o processo… Nisso eu me encontro com a formação talvez “romântica” que a Elis tinha… no que ela punha rigor extremo ao que fazia!
Pois é… “caxias” é o que fica lá dentro empurrando para a produção, ou impedindo que a produção venha a nascer… Ainda bem que tem o anarquista, né?? risos…
Mas, o que sai é sempre um “produto” ao qual respeito imensamente…
Eu fico achando interessantte certos compositores que dizem que não gostam de ouvir o que fizeram… Eu gosto muito… Mesmo!

Solange Castro –Isso é muito bom…

Érico Baymma – Minha relação com a música é extremamente passional, também… Portanto, se ela chega a acontecer é por que eu a respeitei… O passional aí, vira meio racional, desde que passou por este crivo… mas é apaixonante, mesmo! E meu racional é muito amigo do meu emocional… risos..
Eu me emociono demais com artes, e muito mais com música… Música é o que me move…

Solange Castro – Você passa essa paixão, Érico…

Érico Baymma – Que bom que eu passo… Muitas vezes meu “super ego” não me deixa sentir isso… risos… E não sou de me auto-revelar um Super Ego, como é mais ou menos comum, até na ideologia que formula mitos, famas etc

Solange Castro – Não te percebo com esse “Super Ego”, comum no meio artístico, em você – muito pelo contrário, te percebo bastante humano, meigo,
atencioso com as pessoas e com a vida.

Érico Baymma – Estes Super Egos são seres anacrônicos, não pertencem mais à vida atual e o que está em formação… São ainda frutos retrógrados da anarquia do poder, que não tem mais espaço, né?
Mas, acho que todos têm ainda o super-ego a comandar, culpando internamente, repreendendo ou impelindo a fazer coisas certas demais… Mas, tem uma história que diz que Zeus foi o grande criador por que tinha sua esposa como super-ego, né? (Ele não agüentava as pressões da esposa e, por isso, saía criando tudo… risos)
Por isto, eu concordo contigo em falar sobre o meu lado “doce”, afetuoso, ser tão presente em meu texto tanto escrito como musical… Ele não se dissociará de mim pois é assim que sou… Mas, há uma cobrança interna por uma produção que no mínimo eu respeite muito… ah, isto há sim…
Quanto aos Super Egos, a que você se refere, neste sentido posso me caracterizar muito mais como um anti-herói… risos…

Solange Castro –Agora sim – rs…Mas, acho o nome meio forte – creio que o que impulsiona uma pessoa de boa índole a fazer sempre “o melhor” é seu lado “magnânimo”…

Érico Baymma – Tenho receio de atribuir a mim ou a qualquer pessoa adjetivos de super-estima. Acho melhor conviver com o belo vindo de um talento bem direcionado. Mas, entendo o que você diz a respeito do magnânimo, respeito, mas acredito que se “democratizarmos o talento” estaremos fazendo mais arte do que nos mantendo mitos, Super Egos etc e tal… Mas, é magnânimo, sim! (risos).

Solange Castro – Mas chegamos lá – eis magnânimo, isso sim…

Érico Baymma – Talvez… mas, eu sigo muito mais o que aprendi em minha leitura sensível da vida do que o aprendido nas minhas leituras “técnicas” específicas, sem renegá-las, claro! O conhecimento formado historicamente é belo, assim como o que projetamos no presente para um futuro, de qual prazo seja.

Solange Castro – Te percebo tão sensível e emotivo…

Érico Baymma – Ah… isso sou com certeza… Extremamente apaixonado pela vida, “romântico” pra caramba – e estou tentando me trabalhar um pouco a respeito… risos… Hay que endurecer pero sin perder la ternura…

Solange Castro – O que achas importante colocar para nós, Érico..

Érico Baymma – Não sou eu quem determina caminhos, não posso fazer isso… Sigo o meu, com meus critérios, esperando que, a partir deles, surja algo muito bom, que tenha longevidade, que emocione as pessoas….
Eu quero, claro, que a minha música e minhas produções contaminem as pessoas… mas, nunca será pelo lado mais acessível, pelo que vende mais fácil….

Solange Castro – E quando vamos te ter em temporada – tens uma idéia?

Érico Baymma – Ah… sempre todos estamos tentando mobilizar alguma coisa em torno de sair pelo mundo tocando, né?? Estamos no impasse do que vai acontecer, pois o que vinha acontecendo não viabilizava nada, se não partisse de nosso próprio esforço… Não havia apoio, sequer moral… Eu quero muito ter um show pronto pra poder rodar, mesmo quase mambembe, por este país lindo que é o nosso e quem sabe mais por onde… (rs…)

Solange Castro – Será ótimo para nós todos..

Érico Baymma – Com certeza! Pode ter certeza que tem tanta gente querendo dar o melhor de si, musical/artisticamente (e por que não individualmente), também, que não cabem em milhares de dedos… Temos ótimos artistas… E todos eles querendo dar o seu melhor! Precisamos alavancar apoio, respeito, reestruturar a sensibilidade sobre o momento passado e atual, e mostrar pro público isso, em nossa linguagem..

Solange Castro – E como… Como você analisa a música brasileira nesse momento e o que você acha que tanto os músicos como nós, produtores, podemos fazer por nossa arte?

Érico Baymma – Vixe… essa é uma pergunta bastante complexa, né?
A música tornou-se prioritariamente entretenimento, portanto produto comercializável! Esta é a música que toca nos rádios, que é veiculada pela mídia e acessível ao grande público. E como “produto” e “comercial” entra na área da propaganda… que quase nunca é o que a música é… E, temos defeito de fabricação…
É essa dificuldade em adequar a linguagem musical para responder ao que o público quer, no que se refere a estar acostumado com produtos defeituosos, é que lutamos para uma melhoria de condição de vida, mesmo!
Gostar de boa música, apoiar, tentar conhecer, ir atrás, isto é melhoria de qualidade de vida… É tratar do meio ambiente… É tratar do ser humano…

Solange Castro – Sim – mas a música de consumo é uma imposição do mercado – é muito difícil (não impossível) vencermos essa batalha…

Érico Baymma – Muitos podem questionar o que é uma boa música e para quem… Concordo com o jogo de valias um pouco incerto… O que é bom pra quem e pra que?
Taí, você tocou num ponto crucial: o mercado! O mercado está propagando a todos os ventos que está em crise por que não está conseguindo vender e não tem lucro, e os prejuízos são enormes e coisa e tal… Não seria esta uma resposta “da vida” para o que eles produziram? Seria isto “místico” demais? (risos).
Massificaram gostos e não conseguem mais satisfazer às demandas… por incompetência?
Há “mil pessoas” muito bem informadas querendo conhecer o que é feito de forma independente ou através de pequenos selos… E ficam malucos quando, por exemplo, eu mostro algumas coisas dos amigos independentes…(Chegam-me diversos cds, principalmente pelos contatos que fiz pela Internet, e muita coisa BOA MESMO). E quem acaba de conhecer, a quem mostro, não consegue entender “como aquilo já existe e eles não conhecem”… Infelizmente, a supremacia da mídia deu às pessoas a “auto-sugestão” ou conclusão de que elas sabem de tudo, por que é o que a mídia diz: “eu comunico tudo, eu sei de tudo!”… Então, se as pessoas se informam por este “poder”, elas certamente deverão deter todo o conhecimento do mundo, né??? (risos)… Estão criadas as distorções… E… temos as carências diversas… Que acaba por dificultar a visão real do que seja a arte, os conceitos, seus “produtos”…

Solange Castro – Certamente, Érico… E estão colocando a culpa na pirataria…

Érico Baymma – É completamente equivocado colocar culpa em pirataria “real” ou “digital”, pois antes dela há a pirataria da imposição de mal-gosto!
Pirataria da venda de produtos falsos!

Solange Castro – Aos milhares… A quantidade de música de excelente qualidade que chega no Alô é uma loucura – tenho ouvido obras lindíssimas…

Érico Baymma – Com a maior certeza… Esse é um fato inquestionável… mas tudo ainda ronda o jogo de interesses, as articulações e ações pertinentes… Enquanto isso, tem um bocado de gente muito boa a fazer música pelo mundo afora…
Daí, alguns optam por fazer produtos fáceis de vender… Músicas fáceis de deglutir… “easy listening”, como rotulam os americanos…
o que pra miim é “hard listening”!!!!! hehehe…

Solange Castro –
Sem dúvida – mas estão pirateando os “independentes” também – conversando no outro dia com Telma Tavares, ela me contou que estava no Centro da Cidade aqui no Rio e viu seu disco “pirata” sendo vendido por um camelô que só revende raridades..

Érico Baymma – Tem um compositor renomado que diz que quando alguém é pirateado é sinal de que ele é muito bom!!!!! Nós estamos falando sobre condições econômicas… Disco está muito caro! As pessoas estão ganhando pouco, estão desempregadas… E colocam discos a preços insustentáveis… Até eu que sou ávido consumidor não posso mais fazê-lo com a frequência que fazia o ano passado por exemplo… o que se dirá dos anos passados…

Solange Castro – É, sem dúvidas…

Érico Baymma –
Há casos de artistas que se auto-pirateiam por que seus “masters” estão presos nas gravadoras que nem os liberam, nem negociam, nem nada…

Solange Castro –Essa é a maior covardia das “grandes”…

Érico Baymma – Pirataria é a palavra chave do momento…. Todo mundo resolveu que é a hora de utilizar a palavra e jogá-la aos sete ventos… Parece o livro do Sartre que uma personagem aprende uma palavra por semana e a inclui em tudo que diz ou pensa…
São tantas as maiores covardias, que até me calo!

Solange Castro – Rs.. mas acredito que com um mínimo de ética acabe esse problema – deixa Lula chegar e vamos ver o que acontece… Pirataria é problema para a Polícia Federal resolver…

Érico Baymma – Não sei se é bem assim, sabe? Acho que somente uma reestruturação, inclusive cultural, poderá ajudar a não ter demanda para pirateiros… E não ter demanda para os pirateiros seria dar oportunidade para estas pessoas que criativamente optaram por gerarem renda para suas famílias através da pirataria. A pirataria não é ilegal, se considerarmos pelo ponto de vista social. Ela só é ilegal pelo ponto de vista da economia e da legislação – que segue os interesses dos “que podem”. Pobres coitados pirateiros, mal moram, mal se alimentam, e tornam-se os “bandidos da hora”!
Então, finalizando minha presença aqui no Alô, deixo registrado para breve o “acontecimento” de um novo disco, que poderá vir em uma forma completamente inovadora… E que aguardem, estão saindo boas idéias e muita música… !!!!!
Muito obrigado pela oportunidade de falar um tico das minhas idéias ao maravilhoso Alô Música e pra ti, Solange, que nos deu este bate-papo supergostoso!
Que o seu site e suas propostas cresçam e oportunizem mais divulgações, promoções e atividades no mundo da música!

Solange Castro – Obrigada, Érico – faremos o possível, te prometo…

Érico Baymma – Eu que te agradeço, querida! Valeeeeeeeeeeeeeeeu!

Solange Castro – Valeu, Érico – espero muito em breve “precisar” te entrevistar novamente… Parabéns pelo teu trabalho… Muita luz para você.

Érico Baymma – Pra você(s) também!