Agenor de Oliveira

 

 

Por: Solange Castro

 


Agenor é uma surpresa – ao ser apresentada ao “Bafafá”, seu novo Disco que está sendo lançado pela Rob Digital, fiquei simplismente encantada – não é maneira de dizer – posso afirmar que é um dos melhores discos de samba dos últimos tempos,
pelo menos que eu tenha conhecido…
Sua obra é doce, simples e cativante – tem na poesia aquele “Q’ especial de honrar a emoção, se entregar inteiro a ela e exaltar cada sopro que pulsa uma paixão… Uma obra que, certamente, vale a pena conhecer…

Solange Castro

Solange Castro – Alô, Agenor – tudo bem? Nos fale um pouquinho de você – como você começou na música?

Agenor de Oliveira – Comecei aos 10 anos. Meu pai me deu de presente um cavaquinho e um método do grande Waldir Azevedo e me disse: se vira. Papai tocava violão “de ouvido” e minha mãe canta muito bem. O violão veio no ano seguinte, aos 11 anos. Morava na Rua Anália Franco pertinho da escola de samba União de Jacarepaguá e de vários campos de futebol de pelada. Depois do jogo a música era inevitável.
A partir dos 15 quando montei meu primeiro conjunto chamado “Os Cínicos”… era um conjunto de baile… Comecei a compor com mais consistência a partir dos 16, 17 – a primeira música que eu compus foi uma homenagem ao nascimento do meu irmão caçula e temporão. A música chamava “Passarinho”e era uma espécie de cantiga de ninar…

Solange Castro – Ela foi gravada?

Agenor de Oliveira – Não

Solange Castro – Quantas músicas mais ou menos você tem compostas?

Agenor de Oliveira – Umas duzentas e tantas, acho eu.
sabe como é: algumas já estão no computador e outras espalhadas em cadernos e folhas de papel… mas, prometi que neste ano novo vou tomar jeito e dar uma organizada geral…

Solange Castro – Rs…. E teus parceiros?

Agenor de Oliveira – Tenho parceiros muito queridos e constantes: o Paulinho Lêmos que vive em Portugal já há uns 15 anos e a gente faz mÚsica pela internet. Ele vem ao Brasil tipo uma vez ao ano, chega lá em casa, grava uma fitinha e eu vou trabalhando. Com ele basicamente eu faço as letras e dou uma guaribada ou outra nas melodias.
Com o Moacyr Luz é também assim, ele manda a melodia e eu tasco a letra.
Com o Wanderley Monteiro que é lá do Império Serrano e o Zé luiz também lá da Serrinha eu normalmente faço letra e melodia da primeira parte ou da segunda quando eles são mais rápidos do que eu..
Com o Roberto Araujo às vezes eu faço só as letras, mas em muitas vezes mando uma melodia pronta pra primeira parte já com letra. Aí ele normalmente faz as segundas e me devolve pra eu colocar a letra.
O Lula Dimoraes que é um grande poeta eu normalmente faço melodia em cima das letras. Mas geralmente eu sempre dou uma mexida geral…
Tem melodias com o Délcio Carvalho esperando letra. O Nelson Sargento, ontem no aniversário do Guilherme de Brito, me prometeu melodia pra eu letrar além de pedir letraS pra ele musicar. Estou com umas canções lindas do Rodrigo Lessa do Nó em Pingo D’Água pra trabalhar…

Solange Castro – E você já foi gravado por outros artistas?

Agenor de Oliveira – Que eu saiba pelo Sergio Souto, de quem também sou parceiro, pelo Paulinho Lemos e pelo Ernesto Pires.
A Rob digital, minha gravadora, está com planos de mostrar minhas músicas pra outros cantores. Eu adoraria ser mais gravado. Estou trabalhando pra isso.

Solange Castro – E certamente vais ser gravado – tuas músicas são lindas…

Agenor de Oliveira – Que os anjos te escutem…

Solange Castro – Você compõe basicamente samba ou segues por outros estilos?

Agenor de Oliveira – Eu componho samba prioritariamente por prazer e vocação. Mas sou um compositor de música brasileira. Meu primeiro disco, de 83, produzido pelo Moacyr Luz, não é um trabalho só de samba.

Solange Castro – Quantos discos tens gravado?

Agenor de Oliveira – Três. “Cabeças”, de 83, “Agenor de Oliveira canta Noel Rosa” de 95 e agara o “Bafafá”.
O “Cabeças” é um disco que reflete muito aquela coisa da ditadura. São músicas compostas na década de 70 e contou com um time de primeira: Fernando Merlino, Romero Lubambo, Enio Santos, Cesar Machado, Ricardo Calafate, Humberto Araujo…É um trabalho muito atual em termos de concepção musical e penso seriamente em remasterizar e transformar em cd.
O do Noel, é resultado da minha admiração por ele. Aos 10 anos já ouvia Noel e aprendi quase tudo dele. Pra mim é minha grande influência. No cd contei com o Gilson Peranzzetta, Mauro Senise, Wander 7 Cordas, Paulinho Baqueta e roberto Araujo que fez arranjos hiper caprichados e ganhei uma indicação pro prêmio Sharp. Tive uma força do João Máximo. a produção é toda minha e é um cd que não está a venda nas boas lojas do ramo (talvez porque algumas não sejam boas e outras não sejam do ramo…), Mas o site www.samba-choro.com.br vende..
O bafafá já está mais chique, com distribuição da Rob, apresentação da Beth Carvalho, do Nelson Sargento e do Guilherme de Brito e uma crítica muito boa do Tárik de Souza.

Solange Castro – Um luxo teu trabalho – verdadeiras feras na composição da obra… Parabéns…
Quais são teus planos? Vais fazer turnê para o lançamento do Bafafá?

Agenor de Oliveira – Estou agendando datas. Meu produtor artístico é o Didu Nogueira é está batalhando datas. Já tenho agendado um lançamento no Teatro Rival BR, pro dia 11 de fevereiro, 19:30 e você é minha convidada especial. O Nó em Pingo D’Água estará me acompanhando em todos os showS. O Rogério Souza, violonista do Nó e amigo querido, fez os arranjos e o resto do povo (Celsinho Silva, Rodrigo, Papito e o Mário Séve) todos tocaram no cd. Estaremos juntos na turnê se Deus quiser e já preparando o próximo (um furo pra você) com músicas minhas e o som do Nó.

Solange Castro – Claro – estarei presente… Obrigada pelo convite/intimação – rs… Será umA honra…
E você tem conseguido espaço nas rádios para tocar essas preciosidades?

Agenor de Oliveira – Olha essa coisa de rádio é complicada…o cd do Noel toca de vez em quando na Rádio Mec, raramente na JB Fm, nás rádios comunitárias, nas rádios de Brasília (Senado FN e Nacional FM de lá), na MPB FM deixei o “Bafafá” lá pra ver se eles gostam, até agora acho que não gostaram…vamos ver.
O esquema de jabá infelizmente é muito forte e os interesses das multis fala forte. Mas tirando o “quem Indicou e o próprio jabá”, acho que há um equivoco de concepção do que seja uma concessão de serviço público na área de comunicação do Brasil. O pessoal usa um bem público e que deveria ser o mais democrático resguardando a qualidade técnica e artística necessárias pra atender às vontades e conveniências, digamos, privadas…

Solange Castro – É, Agenor, Jabá é um problema muito sério que Gil vai ter que resolver – ou ele encara com seriedade a nossa cultura ou vai contra a proposta de governo do PT…
O que você espera do Gil como Ministro da Cultura?

Agenor de Oliveira – O Gil é um ícone musical e um símbolo da miscigenação artística brasileira. Sob esse aspecto, creio que o papel dele será de abrir as fronteiras dos demais Ministérios que tem verba para a importância da arte e da cultura na construção daquilo que o nosso presidente Lula chama de auto-estima do povo brasileiro. É através da afirmação cultural e artística, da língua e das diversas linguagens que caótica e gostosamente convivem entre nós que poderemos aprumar o nariz e Gil com certeza sabe disso.De outro lado, há toda uma burocracia ministerial que espero que ele delegue pra uma equipe de trabalho. O PT tem ótimos quadros nessa área que ajudaram a construir a proposta de governo e acho que deveriam ser aproveitados. Eu próprio, que NÃO QUERO NENHUM CARGO PELO AMOR DE DEUS, ajudei e conheço pessoal..

Solange Castro – Sim, tomara – temos muitas coisas “fora da lei” no meio musical que precisam entrar nos eixos – que Deus o ajude…
O que mais gostarias de falar para nós?

Agenor de Oliveira – Que fico muito feliz em tagarelar com você sobre meu trabalho e agradecer a oportunidade de ocupar esse espaço tão simpático e importante do Alô Música.

Solange Castro – Todo teu, Agenor – o Alô foi criado para a “boa música” – já que eis responsável também por isso… Bem vindo…
Foi um prazer estar contigo também…