Antonio Braga

 

Por: Solange Castro

O Jornal das Gravadoras é um periódico imperdível no nosso meio. Com matérias simpáticas e inteligentes, nos enchem de informações sobre o nosso universo.
Entrevistar Antonio Braga foi uma honra… Vejam como pensa quem convive diariamente nos nossos bastidores…

Solange Castro

 

Solange Castro – Alô, Braga – como começou a idéia do Jornal das Gravadoras?

Antônio Braga – Eu trabalhava com esculturas em bronze. Tinha uma exposição para fazer em Portugal e estava aprontando 35 peças. Paralelo a isso também atuava em publicidade, em agência, era diretor de arte da Ponta & Pincel. No meu atelier de esculturas tinha sempre um violão e muitos músicos freqüentavam o local. Trocávamos informações e mostrávamos nossas músicas. Uma dessas músicas foi gravada pelo Chiclete com Banana e o Luisinho da BMG Publishing me incentivou a fazer matérias com o pessoal da música. m Daí nasceu o primeiro jornal que tinha o nome de Música & Cia e o subtítulo era “o jornal das gravadoras”. Com o tempo o subtítulo ficou mais forte que o título e eu acabei assumindo Jornal das Gravadoras.

Solange Castro – Você é escultor, músico, publicitário, jornalista… Que mais?

Antônio Braga – Vivi muito tempo vendendo meus quadros a óleo. Depois vivi mais algum tempo fazendo arranjos para demos de artistas novos.

Solange Castro – Mas nos conte – como funciona a linha editorial do Jornal…

Antônio Braga – No início a intenção era de fazer um veículo de integração, onde pessoas pudessem mandar recados para outras ou mesmo rever antigos companheiros. Não funcionou. O mercado é corrido demais para essa distração. Hoje somos consumidos por pessoas que querem saber notícias das gravadoras; por jovens iniciantes no mercado; por artistas querendo saber quem é quem no cargo tal; lojas querendo informações rádios mandando recado para os departamentos artísticos; produtores e/ou vendedores de shows querendo informações de artistas em geral etc. Acabo de receber e-mail de um Bingo para saber informações de artistas. Vou acabar vendendo isso também.

Solange Castro – Rs… Imagino… E dou a maior força – aqui no Alô também me pedem informações, principalmente produtores do exterior…
E quem escreve para o Jornal?

Antônio Braga – Além de você, contamos com Raffaelli, Da Gama (do Cidade Negra), Márcio Paschoal, Elias Nogueira, Marcell DJ, Ilton Godoy, Pecê Ribeiro, Inga Oliveira (Correspondente em Portugal), Léo Bary, Luisinho Marques (BMG) e Paulo Alvares. Cada colunista tem seu espaço de acordo com a necessidade daquela edição. Temos que casar as matérias com a pauta comercial e isso só é definido quando estamos fechando a edição. Não dá para prever nada.

Solange Castro – Você tem promovido a “Confraria dos Compositores” – como surgiu essa idéia?

Antônio Braga – A Confraria é uma coisa antiga. Já houveram quatro tentativas de se fazer isso. Que eu tenha conhecimento tinha uma no Méier (tinha até um camarada dessa Confraria na última que fiz), outra na Zona Sul e outras duas pelo Brasil. O diferencial é que todas elas eram feitas por pessoas que não estavam no mercado musical. Era uma tentativa independente de aparecer na mídia. Juntando isso tudo, um dia num bate papo com um colunista, acabei descobrindo que eu era a única pessoa que se dava com todos os editores e com todas as associações do ECAD. Também não iria precisar de mídia pois eu tinha um jornal. Juntei isso tudo e arrisquei. Deu certo.

Solange Castro – Bingo! E como funciona?

Antônio Braga – Agora as editoras estão querendo criar regras para limitar a freqüência.

Solange Castro – Como assim?

Antônio Braga – Querem que a próxima Confraria tenha convite, não pode levar acompanhante, só pode ir quem for do meio artístico etc.

Solange Castro – Ih! Mas aí vai perder a graça – “Confrarias” têm em comum o anarquismo, colocar regras tira sua principal característica… E você, o que pretende fazer?

Antônio Braga – Também acho. A sorte é que não são todos. Existe um facção que quer que o evento cresça e deseja que seja realizado num local maior, aberto ao público. O problema é que não dá para agradar a todos.

Solange Castro – Bom, então que o critério para a escolha de quem agradar seja o bom-censo e a inteligência – rs… Confraria com cara de colégio interno é inacreditável – rs… Vai entender – e esse povo que cuida da nossa música…

Antônio Braga – Vou tentando dobrar uns, convencer outros e chegar num denominador comum. Estou atrás de novos patrocinadores (já tenho mais sete). Esses novos gostam da fórmula antiga, do jeito que eles viram no DVD. Cada cabeça é uma sentença.

Solange Castro – Sim, mas o que faz diferença é o que mora dentro de cada uma dessas cabeças…
A próxima será quando?

Antônio Braga – Já estou pensando em outros eventos. A Confraria vai sobreviver ainda por muito tempo, com esses ou com novos patrocinadores. Penso agora em fazer um encontro de bandas, mas ainda não formatei essa idéia no papel. Tenho que viabilizar local, custo etc. Claro que do evento sairá um DVD e isso preciso negociar com algum selo.

Solange Castro – Interessante.

Antônio Braga – A próxima Confraria será no final de julho/início de agosto. Preciso definir o local primeiro para depois ver a data. Tem tempo. A novidade é que encomendei uma WEB TV: JG na WEB TV, e vai passar a Confraria em tempo real para todo o mundo. Aos pouquinhos vamos nos tornando visíveis.

Solange Castro – Claro – e podemos colocar link aqui no Alô para o Programa, além de informarmos na divulgação – isso é muito legal…

Antônio Braga – É isso. Precisaríamos fazer uma Associação ou Sindicato das mídias musicais, ou coisa parecida, onde todos pudessem falar de um mesmo assunto dando força uns para os outros, assim como as rádios alternativas fizeram com a Viva Rio que transmite o mesmo programa para centenas delas. Só assim os veículos alternativos terão força política. Se não tiver força política não terão condições financeiras para sobreviverem.

Solange Castro – Concordo – temos já nos dado força e tenho outros veículos e assessores de imprensa aliados – nossos maillings multiplicam bastante e o resultado é ótimo…

Antônio Braga – Quanto mais formos maior seremos. Precisamos ser UM.

Solange Castro – Sim… Sou a favor de unirmos força…
Vamos falar de música – o que Antonio Braga tem ouvido?

Antônio Braga – Ouço tudo que me mandam. Mais tem um pessoal aí, que veio da Alemanha que esta fazendo um som legal. O nome é Valmon. Outro que vai aparecer em breve nas telinhas (tenho certeza) é o André Quatorze Voltas. Lembra o Nei Matogrosso no palco – sacana, versátil, instrumentista, e um grande intérprete. Aliás, há muito tempo que não via um intérprete desse quilate. Ele é de Brasília e deu um show na Confraria. É bom saber que esses encontros acabam revelando novos nomes para a nossa música. Outro cara muito bom, no segmento de samba é o Edinho Nascimento. E olha só o shape do cara: branco, olhos azuis e cabeludo. Totalmente fora do perfil: negão que mora no morro. Edinho acabou de fazer uma turnê pela Europa e chegou cheio de gás. O empresário ele arranjou na Confraria, na primeira. Legal né.

Solange Castro – Ótimo isso – quer dizer que a Confraria tem mesmo apresentado novos talentos…

Antônio Braga – É. Lembrando agora do Edinho: branco de olhos azuis – compositor, me veio a imagem do Chico Buarque, um sambista também.

Solange Castro – E dos melhores – rs… Os sambas do Chico são o máximo…
Aqui no Alô recebemos trabalhos lindos, que não chegam ao público – acabou de sair a Lei que incrimina o “jabá” – o que você está achando disso?

Antônio Braga – Estamos fazendo a nossa parte. Tomara que não me crucifiquem mais tarde. Acho que daqui há alguns anos, quando lembrarem desse movimento vão dizer que “aquele cara ficou rico com aquilo”. Eles não sabem da missa a metade.
Ah! O Jabá. Eles oficializaram o jabá dando o nome de verba de marketing, e aí, ninguém pega mais. Sou do tempo em que as rádios tinham fortes departamentos comerciais e viviam de anúncios. Houve um empobrecimento geral e os anunciantes de rádios sumiram. As equipes tinham que fazer alguma coisa para pagarem suas contas aí surgiu o Jabá.

Solange Castro – Sim, mas segundo a Lei de Radiodifusão não é permitido utilizar mais que 25% do horário de funcionamento da emissora com comerciais – e isso não pode ser jogado para a madrugada ou horários de menores audiências, têm que ser harmonizado em todo horário… Mas isso é com a Lei – nosso problema é que temos coisas belíssimas sendo feitas no Brasil que o Brasil jamais vai conhecer…

Antônio Braga – Como você vai auferir se a música tocada era paga ou não. Isso não tem como acabar. Sempre vai existir alguém querendo tocar a qualquer custo e outros precisando receber de qualquer maneira. Tem rádio que não tem nenhum anúncio – vai viver de que? Não estou defendendo apenas explicando. Se eu tivesse uma rádio e alguém aparecesse com um paco de dinheiro para tocar uma música, sinceramente, eu pegaria o paco. Dá menos trabalho que aturar anunciante chato…

Solange Castro – Bom, cada um cada um… Espero que dê certo e que se cumpra a Lei…

Antônio Braga – Eu também.

Solange Castro – O que você está achando do trabalho dos Selos e Gravadoras – quais os que você destacaria?

Antônio Braga – Destacaria a Biscoito Fino, a Indie e a Astral que vai chegar com fome de gol. Das demais, não sei por quanto tempo vão suportar esse formato. A tendência é irem diminuindo até ficarem apenas uns poucos responsáveis pelo catálogo, a fim de mandarem informações para os patrões lá fora. Não creio que essa situação seja reversível para as grandes. Já para as pequenas acho que dá para viver mais uns de alguns poucos lançamentos.

Solange Castro – Eu não acredito na recuperação das majors – acho que eles se embolaram nas próprias teias até pescoço e não vejo “inteligência” para sobreviverem…

Antônio Braga – Eu também acho isso

Solange Castro – Mas acredito em alguns Selos inteligentes e interessantes, que não se preocupam com milhões de dólares, mas sim com qualidade, e vêm fazendo trabalhos belíssimos – depois dá uma pesquisada no que está vindo pela Fina Flor, tem a Maritaca, que tem um catálogo fabuloso, a Pôr-do-Som, também impecável, a Rob Digital… Agora só para finalizarmos, uns dados técnicos: qual a tiragem e a periodicidade do Jornal das Gravadoras?

Antônio Braga – 30 mil, mensal.

Solange Castro – E onde pode ser encontrado?

Antônio Braga – Bancas do RJ, assinatura, rádios, atacadistas de discos, lojas de instrumentos, produtoras, gravadoras, eventos etc.

Solange Castro – Ok… Braga, algum recado para nossos usuários?

Antônio Braga – Não comprem disco pirata. Ajudem a preservar o emprego de milhares profissionais da música.

Solange Castro – Ok, Braga – olha, parabéns pelo teu trabalho e muito obrigada pela atenção…

Antônio Braga – Valeu !@!!”