Claudio Jorge

Por: Solange Castro

Compositor de primeira e dono da Carioca Discos, Cláudio Jorge é Carioca e Sambista de mão cheia…
Em entrevista exclusiva ao Alô Música, conta um tanto de sua trajetória,
seus sonhos, planos e seu cotidiano bem ‘movimentado’…

 

Solange Castro – Alô, Cláudio – tudo bem?

Cláudio Jorge – Tudo certinho, Solange.

Solange Castro – Conte pra gente: como foram os teus primeiros contatos com a música?

Cláudio Jorge – Meu pai era jornalista e violonista amador. Minha mãe gostava de cantar em casa, nas reuniões de família. Meu pai trabalhou muito tempo como crítico de música e, por conta disso, conhecia muitos artistas das décadas de 50 e 60. Lá em casa tinha sempre algum. No meu batizado esteve presente Ismael Silva e quando eu já tinha meus 10 anos me lembro da presença do Bola Sete lá em casa.
O Bola Sete era sobrinho do Jorge Santos, muito amigo do meu pai e violonista do Regional do Waldir Azevedo. Aos domingos quase sempre tava ele lá em casa com o meu pai, tomando umas, comendo um vatapá e tocando. Foi vendo ele tocar que eu tive o desejo de aprender a tocar violão.
Meu pai me ensinou os primeiros passos e depois eu fui em frente sozinho. Com uns amigos lá do Cachambi, subúrbio do Rio onde eu fui criado, participei de conjuntos de baile, rock e com a minha ida para o Colégio Pedro II é que a música brasileira grudou em mim. No Pedro II aprendi teoria musical com o José Luiz, que hoje é um dos meus sócios na Carioca Discos. A vontade de me tornar músico profissional aí já era grande mas em casa todo mundo queria uma faculdade e coisa e tal. Tentei fazer arquitetura e nem consegui chegar ao final do pré-vestibular… (rsrs) Parti pro concurso para o Instituto Vila Lobos, aquele da Praia do Flamengo, derrubado, onde funcionava o prédio da UNE.
Da minha turma fizeram parte o baixista Ivan Machado, o trumpetista Guilherme Dias Gomes, o Sérgio Sarraceni, a flautista Tonica e o Maestro Roberto Gnatalli. Depois de dois anos lá, cheguei à conclusão de que eu tinha era que cair na estrada e o Ivan Machado me levou pra ser guitarrista do conjunto de bailes do Peter Thomas.
Depois de algum tempo larguei os bailes e, pelas mãos do Guinga, ataquei de contrabaixista do grupo de João Nogueira, depois passei pro violão com a saída do Guinga e aí começa realmente a minha história mais profissional.

Solange Castro – Quem foram os teus “mitos” na música?

Cláudio Jorge – Engraçado, hoje eu estava pensando nisso. Meu pai tinha uma coleção de discos enorme que até hoje ainda guardo. Um monte 78 rotações. Ele ouvia de tudo. De Noel a Elvis Presley, passando por Strauss e Altemar Dutra, ídolo dele. Então eu era também obrigado a ouvir de tudo. De tudo o que eu ouvi diria que meus mitos do passado são Ismael Silva, Noel Rosa e Jackson do Pandeiro. Do presente Chico Buarque e Gilberto Gil..
Fora do Brasil, Beatles e George Benson. Meu mito de violão no Brasil é Hélio Delmiro.

Solange Castro – Você tem uma obra bastante conhecida, gravada por grandes nomes da nossa música – quem são seus principais intérpretes?

Cláudio Jorge – A minha história com intérpretes é um lance muito interessante. Eu nuca fui um compositor profissional. De uma certa forma eu até sinto uma certa inveja de alguns amigos meus. Os caras compõem objetivamente para aquele intérprete e coisa e tal. Isso é uma prática, uma dedicação, um método mesmo. Comigo a coisa funciona diferente. Eu componho por inspiração mesmo. Sou até um pouco lento para terminar as coisas. Meu parceiro e amigo Wilson das Neves costuma dizer que eu tenho muita preguiça. Então tudo o que eu gravei foi porque, por um motivo ou por outro, o intérprete tomou conhecimento da minha música, gostou e gravou. Raramente aconteceu de eu mandar uma música pra alguém e a pessoa gravar. Foi no encontro, no relacionamento que as coisas aconteceram.
Uma vez o Arthur Laranjeiras me pediu uma música pra Joanna gravar. Eu pensei: meu Deus como é que eu vou fazer? Ela costuma gravar baladas, eu não sei fazer baladas.
No que eu estava tentando fazer uma balada saiu um samba sincopado que eu vou colocar no meu próximo disco que fala justamente disso. A Joanna acabou gravando uma outra música minha que eu não tinha nem imaginado e que o Arthur tinha me ouvido cantar lá no antigo Barbas, que é “Minha alma suburbana”.
Eu gravei com pessoas que são meus ídolos também e que eu me orgulho muito. Eu me orgulho de ter sido gravado várias vezes por Roberto Ribeiro, Emílio Santiago, o meu parceiro o João Nogueira, Sivuca, Zezé Mota e outros. Gosto muito de uma gravação feita pela Angela Maria de uma canção minha e do Ivor Lancellotti, “Direitos exclusivos”. Quando eu tinha meus 11 anos freqüentei o admissão do Colégio Salesiano, lá no Jacarezinho, onde tinha um grupo chamado “Pequenos Cantores da Guanabara”, do qual eu fiz parte durante um ano. Uma vez fomos cantar no programa do Paulo Gracindo, lá na Rádio Nacional. Era dia das mães e a emoção foi enorme. Principalmente quando entrou a Angela Maria cantando. Ter sido gravado por ela é um dos presentes que a música me deu.

Solange Castro – Cláudio, quantas músicas tens compostas?

Cláudio Jorge – Quanto às músicas que fiz, não tenho idéia da quantidade. Estou preparando um material pra minha home page e saquei que tenho umas cento e poucas gravadas. Devo ter feito duzentas e algumas, por aí.

Solange Castro – Para um “preguiçoso” estás trabalhando bastante – rs…
Quais são teus principais parceiros?

Cláudio Jorge – Pois é. Nos últimos quatro anos minha produção aumentou muito por que tenho feito uma maior quantidade de letras do que antes.

Solange Castro – Isso é ótimo – tua música é muito bonita…
Mas, diga: quem são teus principais parceiros?

Cláudio Jorge – Meu primeiro parceiro, ainda no início de carreira, foi o poeta Ivan Wrigg. Fizemos muitas coisas juntos, na época em que eu estava experimentando as coisas musicalmente ainda. No meu primeiro disco, na Odeon, tem várias parcerias nossas.
Depois veio o Nei Lopes. Acho que a maior parte do que eu tenho gravado é em parceria com o Nei. Temos muita coisa inédita ainda. Tenho feito parcerias últimamente com Wilson das Neves, Luiz Carlos da Vila, Ivan Lins e mais recentemente Elton Medeiros.
Estes são meus principais parceiros atualmente, mas tenho canções com João Nogueira, Cartola, Agrião, Aldir Blanc, Sidney Miller, Ivor Lancellotti, Martinho da Vila e outros amigos.

Solange Castro – Um time e tanto…

Cláudio Jorge – As parcerias pra mim sempre foram coisa muito séria. Ser parceiro é uma coisa que vem depois da amizade. Todos os meus parceiros são meus amigos, antes de tudo.

Solange Castro – Impecável… Você gravou três discos, correto?

Cláudio Jorge – Gravei um LP e um compacto na Odeon em 1980. Em 1982, participei de um disco ao vivo na Alemanha, ao lado do Joel Nascimento e do Sebastião Tapajós. E, em 2002, lancei o “Coisa de Chefe”.

Solange Castro – O “Coisa de chefe” é lindo…
Cláudio, temos uma grande dificuldade no Rio de Janeiro de espaços para espetáculos, rádios, tudo – apesar de sermos o “cartão de visitas” da cultura brasileira, temos cada vez menos oportunidades de mostrar a “arte carioca”… O que achas disso?

Cláudio Jorge – Desde a “revolução de 64”, o Rio de Janeiro vem sofrendo um processo de esvaziamento. A extinção do Estado da Guanabara foi uma derrubada também. O Rio, que era o “tambor cultural do País”, passou a ser o saco de pancada do Brasil e tá ficando cada vez pior.
É inadmissível que o Samba, manifestação cultural brasileira mais conhecida no mundo, não tenha um “Centro de Referência” aqui na cidade. É inadmissível que os sambistas cariocas tenham muito mais condições de trabalho em São Paulo do que aqui.
Falando particularmente do universo do Samba, é um absurdo vermos o gênero no gueto dos bares e rodas de Samba excluso dos palcos nobres da cidade onde ele nasceu. A propósito, eu costumo escrever Samba com letra maiúscula mesmo.
Falando de cultura de um modo geral, nossos governantes nunca tiveram uma política bacana para a música no Rio de Janeiro. O Estado sempre se omitiu em coisas muito sérias. O Estado se omitiu em relação à criminalidade crescente e as coisas ficaram como estão; o Estado se omitiu em relação ao mercado cultural do Rio de Janeiro e as coisas ficaram como estão.
O Rio está mais pra balneário do que pra um estado com um universo cultural forte, tipo: “Festivais de Inverno do estado do Rio de Janeiro” ou “Festival Carioca de Verão”. Há carência também de salas projetadas para espetáculos de música. Concertos ao ar livre no verão em toda a costa do sol. Agora tudo isso com cachês dignos, som bom e muita divulgação.

Solange Castro – E fazem coisas absurdas com a verba da cultura no Estado…
Cláudio, a Carioca Discos tem um belíssimo cast… Fale-nos sobre ela..

Cláudio Jorge – A Carioca é um sonho antigo. Digo sonho porque ainda não chegamos aonde queremos chegar. O que nos levou a fundar a gravadora foi justamente a indignação de não ver no mercado tantos artistas e compositores responsáveis pelo melhor do Samba do Brasil.
Estávamos no auge do erroneamente chamado “Pagode Paulista” e as características mais marcantes do Samba carioca foram colocadas à margem da sociedade.
Sem querer dar uma de bairrista, porque isso realmente é muito por fora, mas querendo e muito valorizar as coisas aqui da nossa cidade, tão castigada nos últimos tempos, é que caímos dentro dessa idéia: criar uma gravadora voltada exclusivamente para a produção de discos dedicados ao Samba do Rio de Janeiro.
Inicialmente começamos Paulinho Albuquerque, Wandersom Martins, Marcelinho Moreira, o Guilherme Reis, com o seu Estúdio Discover, e eu. Atualmente somos Paulinho Albuquerque, eu, o Guilherme Reis e o José Luiz. Já estamos no sexto título e os próximos lançamentos são o meu disco e o do meu parceiro Luiz Carlos da Vila.

Solange Castro – Temos aqui no Alô a entrevista com Leandro Braga – o “Primeira dama” é uma maravilha… E ele um músico impecável…

Cláudio Jorge – Maravilhoso o trabalho que o Leandro fez com a obra da Dona Ivone Lara. O pensamento dele sobre o Samba tem tudo a ver com o nosso.

Solange Castro – BINGO!

Cláudio Jorge – Eu costumo dizer que a Carioca Discos é uma “gravadora artesanal” no sentido de que tudo que a gente faz é com um ímpeto artístico cultural. Nós somos fãs das pessoas cujos discos produzimos e somos totalmente apaixonados pelo Samba do Rio de Janeiro.
Minha amizade com Paulinho Albuquerque vem da infância. O pai dele e o meu eram que nem irmãos, como somos hoje eu e ele. Eu conheci o Guilherme Reis nos tempos da Odeon, quando ele era técnico lá e gravou o meu disco. O Bruno Veiga, que sempre fotografa nossas capas, é uma velha amizade do Paulinho que já se tornou minha também.
Enfim, nosso objetivo maior é viabilizar os discos daqueles que não provocam o interesse das grandes gravadoras e tudo isso só é possível porque conseguimos juntar um grupo de pessoas afinadas com a idéia. Desde músicos, arranjadores, fotógrafo e layoutistas, que comungam da nossa mesma indignação e que têm um alto espírito de solidariedade e trabalho de grupo.
Só pra completar: nossa principal preocupação é com o acabamento. Existe, de um modo geral, uma má vontade dos meios intelectuais, da mídia e de alguns músicos até com o Samba, muito por conta da maneira maltratada com que ele sempre foi apresentado ao público ao longo dos anos. Então a questão do acabamento pra gente é fundamental. É fundamental também escapar dos estereótipos de cerveja, mulatas seminuas e fantasias de carnaval com que o produto “Samba” sempre foi identificado. “Um Samba de fato é coisa de chefe e é preciso se respeitar…”
Sempre achamos também que pelo fato de um disco ser independente ele não tem que ser inferior ao produto das grandes gravadoras. Muito pelo contrário, a intenção é mostrar que a qualidade e a competência técnica não estão no tamanho da verdade produção e sim no amor, na paixão, no prazer de lidar com aquele material, com aquele cantor, com aquele compositor, com aquele trabalho bonito que a gente gosta e tudo o mais.

Solange Castro – Você falou que não chegaram ainda aonde pretendem, mas já têm um belíssimo trabalho – quais são os planos de vocês?

Cláudio Jorge – Falo que não chegamos ainda aonde queremos porque a batalha não é fácil. Lançamos um disco agora do Trio Calafrio, que foi muito bem recebido pela crítica e pelos aficionados. O que queremos é que um dia a chamada “Produção Independente”, que eu prefiro chamar de “Indústria Nacional do Disco”, tenha condições de colocar seus produtos em todas as lojas do Brasil e divulgá-los nas rádios do país, sem jabá.
Sonhamos também com o dia que os empresários deste país irão apostar nessa produção e abrir lojas dedicadas à Industria Nacional. Lojas especializadas mesmo em Samba e Choro, na música do Rio de Janeiro: discos, livros, DVDs, vídeos, revistas, tudo ligado ao Samba, já pensou?

Solange Castro – Vocês são distribuídos pela Rob Digital, certo?

Cláudio Jorge – Somos distribuídos pela Rob, que faz um bom trabalho na medida do possível pois as barreiras para colocação de CDs, nos grandes magazines, por exemplo, são enormes.

Solange Castro – Cláudio, estive conversando com o Roberto, da Rob Digital – não considero vocês “selos independentes” – considero vocês “selos brasileiros”…
Nossos selos nacionais como Carioca, Lua, Azul, Rob, CDM, Lumiar, Kuarup e tantos outros são competitivos no mercado em termos de “qualidade” – se não conseguem transpor as barreiras comerciais é outro departamento, mas em termos de qualidade são impecáveis…
Creio que deveríamos deixar de chamar nossa verdadeira música de “independente”… O que achas?

Cláudio Jorge – Eu inclusive não adoto a palavra selo. Acho que nós somos Gravadoras e, como já disse, nós representamos a verdadeira “Indústria Nacional do Disco”, ao contrário das majors, que são multinacionais.

Solange Castro – Certamente…

Cláudio Jorge – Exemplo: A Gravadora Carioca Discos vai lançar brevemente um ‘Selo” para gravar outras manifestações musicais do Rio que não sejam propriamente Samba.

Solange Castro – Sim… E isso será ótimo…

Cláudio Jorge – Mas o “Selo” é da gravadora Carioca Discos, sacou?

Solange Castro – Sim… valeu… adoro aprender…
Cláudio, considero um dos maiores problemas da cultura musical brasileira o “jabá” – o que achas disso? Como a Carioca se coloca perante as rádios nesse sentido?

Cláudio Jorge – Depois que o André Midani contou tim-tim por tim-tim a história do jabá, pelo menos a gente não precisa mais ficar denunciando. Ele, não sei se querendo ou não, nos prestou um grande favor.
Eu disse outro dia numa entrevista que o lance do jabá pintou muito por conta também do olho grande dos radialistas. Eles, vendo os artistas famosos, com carrões, as gravadoras multinacionais, dólares e tal, como diria o Trio Calafrio, “cresceram a bilha” e passaram a querer a participar destes lucros.
Daí para os donos das rádios ficarem afim também foi um pulo. A função social e cultural da música foi pro espaço e tudo virou anúncio de sabão em pó. Costumo dizer inclusive que as multinacionais não gostam de música, elas gostam é de disco, o que é outra coisa.
Eles agora estão com esse papo de “espaço comercial”. A música como produto que tem que pagar para ser mostrada ao público. Isso é um absurdo. Seguindo esse princípio, daqui a pouco teremos que pagar para veicular qualquer notícia em jornal, um documentário na TV ou uma entrevista num site de internet (rsrs).

Solange Castro – E isso é ilegal – existem normas explícitas sobre as concessões de rádios e tvs… Não podem usar mais que 25% de sua programação com “comerciais”…

Cláudio Jorge – Pois é. Vamos ver o que vai rolar com este projeto de lei visando a criminalização do jabá. Nos EUA, por exemplo, é crime mesmo. De qualquer forma, já prevendo as armações, acho que o governo federal deve se antecipar neste processo e tomar algumas medidas que ajudariam muito, por exemplo: investimento em todas as rádios estatais do país, desburocratização das liberações das rádios comunitárias e coisa e tal.

Solange Castro – Certamente… Por falar em rádios comunitárias, tens um programa na Rádio Viva Rio – fale-nos sobre ele…

Cláudio Jorge – O rádio foi fundamental no meu universo de infância lá no Cachambi: “Jerônimo”, “Histórias do Tio Janjão” e “O Anjo” eram programas que eu ouvia diariamente, além dos programas de auditório da Rádio Nacional.
Já adulto, freqüentei a Rádio Marynk Veiga, onde meu pai dirigia o rádio jornalismo pouco antes de 64, quando a “revolução” fechou a Rádio. Então, o meu relacionamento com Rádio sempre foi muito grande. Era um sonho que eu tinha ter um programa em Rádio. Quando lancei meu disco, procurei o circuito alternativo das rádios comunitárias. Foi através do Tião Santos, que hoje dirige a Rádio Viva Rio, que eu visitei várias Rádios no estado.
O Tião foi trabalhar com o Rubens César no Viva Rio e levou com ele o meu amigo Cristiano Menezes e montaram um projeto de rádios na internet.
A idéia era linkar as rádios comunitárias com o portal Viva Rio. Dessa maneira você vai poder ouvir no Japão direto, ao vivo, a programação da rádio comunitária da Rocinha, por exemplo. Quer dizer, é uma maneira de vencer a barreira imposta pela legislação no que se refere ao alcance das rádios comunitárias.

Solange Castro – Aliás, passe-nos o endereço, dia e hora para nossos usuários poderem ouvir teu programa…

Cláudio Jorge – O projeto se desmembrou e o Viva Rio fez uma parceria com o Sistema Globo de Rádio e a Rádio Viva Rio ocupou o dial da antiga Rádio Mundial. Infelizmente o sonho acabou. A direção criou uma nova grade de programação e, da maneira como me foi proposto, não deu para eu continuar. Fiz o último programa no dia 16 de junho.

Solange Castro – Uma pena.. Lá temos o MPBeleza, do teu filhote, Gabriel Versiani – sempre que posso ouço e é muito bom…
E o “Brasil na veia”, da Telma Tavares…

Cláudio Jorge – Isso mesmo. A Dorina comanda o “Dorina.samba”, que vai ao ar agora de segunda a sexta.
Você falou do Gabriel, meu filho. Ele se formou recentemente em jornalismo e está iniciando uma carreira de cantor e compositor que vai dar o maior caldo. Com direito a eu ser coruja e tudo. (rsrs).

Solange Castro – Maravilha… Mais música de qualidade no Brasil…
Cláudio, quais teus próximos projetos?

Cláudio Jorge – Uma vez eu fui convidado pelo Arlindo Cruz e pelo Sombrinha para produzir um trabalho pra eles, aí eles disseram: “Cara você é um produtor multimídia” (rsrs)… Eu faço um monte de coisas ao mesmo tempo e o tempo não dá pra eu fazer tudo o que eu gostaria de fazer.

Solange Castro – Sim, mas se fazes o que gostas, acabas sendo dono do teu próprio tempo…

Cláudio Jorge – Estou envolvido pra sempre com a Carioca Discos; devo levar o meu programa para uma outra Rádio; estou às voltas com a conclusão da minha home page, por conta da “Solidariedade Humana” dos meus amigos Amadeu Bocatios e Claudia Telles; estou preparando um livro sobre o meu violão no Samba; vou produzir agora o disco do Luiz Carlos da Vila e em seguida farei o meu e, pra completar, ataco de violonista na banda do Martinho da Vila e em algumas gravações.
No dia 19 de junho, vamos para mais uma excursão a Portugal e em setembro vamos viajar durante vinte dias por toda Angola. Antes farei o show de lançamento da minha home.

Solange Castro – Ufa! – rs..
Uma curiosidade – o que mais te inspira para compor?

Cláudio Jorge – A coisa mais difícil pra compor é você ter o tema. Com o tema fica fácil. Mas geralmente eu componho baseado nas minhas experiências e nas dos amigos próximos. “O que é carnaval”, por exemplo, foi um desabafo do Wilson das Neves, num telefonema que ele me deu. Ele tava na maior bronca com os caminhos que o desfile das escolas de samba tomou e eu fiz a letra pensando nisso.

Solange Castro – Cláudio, que bom esse papo contigo…

Cláudio Jorge – Pô, Solange, muito brigado pela força, o prazer foi meu. Gostei muito de dar essa entrevista para o “Alô Música”. Parabéns pelo site e atenção pessoal. Vamos prestigiar a Indústria Nacional do Disco. Vamos valorizar o produto genuinamente nacional. Beijos em todos.